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Apito Dourado: Arguidos negam influência na classificação dos árbitros

Os arguidos Jorge Mendonça e Paulo Pita da Silva negaram ter tido influência na classificação dos árbitros em 2002/03 e 2003/04. Ambos são acusados no processo Apito Dourado.

Jorge Mendonça e Paulo Pita da Silva, dois dos 16 indiciados de alegada viciação de classificação de árbitros de futebol nas épocas de 2002/03 e 2003/04, processo no âmbito do Apito Dourado, negaram as acusações de influência. 

Os dois observadores foram ouvidos na segunda sessão do julgamento no Campus da Justiça, em Lisboa, e, quando confrontados com escutas telefónicas, refutaram que "não ligaram a nada do que disse" António Henriques, conselheiro do Conselho de Arbitragem (CA) de Federação Portuguesa de Futebol (FPF) presidido por Pinto de Sousa de 1998 a 2004. 

Relação direta entre telefonemas e classificação dos árbitros

No entanto, o tribunal estabeleceu uma relação direta entre as subidas e descidas de árbitros visados nos telefonemas entre António Henriques e os observadores Jorge Mendonça e Paulo Pita da Silva, entre os quais João Capela e Vasco Santos, que integram atualmente os quadros da Liga. 

Carlos Esteves, na altura dos factos vogal do CA da FPF e que neste momento preside ao órgão, também foi questionado sobre o sistema de classificação dos árbitros. 

O dirigente lembrou que, na qualidade de vogal do CA da FPF, perguntou pelos mapas de classificação dos árbitros no final da época de 2002/03 e que lhe disseram que havia fatores de correção e que "não estavam prontos".

"Quando regressei do café já estavam aprovados", garantiu Carlos Esteves em tribunal. 

Gilberto Madaíl não compareceu no tribunal

Para esta sessão estava programada a inquirição como testemunha de defesa de Gilberto Madail, mas o presidente da FPF não compareceu, apresentando atestado médico. 

Pinto de Sousa, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF de 1983 a 1989 e de 1998 a 2004, é um dos arguidos neste processo, acusado da prática de um total de 144 crimes, 115 de falsificação de documentos e 29 de falsificação de documentos na forma tentada. 

António Henriques, António Azevedo Duarte, Luís Nunes e Francisco Costa, conselheiros do órgão da FPF presidido por Pinto de Sousa de 1998 a 2004, também serão julgados no âmbito deste processo. 

Dezasseis indiciados

O responsável pela informática da FPF, Paulo Torrão Gonçalves, os observadores João Penicho, Paulo Pita da Silva, José Marques Mendonça, António Fernandes Resende e João Henriques e os árbitros Manuel Nabais, Manuel da Cunha, Joaquim Soares, Marco de Castro Santos e António Fernandes completam os arguidos.

O julgamento prossegue a 17 e 24 de fevereiro e a 03, 10, 17, 23 e 24 de março. 

Esta ação, em que o Ministério Público sustentou a acusação em provas periciais, foi originada pela certidão número 51 extraída do Apito Dourado, um processo judicial sobre eventual corrupção na arbitragem e no futebol profissional e outros crimes associados, uma investigação da equipa da procuradora adjunta Maria José Morgado.  

Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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O facto de a agência Lusa adoptar o Acordo Ortográfico, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

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