Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Supertaça: Meu odiado mês de agosto

  • 333

Entre Europeu e Jogos Olímpicos, o início da época futebolística portuguesa de 2016/17 passou despercebido. Mas isso muda já este domingo

Estávamos em 2005 quando um miúdo nigeriano desconhecido impressionou José Mourinho e convenceu-o a contratá-lo, mesmo depois de já ter assinado pelo Manchester United, numa trapalhada que teve de ser resolvida judicialmente. Foi assim que, desde 2006/07, nos habituámos a ver John Obi Mikel no meio-campo do Chelsea. Até hoje. É que o 12 dos ‘blues’, que tem na camisola ‘Mikel’, decidiu aproveitar esta pré-época para repor a verdade dos factos: não se chama John Obi Mikel. Foi a federação nigeriana que, no Mundial sub-17, em 2003, se enganou a inscrever/escrever John Michael Nchekwube Obinna, fazendo nascer John Obi Mikel. Mas John — John ele garante que é — decidiu agora acertar o erro e mudar legalmente o nome para... Mikel John Obi.

Confuso? Um bocado (talvez o mestre Yoda consiga perceber). Mas a verdade é que esta história desopilante foi das poucas coisas emocionantes da pré-época futebolística de 2016/17 (nem a novela Pogba desata), que esteve quase sempre em segundo plano devido à disputa do Europeu em França (aproveitemos esta ocasião para recordar que os nossos rapazes são os maiores) e dos JO no Brasil.

É neste estado entre o desapego e a nostalgia que voltamos a entrar no futebol português, versão 2016/17 (ainda que Arouca e Rio Ave já tenham disputado a 3ª pré-eliminatória da Liga Europa; os primeiros com sucesso, eliminando os holandeses do Heracles — segue-se o Olympiakos —, os segundos nem tanto, perdendo para os checos do Slavia de Praga), amanhã, com o troféu mais importante dos menos importantes: a Supertaça Cândido de Oliveira.

O novo Benfica e o velho Braga

Se o leitor ainda se lembra da Supertaça de 2015, tem uma memória louvável (ou é sportinguista), mas, para os restantes, recordemos aquele primeiro Benfica de Rui Vitória que foi derrotado pelo Sporting de Jorge Jesus: Júlio César, Sílvio, Lisandro, Jardel, Semedo, Fejsa, Samaris, Talisca, Gaitán, Ola John e Jonas. Começou mal e, daí para cá, alguns deles desapareceram do onze base — Sílvio, Semedo, Talisca e Ola John —, mas tudo acabou bem para Vitória, com as entradas de Almeida, Renato, Pizzi e Mitroglou.

Com uma organização defensiva forte, baseada na proximidade dos sectores e na profundidade (quase sempre bem controlada) da linha da defesa, o Benfica melhorou a olhos vistos com o decorrer da época e também teve a felicidade de contar com um rapaz que, em meia dúzia de meses, levou tudo à frente até chegar a Munique: Renato Sanches. É o ‘oito’ que mais vai fazer falta ao (novo) Benfica de Vitória, ainda que o reforço André Horta, proveniente do Vitória de Setúbal, tenha estado em bom plano na pré-época, demonstrando uma qualidade técnica claramente acima da média. Ele e Franco Cervi, o extremo que veio substituir o outro argentino que brilhava no corredor e foi para Madrid: Gaitán. Extremos são, aliás, o que não falta ao Benfica: além de Cervi (de longe o mais desequilibrador), há Carrillo, Benítez, Salvio, Carcela, Pizzi e Guedes (que tem sido usado a avançado). Ou seja, em breve alguém terá de sair.

O mesmo acontece em Braga, onde António Salvador dificilmente conseguirá segurar o extremo Rafa (pretendido pelo Benfica) e o central Boly (pretendido pelo FC Porto). Ambos serão utilizados amanhã por José Peseiro, treinador que voltou à casa onde já tinha sido feliz em 2012/13 e que não dará continuidade ao 4-4-2 de Paulo Fonseca, ainda que mantenha um onze semelhante. As diferenças estão nas saídas do incansável Luiz Carlos (para o Al-Ahli Jeddah, da Arábia Saudita) e do portista Josué e do benfiquista Rui Fonte, dois “excelentes jogadores” que Salvador já disse pretender que regressem a Braga, onde estiveram emprestados na época passada. O único reforço que deve entrar no onze é Pedro Tiba, médio que se destacou em Braga com Sérgio Conceição mas esteve emprestado na época passada ao Valladolid.

O outro reforço que vai estrear-se na Supertaça é o videoárbitro, que será testado pela primeira vez em Portugal, ainda que em off, ou seja, sem contacto com o árbitro principal. A simulação será realizada por Jorge Sousa, que estará essencialmente atento a quatro situações (penáltis, validação de golos, expulsões e identificação de jogadores), contactando depois João Ferreira, vice-presidente do Conselho de Arbitragem, que estará a fingir ser o árbitro do jogo. Mais a sério estarão Benfica e Braga, mesmo sabendo que a época, afinal, só começa verdadeiramente em setembro. Quando o mercado de transferências fechar.