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A coragem do Porto, o medo arrogante do Bayern e a dor de cotovelo de Jesus

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FOTO ESTELA SILVA / LUSA

O Porto precisa de ser igual a si próprio, contra um Bayern cuja arrogância esconde medo, frente a um Guardiola rabugento. É assim que os colunistas falam da segunda mãos dos quartos de final, que milhões verão na TV. E Jorge Jesus, verá? Ou, como um colunista escreve hoje, está com dor de cotovelo?

"Um Dragão não treme", berra A Bola em primeira página. "O grande desafio", titula O Jogo. "Não mãos do Dragão", titula o Record. "Pede-se dragão com coragem", roga o Jornal de Notícias. O Bayern de Munique - FC Porto desta noite marca as primeiras páginas dos jornais - e as colunas de opinião dos desportivos.



Depois da vitória portuguesa por 3-1 na primeira mão, no Porto, "o sucesso do Bayern já não é uma evidência, mas uma mera hipótese, cujas probabilidades são, agora, claramente repartidas", escreve Vítor Serpa na última página de A Bola. "É, pois, importante que, durante o jogo, o FC Porto mantenha a firmeza de caráter e de personalidade que demonstrou no Dragão."



Este é o tom dominante em várias colunas. Também em A Bola, Miguel Sousa Tavares não tem dúvidas sobre a qualidade da equipa de que é adepto: "Como se viu no Dragão, o FC Porto é uma equipa de Champions". Sousa Tavares está ralado com a ausência dos dois laterais titulares do Porto. Mas põe as suas preocupações sobretudo em dois outros aspetos de que, segundo escreve, o jogo vai depender do lado do Porto: "não cometer erros individuais determinantes, tão comuns nestes jogos, e não ser vítima de uma arbitragem enfeudada aos interesses da particular conceção de fair play desportivo do senhor Platini".



No Record, António Magalhães diz que "o Porto é uma espécie de infiltrado entre os milionários da Champions". E tem sobretudo "de focalizar-se unicamente no embate e desvalorizar os mind games muito característicos em palcos de audiências brutais", escreve o diretor do Record.





"Os infiltrados"

António Magalhães refere-se à suposta denúncia (já desmentida por Lopetegui) de que Jackson Martinez teria jogado na primeira mão no Porto com infiltrações. Fernando Guerra escreve em A Bola que a referência de Guardiola é "jogo baixo": "Além de tola e deselegante, indicia que o Bayern está na disposição de utilizar todos os estratagemas para se manter na Champions".



Carlos Machado relembra n' O Jogo que Guardiola "passou pelo Dragão como um raio": antes do jogo protestou com os tratadores de relva, a quem chamou de dorminhocos, e queixou-se à UEFA da rega; depois de perder o jogo "carregou sobre os médicos do Bayern e o responsável clínico bateu com a porta, depois de 38 anos ao serviço do clube"; ontem acusou o Porto de ter usado Jackson infiltrado. "Com ar mais ou menos polido, vestindo fato de marca ou equipamento de treino, a sorrir ou a espumar, os grandes treinadores são assim: miudinhos, rabugentos, invejosos, incapazes de aceitar que não foram enganados".



Carlos Machado considera que "não é importante se Jackson foi ou não sujeito a uma infiltração para poder jogar. Ao contrário da carga negativa, passível de fácil distorção e até maldosamente associável a ilícito, mesmo que tenha acontecido - Lopetegui nega -, só pode ser motivo de elogio. Significará para o FC Porto que volta a ter um verdadeiro capitão e equipa, alguém capaz de pôr os interesses do grupo acima dos próprios."





Bayern com medo

Para António Magalhães, "Guardiola tem razões para desconfiar do FC Porto. Os alemães estão tensos", escreve no Record. N' A Bola, Vítor Serpa acrescenta que o Bayern está arrogante porque tem medo: "O Bayern está com muito medo de não ser capaz de virar a eliminatória e de perder a passagem às meias finais no seu estádio, perante o seu público, e, pior de tudo, derrotado por um adversário que desde sempre desvalorizou. É um medo mascarado de arrogância, mas é medo."



Carlos Machado concretiza n' O Jogo: "O Bayern vai retaliar. No Dragão jogou com seis campeões do mundo e hoje pode ter pelo menos mais um. Lopetegui precisa de nova infiltração, seja ela tática ou anímica".



No Record, Nuno Santos liga o jogo de hoje ao Benfica-Porto do próximo domingo: "No encontro de hoje à noite também se joga o título português, porque o FC Porto semifinalista da Champions entrará na Luz com espírito vencedor".





E Jesus, verá?

O jogo de hoje deverá ser campeão de audiências televisivas, assim como aconteceu na primeira mão. Jorge Jesus, treinador do Benfica, disse então não ter visto o jogo. Miguel Sousa Tavares a escreve hoje em A Bola que não acredita que Jesus não tenha visto o jogo, até porque, diz, seria incompetência não ver um jogo do adversário com que vai jogar poucos dias depois. A declaração de Jesus, escreve Miguel Sousa Tavares, "tem apenas a ver com dor de cotovelo, com a mais lusa e rasteira inveja".



Os jornais de hoje têm ainda depoimentos de vários antigos jogadores. Assim faz por exemplo o Jornal de Notícias, onde as antigas estrelas do FC Porto Jorge Costa e Jaime Magalhães desejam, respetivamente, aos jogadores que "sejam iguais a vós próprios" e que "é preciso aguentar os primeiros 20 minutos. Vai ser difícil, mas é possível passar".



O Bayern-Porto joga-se em Munique às 19:45, hora de Lisboa. A transmissão televisiva é na TVI. O vencedor qualifica-se para as meias finais da Champions.