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Volta, Curry, sentimos a tua falta

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Stephen Curry tem 28 anos e é a estrela dos Golden State Warriors

Ezra Shaw/Getty

Os EUA têm esta noite, frente à Austrália (23h, RTP1), o primeiro teste mais a sério no torneio olímpico de basquetebol. Só é pena não poderem contar com o incrível Stephen Curry, que ficou em casa a recuperar do excesso de esforço

Nos Jogos Olímpicos, os EUA não brincam. Especialmente no basquetebol, no qual já ganharam 14 medalhas de ouro em 17 participações. Ainda assim, não chegam ao Brasil suficientemente satisfeitos. É que isto do primeiro lugar do pódio é coisa que os americanos levam muito a sério.

Conhecida como “dream team” - em português, “equipa de sonho” - a seleção americana terá esta noite pela frente a seleção australiana, com a qual se tem batido lado a lado, no grupo A da competição. Não que os americanos tenham medo de defrontar a Austrália, especialmente depois de duas vitórias sobre China e Venezuela, mas seria tudo tão mais fácil se contassem com a sua estrela do momento. Sim, estamos a falar de Stephen Curry (quem mais poderia ser? Bom, LeBron James também não foi ao Rio).

É pena que um dos jogadores mais talentosos da história do basquetebol - que, quando era miúdo, não tenha recebeu nenhuma oferta de bolsa de estudos; onde andariam os "olhos" dos olheiros? - não esteja no Rio, mas Curry foi impedido de viajar pelas recentes lesões nos joelhos e tornozelos. “O meu joelho está bem, não precisa de ser operado, mas tenho de poupá-lo e voltar aos poucos”, explicou o jogador norte-americano antes do início da competição.

“Não estou feliz com a situação de não participar nos Jogos,” lamentou o jogador de 28 anos, que nunca esteve num torneio olímpico. “Quem me dera estar apto para jogar. Estava ansioso por isso”.

Não só é pena para o jogador e para os adeptos, que queriam vê-lo, mas também para a seleção. É que Curry já sabe desde 2007 o que é ganhar pelos EUA, porque foi com ele que a equipa levou para casa a medalha de prata no Campeonato Mundial de Sub-19.

Depois, em 2010, ano de estreia de Curry nos seniores, no campeonato do mundo de basquetebol, o ouro foi conquistado, tal como em 2014, quando, na final, Curry marcou 10 pontos importantes.

Mais uma vez, e agora em 2016, os americanos esperavam que Curry ajudasse, mas ainda não foi desta que participou nos Jogos Olímpicos.

David Ramos/Getty

Filho do ex-jogador da NBA, Dell Curry, Stephen ainda não era nascido e já tinha o basquetebol no sangue, pelo que não é de estranhar que, no início dos anos 90, quando já caminhava, ia com o irmão Seth (também ele deu jogador profissional) a todos os jogos do pai, para tentar encestar nos intervalos.

Contudo, se pensa que uma ajudinha do pai foi suficiente para o sucesso da vedeta americana, está mais do que enganado. Passou por vários clubes, mas na altura de o escolherem para as escolas mais prestigiadas, simplesmente ninguém o quis.

No mundo do basquetebol, Stephen Curry não era propriamente atraente. Não conseguia cativar ninguém. Franzino, leve e pequenino, não conseguiu que nenhum clube importante se apaixonasse por ele, ainda por cima quando havia tantas escolhas com mais poderio físico ( e com mais de 1,91 m).

O seu primeiro amor não correspondido foi pelos Hokies, e como conseguiram partir o coração do jogador. Mas há quem diga que só se consegue esquecer um amor com outro, e foi exatamente assim que apareceu a universidade de Davidson na vida de Steph. Foi lá que começou a mostrar resultados e a evidenciar cada vez mais o seu talento. Infelizmente para os Hokies, só mais tarde se aperceberam daquilo que tinham perdido.

A relação de longa data com a universidade de Davidson começou a sufocá-lo e a limitá-lo. Um pouco a medo, os Golden State Warriors começaram a reparar em Curry e foram aproximando-se lentamente. Estreou-se em 2009 e os números recorde na vida da estrela de NBA começaram a aparecer: triplos que nunca mais acabavam, um título com os Warriors, e o prémio de jogador mais valioso de NBA.

“Vivo um momento tão especial e único que não tenho palavras para descrevê-lo”, disse então. Mas não ficou por ali e foi eleito pela 2ª vez consecutiva o jogador mais valioso - e o primeiro a ganhar o prémio de forma unânime.

Apaixonado pelo basquete, apaixonado por tatuagens (“love never dies” é a frase que tem tatuada no braço e no "coração" - realmente amores e desamores fazem parte da sua história) e apaixonado por Ayesha, com quem tem duas filhas, Riley e Ryan, o jogador provou a todos que não se deve julgar o livro pela capa.

Apesar de ainda não ter alcançado a popularidade de Michael Jordan, já se tornou num dos jogadores mais lucrativos da liga e é considerado um dos melhores jogadores da história do basquetebol. Infelizmente, não poderemos vê-lo a ajudar a conquistar o mais que provável ouro nos Jogos Olímpicos. Ficamos à espera de 2020.