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Papa escreveu carta de apoio à seleção de refugiados

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A equipa na cerimónia de abertura dos jogos Olímpicos, na passada sexta-feira

PEDRO UGARTE/ Getty Images

A equipa olímpica de refugiados é composta por dez atletas. Todos eles trazem na bagagem um passado difícil marcado pela guerra. Natação, atletismo e judo são as modalidades em que participam

Que a vossa história sirva de “clamor pela paz e solidariedade”. Numa carta enviada a 26 de julho, mas só este fim de semana tornada pública, Francisco fez desejos de boa sorte aos dez atletas que compõeM a Equipa Olímpica de Refugiados.

“A vossa experiência serve como testemunho e beneficia-nos a todos”, lê-se no texto, citado pela RÁdio Vaticano. “Estendo as minhas saudações e desejos de sucesso nos Jogos Olímpicos do Rio.”

Foi no final de janeiro que o Comité Olímpico Internacional anunciou a criação de uma delegação de refugiados para competir no Rio. Na altura, o presidente do organismo, Thomas Bach, considerava que a decisão enviaria uma mensagem de esperança e confiança aos cerca de 60 milhões de refugiados por todo o mundo.

Quem são os atletas?

Yusra Mardini tem 18 anos. Há um ano, juntamente com a irmã, deixou a Síria, após a sua casa ter sido destruída. Primeiro rumou para o Líbano e depois chegou à Turquia, onde apanhou um barco para a Grécia.

Num percurso que é atravessado por milhares de pessoas que tentam procurar refúgio na Europa, a embarcação começou a meter água e Yusra Mardini teve de recorrer aos conhecimentos na natação para se salvar. “Pensei que seria uma vergonha se me afogasse no mar, porque na realidade sou uma nadadora”, referiu a atleta olímpica, citada pela CNN.

Em 2012, representou o seu país nos mundiais de natação. Atualmente vive e treina na Alemanha.

Também no mundo das piscinas está Rami Anis, 25 anos. A sua participação era esperada nos Olímpicos de Londres em 2012, mas a vida trocou-lhe as voltas. Com a guerra civil e os constantes bombardeamentos em Alepo, de onde é natural, viu-se forçado a fugir para a Turquia.

Conseguiu chegar à Bélgica. É lá que vive e onde lhe foi aceite o pedido de asilo. “Estou orgulhoso da participação pela Equipa Olímpica de Refugiados. Obviamente, penso na minha terra, a Síria, e espero que quando chegar Tóquio, em 2020, não existam refugiados”, disse aos jornalistas o nadador, citado pela CNN.

Yiech Pur Biel, James Chiengjiek, Paulo Lokoro, Anjelina Nadai Lohalith, Rose Lokonyen têm mais em comum do que serem refugiados e atletas olímpicos. Os cinco praticam atletismo e foram descobertos no campo de refugiados de Kakuma, no Sudão do Sul, onde se realizaram provas para captação de talentos.

Yiech Pur Biel, hoje com 21 anos, viveu no campo durante dez anos. E apesar de nem sapatos ter, conseguiu chamar a atenção da Tegla Loroupe Peace Foundation, a organização responsável pelo recrutamento. Vai correr na prova dos 800 metros. James Chiengjiek, que terá pelo menos 28 anos e que fugiu para não se tornar uma criança-soldado, correrá os 400 metros. Já Paulo Lokoro, 24 anos, competirá nos 1500 metros.

Anjelina Nadai Lohalith, 21 anos, vai estar na linha de partida para os 1500 metros femininos. Nos 800 metros femininos, a delegação dos refugiados estará representada por Rose Lokonyen, 23 anos.

Yonas Kinde é o atleta mais velho da equipa. Com 36 anos, saiu da Etiópia e em 2012 chegou ao Luxemburgo. Vai disputar a maratona. “Esta oportunidade é especial para mim. Já ganhei muitas corridas mas não tenho uma nacionalidade para representar.”

Os últimos dois elementos são originários do Congo. Em 2013, Yolande Mabika, 28 anos, e Popole Misenga, 24 anos, deslocaram-se para o Brasil em representação do seu país nos mundiais de judo. Decidiram aproveitar a viagem para fugir dos maus-tratos de que diziam sofrer por parte dos treinadores. Construíram uma nova vida no Brasil. “Quero ganhar uma medalha e inspirar os refugiados de todo o mundo”, afirmou Misenga.