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Pedro Barbosa explica por que razão Rui Jorge é tão especial

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As seleções de Rui Jorge têm encantado os portugueses (e os brasileiros, a bem dizer)

INÁCIO ROSA/LUSA

O Expresso falou com Pedro Barbosa, que foi colega de Rui Jorge no Sporting e na seleção, para tentar perceber como é que o selecionador olímpico pôs Portugal a jogar um futebol que não tem nada de “surreal” (ao contrário da convocatória). Isto depois de já ter feito tanto com os sub21. Vem aí a Argélia na terceira jornada da fase de grupos do torneio olímpico (esta tarde, 17h, RTP1)

O Rui Jorge alguma vez lhe disse que queria ser treinador?
Essas questões não são faladas entre nós enquanto jogadores, são coisas que acontecem naturalmente. Quando ele acabou a carreira, já no Belenenses, teve a oportunidade de pegar na equipa dos juniores do Belenenses e as coisas começaram bem desde aí.

Em termos de personalidade, os colegas da altura viam nele um futuro treinador?
É uma pessoa de forte personalidade, com grande carácter, e as coisas estão a correr-lhe bem. Ele tem demonstrado, ainda no seu curto percurso enquanto treinador, que é uma pessoa de grande carácter e que o papel de líder lhe fica muito bem.

O Rui parece ser uma pessoa muito calma, muito ponderada. Ele era assim tão calmo enquanto jogador?
Ele é isso mesmo. Por vezes as coisas não lhe correm tão bem e ele, como é uma pessoa que sempre teve uma enorme vontade de ganhar, demonstra sempre essa vontade de ganhar. Agora como treinador tem apresentado uma personalidade serena, tranquila. O discurso desde que está à frente da seleção é um discurso ponderado, assertivo e privilegia sempre a equipa. O Rui sempre foi uma pessoa muito correta com toda a gente e isso vê-se no trato com os jornalistas nas conferências de imprensa.

E com os jogadores, ele também é assim tão calmo ou às vezes é preciso ser um pouco mais agressivo?
Acontece que há momentos em que as coisas não são tão calmas como possam parecer e, como tal, nesses momentos também é necessário mostrar um pouco mais de agressividade, alertar os jogadores. Agora, sei que o Rui gosta de uma postura de conversas francas e honestas com os jogadores e o respeito é conquistado dessa maneira.

Pedro Barbosa recebeu Rui Jorge no Sporting, em 1998/99, e foram colegas de equipa até 2004/05, quando o lateral-esquerdo se mudou para o Belenenses

Pedro Barbosa recebeu Rui Jorge no Sporting, em 1998/99, e foram colegas de equipa até 2004/05, quando o lateral-esquerdo se mudou para o Belenenses

Ana Baião

O Rui Jorge tem feito um trabalho fantástico à frente da seleção sub21. Classificações quase perfeitas, uma final de um Europeu e agora esta seleção olímpica, que começou como se sabe. Ou seja, as equipas vão mudando mas os resultados são os mesmos. Há muita influência do Rui Jorge nestas campanhas?
Sem dúvida. Acho que o Rui tem tido um papel importantíssimo na liderança dos sub21 e no alcançar dos resultados que têm sido muito positivos. Já vai na terceira geração de sub21 e os resultados têm vindo a melhorar. Falhou a primeira classificação por um golo. Mas depois tem sido o que todos sabemos. Já conseguiu duas classificações só com vitórias. E até mesmo esta seleção que está presente nos Jogos não é aquela que conseguiu a classificação. Como tal, o trabalho do Rui tem sido determinante e fundamental e há, para mim, uma característica que é muito importante, até porque o conheço bem - sei o quanto ele privilegia a equipa e consegue fazer com que os jogadores acreditem nos objetivos, independentemente do que se passa à volta do grupo. Falamos de quatro equipas e todas vitoriosas. O grande mérito do Rui é esse: trabalhou com quatro gerações e, independentemente do talento, se é maior ou menor, tem conseguido apresentar resultados e, mais do que isso, dá um cunho muito pessoal às suas equipas.

O Rui chegou ao Sporting proveniente do FC Porto. Qual foi a primeira reação perante o grupo? Ou vocês não ligam a isso?
Ele é um ganhador, tinha uma carreira brilhante. Vinha já com uma carreira recheada de títulos e era um jogador que trazia muita qualidade. Ficámos contentes por tê-lo ali do nosso lado. Ele foi até há bem pouco tempo o lateral-esquerdo com mais jogos pela seleção. Não sei se ainda é. Mas isso é demonstrativo da sua qualidade. E isso eram garantias para nós.

Acha que o Rui Jorge está preparado para assumir outros cargos?
O Rui está num processo evolutivo, passou dos juniores do Belenenses para os sub21 na Federação Portuguesa de Futebol e as coisas têm corrido bem. A questão não é se está preparado, porque está há muito tempo e é uma questão que depende dele. Agora, julgo que ele está feliz neste momento e está a fazer o que quer.

Artigo publicado na edição do Expresso Diário de 09/08/2016