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Taarabt: “No Benfica, o que os lixa é terem de pagar um salário como o meu”

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Numa entrevista à France Football, o jogador do Benfica diz o que pensa de Vieira, de Vitória, do clube e do futebol português

Adel Taarabt tem um número interessante e redondo como ele no Benfica: zero. Zero remates. Zero faltas cometidas. Zero faltas sofridas. Zero assistências. Zero golos. Zero minutos jogados. O marroquino que os encarnados foram buscar ao AC Milan, lá está, a custo zero - por zero entendam-se os €3 milhões do prémio de assinatura e os €2,3 milhões de salário por ano que podem ser €14 milhões mediante prémios - foi um dos flops do mercado e ele sabe disso. Todos nós sabemos disso. Numa entrevista à France Football, o médio diz que a culpa é dele, porque chegou com quilinhos a mais à Luz, mas que não é só dele.

O peso

“Quando cheguei, o Jorge Jesus foi para o Sporting e chegou um novo treinador e eu não entrei nos planos dele. Treinei, treinei, e ele nunca me deu hipóteses de jogar. Nem nos jogos amigáveis! Como não era um jogador que ele tinha escolhido... Um mês depois, falei com o presidente e ele próprio encarregou outros jogadores de saber se eu treinava bem ou mal. Acabei por pedir uma reunião com o treinador e o presidente, e o treinador disse-me: ‘És um dos três melhores futebolistas’. Mas insistiu na minha forma física. A verdade é que cheguei com oito quilos a mais, mas três semanas depois o meu peso estava normalizado. O presidente disse ao treinador que eu tinha o terceiro salário mais alto, ao que o treinador respondeu que a equipa era dele e que não me queria lá. Cometi o erro de chegar com quilos a mais. Hoje, eles estão lixados por terem de pagar um salário como o meu”.

As noitadas

“Quando estava em Inglaterra, havia folga depois do dia de jogo. Portanto, num domingo à noite, em Portugal... Eu não sou casado, não tenho filhos, estava com dois amigos e disse-se que eu tinha ido para a noite. Sim, mas foi apenas até à uma da manhã. Foi o suficiente para me apanharem numa fotografia, o Taarabt com o seu Ferrari, etc. É outra mentalidade. Em Portugal, os gajos acham que é trabalho-casa-trabalho-casa”.

E agora?

“Há dias, o presidente falou comigo e disse-me que estava orgulhoso de mim, que estava com um bom peso, que era um tipo sério. Mas ainda tenho quatro anos de contrato! Disse-lhe que não queria ir para China, porque tenho paixão pelo futebol. Pedi-lhe para ir para França, porque não?, fazer uma época para me relançar. Nunca passei por uma época assim. Estou cá há um ano, mas parecem seis. Não jogar deixa-me louco. Pela primeira vez, desde os 17 anos, os meus pais estão a viver comigo. E como era seguido por todo o lado, o meu pai aconselhou-me a deixar a casa e ir para um hotel. Foi o que fiz durante seis meses”.