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Benfica. Uma vitória entre o boxe e a natação sincronizada

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Já lá vão dez golos de Jonas no campeonato

Steven Governo/Lusa

O que parecia difícil para o Benfica, depois do murro na mesa de Sérgio Conceição, tornou-se fácil, com a sincronização habitual na equipa de Jesus, que venceu por 2-0 numa Luz esgotada.

Quando Sérgio Conceição se estreou na 1ª Divisão, a 20 de agosto de 1995, já o Felgueiras de Jorge Jesus - igualmente estreante no principal campeonato português - levava 20 meses de imbatibilidade em casa. Seria a marca explicável pelo campo pequeno e pelo forte apoio dos adeptos ferrenhos do Felgueiras, como sugeriu então Jesus (atenção, uma versão modesta de Jesus - é sinal que isto foi mesmo há muito tempo) a Cecília Carmo, no velhinho "O Dia Seguinte" da RTP? 

Basta olhar para os registos atuais do Benfica na Luz para perceber que a marca de então do Felgueiras já é marca (registada) de Jesus. Quando Benfica e Sporting de Braga entraram hoje na Luz, a equipa de J.J. já levava 89 jogos consecutivos a marcar em casa (o último 'zero' aconteceu a 11 de abril de 2009, frente à Académica) e não sofria golos na Luz há oito jogos.

Só havia um registo a deixar os adeptos desconfiados: em três épocas, nas competições nacionais, a única vez que o Benfica perdeu na Luz aconteceu em dezembro do ano passado, perante o... Sporting de Braga de Sérgio Conceição.

O mesmo puto irreverente que Jesus lançou na 1ª e com quem chocava em Felgueiras (chegou a mandá-lo treinar com os juniores para acalmar os ânimos) engrossou a voz na antevisão do jogo e deu - literalmente - um murro na mesa porque houve quem sugerisse (Rui Gomes da Silva, 'vice' do Benfica) que o Braga tinha aparecido "mole" perante o FC Porto, na semana passada.

Campo pequeno é tourada

A coisa poderia ter dado para o torto, mas a verdade é que o Benfica nem chegou a deixar que o Braga conseguisse puxar o braço atrás para desferir um golpe que fosse. Com uma entrada forte, como já é habitual na Luz, a equipa de Jesus tentou chegar cedo ao golo e raramente permitiu que o Braga reagisse.

Quando o Benfica perdia a bola, os jogadores bracarenses eram rapidamente abafados pela forte reação da equipa de J. J. (elogio especial para Samaris neste aspecto), que tornava o campo pequeno (ou melhor, encurtava o campo, porque como disse J. J. um dia: "os holandeses [...] diziam 'campo grande' para dar amplitude ao jogo e 'campo pequeno' para pressionarem. Mas eu ainda hoje digo 'estica o campo'. Campo Grande é em Lisboa e Campo Pequeno é tourada").

Sempre juntos e com combinações ao primeiro e ao segundo toque, os jogadores do Benfica - no caso concreto Lima, Gaitán e Jonas - chegaram ao golo aos 21 minutos, com uma jogada que pareceu fácil. Lima mete em Gaitán e continua a correr, Gaitán parece que vai meter em Lima mas mete atrás em Jonas e Jonas mete dentro da baliza.

Fácil? Ou mais uma marca de Jesus? "Estás a ver aquelas nadadoras todas juntas na piscina, sempre sincronizadas? Era como isso, centenas de horas de treinos por trás para sair tudo como ele queria". Ele era, claro, Jesus, como explicou ao Expresso este fim de semana Rui Gregório, ex-jogador dessa equipa do Felgueiras.

O Braga nunca conseguiu sair com qualidade do colete de forças do Benfica e pior ficou quando Tiago Gomes foi expulso por acumulação de amarelos aos 59'. Pouco depois, Eliseu resolveu. Não ao murro, mas à bomba, com um remate fortíssimo à entrada da área. 2-0.

Não foi boxe nem natação: foi futebol. Daquele que vale a pena, porque leva 60 mil ao estádio. Amanhã, no Dragão, há mais (FC Porto-Arouca, 19h15, SportTV1).