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Árbitro espanhol que declarou ser homossexual recebeu ameaças de morte

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Jesús Tomillero/Twitter

Desistiu da arbitragem em maio, mas voltou. No passado fim-de-semana, o árbitro de 21 anos voltou a ser alvo de ataques verbais por causa da sua sexualidade. Parou o jogo e obrigou o autor dos insultos a retirar-se. Mas o pior veio depois

"Um sonho que tenho desde os 10 anos e que pouco a pouco se está a desfazer", revela Jesús Tomillero, árbitro espanhol, na sua página do Twitter, depois de no passado sábado ter sofrido comentários homofóbicos feitos por um adepto, que disse que deveria abandonar o encontro por ser gay.

O incidente ocorreu durante o jogo entre o CD La Salle e o Atlético Zabal e foi o ponto de partida para as ameaças de morte que Tomillero veio a receber nos dias seguintes, nas redes sociais, depois de ter anunciado que ia fazer queixa deste adepto.

Algumas das mensagens referiam que o jovem árbitro “não tinha muito tempo de vida” e para “se preparar para o que estava para vir”. Uma das mensagens tinha inclusive uma imagem de uma pistola e balas com a descrição “não tens muito tempo para viver, maricas”.

As ameaças provocaram um ataque de ansiedade a Tomillero que, em choque, chamou um táxi e foi à polícia. Segundo o árbitro, a polícia está a investigar o caso a nível nacional. “Há polícias a vigiar a minha casa 24 horas por dia, mas mesmo assim estou assustado e não sei o que poderá acontecer”, admitiu.

Jesús Tomillero tinha decidido abandonar a arbitragem em maio porque já não aguentava mais os insultos dos adeptos de futebol em relação à sua homossexualidade. Segundo o árbitro, “ia para os encontros com medo e isso não podia ser”.

Mas apesar das ameaças, Tomillero, que foi o primeiro árbitro espanhol que admitiu ser gay, não quer voltar a deixar de fazer o que mais gosta.