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Cinco perguntas a Joaquim Gomes: foi um temporal que nos tirou a etapa da Torre

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STEVEN GOVERNO / Lusa

Volta a Portugal arranca esta quarta-feira. Joaquim Gomes justifica a ausência de um final de etapa no topo da Serra da Estrela. Numa curta conversa com o Expresso, o diretor da corrida fala ainda sobre os favoritos e o regresso de dois grandes clubes à estrada

O FC Porto e o Sporting regressam à Volta a Portugal. Por um lado, traz mais gente à estrada, mas não acha que pode ser prejudicial num futuro próximo se o FC Porto e o Sporting deixarem o ciclismo? Um pouco como aconteceu com o Benfica quando apareceu e desapareceu e deixou um vazio na modalidade.
Não me posso preocupar com essa questão. Como se costuma dizer: enquanto o pau vai e vem folgam-me as costas. Mais vale voltarem do que não estarem presentes de todo. É uma situação na qual não me posso envolver, passa pela decisão dos envolvidos. Quem sabe se este regresso não significa também que o Benfica volte à estrada. Um bom desempenho de Sporting e FC Porto pode, de certa, forma atrair os responsáveis do Benfica. Como conhecedor da história dos três grandes é sabido que o ciclismo tem papel importante na história dos clubes - não é por acaso que no símbolo do Benfica a águia esteja em cima de uma roda de bicicleta e não de uma bola de futebol. Agora, é verdade que podemos dizer que não é um regresso consolidado, mas quem sabe se um bom desempenho não possa alterar a forma como são encaradas as posições.

O Joaquim Gomes afirmou há um ano que as capas de jornais estavam cheias de azeiteiros (futebolistas). O que acha que tem que ser feito para que isso mude? Acha que a entrada do Sporting e do Porto pode ajudar a mudar um pouco esse paradigma?
Queria primeiro retratar-me e assumir que não me revejo nesse tipo de comentário. Estava imenso calor, e também no calor da situação fui levado a usar essa expressão na qual não me revejo. No que diz respeito ao regresso dos dois grandes clubes à estrada é notório que esse fenómeno esteja já a ser identificado. E, obviamente, é muito bom que assim seja. Como deve calcular, a ausência do ciclismo nos jornais desportivos só agudiza mais a dificuldade em abraçar novos apoios. A pressão que é ter que ganhar a Volta a Portugal para que se possa continuar com os projetos para cumprir com o resto do calendário é enorme.

O ciclista Joni Brandão disse que sem a chegada ao alto da Torre dificilmente um português ganhará a prova. O que vale uma Volta a Portugal sem um final de etapa na Torre? E porque é que a Volta não passa na Torre? É uma questão de dinheiro?
Olhe em relação a essa questão posso responder da seguinte forma: as duas Voltas que ganhei não tinham chegada ao alto da Torre. Por outro lado, nas últimas edições em que houve um final na Torre apenas um português venceu a prova, o Ricardo Mestre. Como tal, não me parece que seja por aí. Quanto ao resto… O que acontece é que está monitorizado que, de três em três anos, haja a ocorrência de um temporal na Torre o que provoca o anulamento de uma etapa. Uma vez que já só temos 10 etapas isso significaria reduzir a prova em 10%. Posso-lhe dizer, que se bem me recordo, foi em 2010 na etapa Idanha-a-Nova - Torre houve um incêndio e o mais fácil era anular a etapa. Mas nós conseguimos em cima da hora alterar o percurso - mas não há garantia que se possa fazer sempre. Não se pode anular etapas.

Não há a mítica chegada à Torre mas há uma novidade: o salto de Fafe, etapa em terra batida. O que esperar da etapa em terra batida? E como se prepara um ciclista para isso?
Não há preparação especial. Posso-lhe dizer que na noite que antecede a etapa vão regar o terreno para que não levante poeira. Não vai ficar em lama, e vai estar um terreno liso. Haverá apoio neutro e as equipas estão autorizadas também a apoiar os seus ciclistas.

Quem são os grandes candidatos a vencer esta Volta a Portugal? Acha possível um ciclista português vencer esta Volta a Portugal?
Um português? Era bom que assim fosse, mas parece-me díficil. Mas poderia apostar no Rafael Reis da equipa W52-FC Porto. Pode vir a ser uma surpresa. Ele tem 23 anos, eu também tinha 23 quando ganhei a minha primeira volta. Pode ser a surpresa. Mas parece-me que, por exemplo o seu colega de equipa o Gustavo Veloso possa ser o principal favorito. Tem uma equipa bastante forte atrás de si. Parece-me também que seja o corredor mais completo. É bom em montanha, é igualmente forte em contra-relógio e julgo que só se acontecer algo muito estranho, o que por vezes acontece, é que o Gustavo não será o principal favorito a vencer esta prova.