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Acabou a Liga dos Campeões para todos

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Harold Cunningham

É possível a Liga dos Campeões ser mais elitista? É, com a nova Superliga dos Campeões. O objetivo é aumentar o nível da competição com maior presença de equipas históricas (ricas?). Em Portugal, este novo formato promete dar que falar. Saiba porquê

Um dia, Michel Platini teve um sonho: dar a oportunidade a clubes campeões (de menor reputação) de participarem na maior prova de clubes da Europa. Entre 32 participantes, pelo menos 18 tinham de ser campeões nos respetivos países.

Ano após ano, assistiu-se a um conjunto de equipas de ligas menos mediáticas a debutarem na Liga nos Campeões: recorde-se os eslovenos do Maribor e os cazaques do Astana, que defrontaram Sporting e Benfica, respetivamente.

Tudo parecia bem com a ideia mais democrática (e meritocrática), mas... As televisões terão sofrido com isso e a bilhética também, porque o interesse do público caiu. A enorme quantidade de jogos entre equipas de segunda e até mesmo terceira linha retirou algum do glamour (dinheiro?) à competição.

Platini entretanto saiu de cena - ou melhor, foi empurrado para fora de cena - e um princípio de acordo para mudar a situação, a partir da época 2018/2019, parece já ter sido alcançado entre a UEFA e a ECA (Associação Europeia de Clubes), segundo o jornal espanhol “Mundo Deportivo”.

Na prática, o que é que vai acontecer se esta ideia for para a frente? As ligas inglesa, espanhola, alemã e italiana (as melhores do ranking europeu, portanto) terão sempre - ênfase no sempre - quatro equipas com presença garantida: as três primeiras classificadas da liga e uma quarta baseada no percurso histórico na Liga dos Campeões. E é aqui que está a maior novidade.

O melhor exemplo para esta vaga “histórica” é o Manchester United, que no ano passado falhou a qualificação direta (ficou em 5º lugar no campeonato inglês), mas sendo um dos clubes europeus com mais presenças na prova maior da UEFA, seria o tal quarto clube a garantir presença depois dos três primeiros classificados, caindo o 4º classificado do campeonato, neste caso o Manchester City.

Estes rapazes de Manchester estão habituados a estar na Liga dos Campeões, por isso podem ter uma "cunha" nas próximas edições

Estes rapazes de Manchester estão habituados a estar na Liga dos Campeões, por isso podem ter uma "cunha" nas próximas edições

Alex Livesey/Getty

Segundo este modelo, Portugal - por estar numa parte intermédia do ranking, com França e Rússia - colocaria diretamente dois clubes na fase de grupos, o campeão e um segundo clube. A questão está na qualificação deste segundo clube: seria o 2º classificado do campeonato ou um clube com mais “méritos históricos”?

O “Mundo Deportivo” diz que poderia ser o Sporting ou o FC Porto - o Sporting teve mais mérito desportivo, uma vez que ficou em 2º lugar do campeonato, mas se a base for os tais “méritos históricos”, o clube fica obrigado a ser campeão para ter garantida participação na Liga dos Campeões, porque tanto FC Porto como Benfica têm mais presenças que o clube de Alvalade.

As ligas francesa e russa colocariam também dois clubes na prova e as seguintes federações no ranking colocariam uma equipa cada uma. Os últimos cinco lugares disponíveis seriam disputados pelas federações de menor classificação no ranking através de eliminatórias.