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Clássico. Às vezes a melhor defesa é mesmo a defesa

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Reuters

Depois da Europa, o Sporting diz adeus ao campeonato, ao perder no Dragão por 3-0. Com três golos de Tello. Iguaizinhos.

A derrota do Sporting esta noite, no Dragão, foi explicada ao Expresso pelo ex-guarda-redes do Benfica, Quim, em agosto do ano passado, ainda estava a época a começar. Confuso? Já lá vamos.

Primeiro, ouçamos Quim: "Acho o Jesus fantástico na forma como comanda a defesa, mas digo-lhe já, a maneira como ele trabalha é difícil de seguir. Não é mesmo para toda a gente. Ele exige muito com a história da 'bola coberta, bola descoberta': se o adversário que tem a bola está com alguém por perto, a equipa não se mexe, se o adversário que tem a bola está sem ninguém por perto, a equipa tem de recuar. [...] É preciso muito trabalho, coordenação e repetição." 

Domingo à noite, no Dragão, o Sporting sofreu três golos do FC Porto. Iguaizinhos. Que podiam ser evitados se a linha defensiva da equipa de Marco Silva tivesse um comportamento coletivo adequado (ou se tivesse lido as palavras de Quim...).

Explicando: quando um jogador do FC Porto aparecia sozinho, sem pressão (ou seja, 'bola descoberta'), em frente à defesa do Sporting, o comportamento de Jonathan-Tobias-Paulo Oliveira-Cédric deveria ser recuar rapidamente. Porquê? Para não levar com bolas nas costas. Mas o quarteto defensivo do Sporting nunca o fez e permitiu que Tello aparecesse isolado em frente a Rui Patrício nos três golos. 

O Sporting até não entrou mal no clássico (ainda que Montero, Nani, Carrillo e Adrien tinham sido praticamente inexistentes - salvaram-se William e João Mário), pressionando a saída de bola do FC Porto, que tinha a iniciativa do jogo mas não conseguia entrar de forma apoiada no meio-campo do adversário.

As duas equipas só conseguiam criar perigo nas transições defensivas do adversário, altura em que a melhor defesa não é o ataque: é mesmo a defesa. E o Sporting pecou (mais uma vez) na defesa.

Aos 31 minutos, Jackson isola Tello com um passe de calcanhar magnífico, que é tão ou mais bonito do que um golo - a defesa do Sporting não recua rapidamente; aos 58 minutos, Jackson aparece novamente sozinho em frente à linha defensiva adversária e isola Tello - a defesa do Sporting não recua rapidamente; e, aos 82 minutos, é Herrera que isola Tello (sempre impecável a procurar as desmarcações de rutura) - e, claro está, a defesa do Sporting não recua rapidamente.

Era uma vez um repórter que fica parado no tempo, todos os dias a reviver o mesmo dia, até conseguir aprender com os seus erros. Não é que tenha sido um marco na história do cinema, mas o filme dos anos 90 "Groundhog Day", com Bill Murray, conta uma moral que o escritor George Bernard Shaw já tinha resumido numa frase: "Só os tontos repetem os mesmos comportamentos várias vezes esperando obter resultados diferentes". 

Com uma defesa sempre a repetir os mesmos erros (e em termos ofensivos o Sporting também foi praticamente inexistente na segunda parte - Fabiano não fez uma defesa), vai ser difícil obter resultados diferentes. Aos 'leões' resta a Taça de Portugal (meias-finais), na próxima quinta-feira, na Madeira, perante o Nacional. Porque agora são apenas dois a lutar pelo título: Benfica e FC Porto, com 59 e 55 pontos. Faltam 11 jornadas.