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Benfica, queres primeiro as boas ou as más notícias?

Mário Cruz/Lusa

O Benfica terminou a sua pior campanha de sempre na Liga dos Campeões, mas houve um lado positivo: apareceram os tais jogadores que Jesus queria ganhar entre os habituais suplentes.

Há duas maneiras de olhar para o empate sem golos do Benfica com o Bayer Leverkusen, esta noite, na Luz. A primeira, menos simpática, é o que pode ser considerada uma má notícia, que se explica em grande medida com o grupo altamente nivelado em que a equipa ficou inserida nesta edição da Champions (o Mónaco de Leonardo Jardim acabou por ficar em 1.º e Bayer em 2.º): esta foi a pior marca de sempre do clube na competição, com apenas dois golos marcados e cinco pontos conquistados (até agora o pior tinha sido 2010/11, com seis pontos em seis jogos).     

Apresentadas as más notícias, passemos às boas notícias, contextualizadas pela boca de Jorge Jesus, na antevisão do jogo, ao explicar a poupança de alguns habituais titulares, pensando já no clássico contra o FC Porto: "Queremos que no final possamos dizer que valeu a pena e que temos mais quatro ou cinco jogadores para nos ajudar nas competições que temos pela frente em Portugal".     

Jesus disse e cumpriu: como o jogo já não contava para nada, houve revolução no onze. Artur, André Almeida, César, Lisandro, Benito, Cristante, Pizzi, Tiago-também-conhecido-por-Bebé, Ola John, Lima e Derley foram os escolhidos e houve quem surpreendesse pela positiva. "Quatro ou cinco jogadores" como JJ previa? Isso já é ser otimista demais.

Um ou dois jogadores. E... JJ

O primeiro a mostrar-se foi Ola John, com uma assistência pela esquerda para Lima - não o novo Lima, que marcou contra o Belenenses, mas o velho Lima, aquele que andou dois meses sem marcar - falhar com a baliza escancarada.

Do outro lado do campo, Tiago (aquele anteriormente conhecido como Bebé) mostrou por que razão ainda só tinha sido utilizado em quatro jogos esta época: muita força, alguma técnica mas apenas o mínimo de inteligência dificilmente lhe permitirão ter muitos mais minutos, porque o Benfica não é o Paços (onde havia muito mais espaço para explorar) e muitas vezes o melhor caminho para chegar à baliza não é em frente.

No meio, a(s) virtude(s). Com a saída iminente de Enzo Pérez para o Valência, Pizzi aproveitou para dizer presente, com muita segurança, e Cristante mostrou que é uma alternativa mais que válida para a posição seis. Na segunda parte, Talisca entrou e ainda assustou a Luz ao cair lesionado (lá se ia o clássico), mas a lesão foi mínima.

Mais atrás, Lisandro esteve mais destacado do que César, mostrando-se a voz de comando de uma defesa novinha em folha que, apesar da inexperiência, travou na perfeição - muitas vezes em inferioridade ou em igualdade numérica - as investidas do Bayer. E é aqui reside o verdadeiro "reforço" do Benfica, mesmo enfurecendo a Luz por não apostar nos jovens do Seixal (hoje houve alguns - bons - minutos de Nélson Oliveira, mas João Teixeira só jogou no final e Gonçalo Guedes nem saiu do banco).

Pode não haver Garay, Maxi, Sílvio, Fejsa, Matic, Enzo, Gaitán e Markovic (alguns dos titulares no último jogo do Benfica na Champions em 2013/2014, vitória por 2-1 perante o PSG), mas há sempre Jorge Jesus. Que se dá mal Champions, sim. Mas dá-se bem cá dentro. E tem um bicampeonato para ganhar. Domingo, às 20h, FC Porto-Benfica.