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Presidente do Gil Vicente: “Não me apetece cruzar com traidores, como Pedro Proença”

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Esta sexta-feira é dia do “kick-off” 2016/17, a designação da Liga de Clubes para o sorteio da I e II Ligas, que manterão em cartaz 18 e 22 equipas, respetivamente. De fora do escalão principal fica o Gil Vicente, apesar de a FPF ter recomendado a integração imediata do clube despromovido indevidamente há 10 anos, no âmbito do aaso Mateus. António Fiúsa, presidente gilista, acusa Pedro Proença de traição, e pondera avançar já ou não com uma providência cautelar contra a exclusão do clube de Barcelos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Vai a Santa Maria da Feira assistir ao sorteio?
Estou todo contente, como todos os portugueses, com o caneco da seleção, mas sem disposição para pactuar com determinado tipo de gente, com quem não me identifico. Não vou estar presente, pois não me apetece cruzar com o senhor Pedro Proença, que me traiu e aos gilistas, além de outros dirigentes da direção da Liga.

E da FPF?
A Federação desta vez portou-se bem. Embora com 10 anos de atraso, a FPF reconheceu que agiu mal ao despromover o Gil Vicente à II Divisão, como ficou claro na sentença do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, que em maio confirmou que a descida de divisão foi uma ilegalidade grosseira. Se o Gil não tivesse razão, o presidente Fernando Gomes, que na altura nem estava na FPF, não teria dito à Liga para reintegrar de imediato na I LIga o Gil Vicente. O acórdão do tribunal é limpinho, sem margem de argumentos para rebater, tanto que José Manuel Meirim, da Comissão Disciplinar da Liga, não encontrou nada para recorrer.

Como explica então que a direção da Liga, que numa primeira reunião decidiu integrar o Gil Vicente, tenha voltado atrás?
Meteram-se terceiros neste imbróglio, pressionando alguns elementos da Liga, depois de a 7 de junho a direção ter decidido por unanimidade integrar o Gil Vicente e acabar com a injustiça que nos fizeram. Uma semana depois da assembleia geral para definir se a liga seria jogada com 19 equipas, ou se iria disputar-se uma liguilha para apurar a 20ª equipa, este ponto saiu da agenda. Fiquei a saber que o golpe palaciano foi cozinhado numa reunião dessa manhã, com os elementos da direção da Liga a darem o dito por não dito, com exceção de Hermínio Loureiro, vice- presidente da FPF, e de Miguel Brandão, do Freamunde, que representa na Liga os clubes da II Liga e me contou que foi uma trapalhada...

Qual foi a justificação?
Foi uma habilidade do Pedro Proença, que levou para a reunião o advogado da Liga, que por acaso tem perdido todos os recursos no caso Mateus e terá defendido que a deliberação do tribunal não implicava a integração imediata, sem nos dar chance de os nossos advogados fazerem o contraditório. No futebol, o que manda são os interesses.

Da parte de quem? Do Belenenses, que recorreu da decisão?
O que não tem pés nem cabeça, não é parte interessada no processo, pois a decisão do tribunal não interfere com eles. O que aconteceu é que o presidente da SAD do Belenenses, Rui Pedro Soares, é da confiança de Joaquim Oliveira, que detém 31% da SAD do clube e detém a maior parte dos diretos televivos em Portugal, e fez o que lhe mandaram fazer. O Belenenses não ganha nada, mas com menos dois clubes fora da I Liga Joaquim Oliveira deixa de pagar a cada um, de direitos de transmissão, 3 a 3,5 milhões de euros por ano, em vez dos 500 mil euros que paga aos clubes da II Liga. O Pedro Proença é outro que está ao serviço de terceiros.

A verdade é que 80% dos clubes votaram em AG contra a integração do Gil na I Liga esta época...
Votaram contra porque lhes meteram medo de que na próxima época desciam quatro equipas, em vez de optarem por reduzir a Liga de forma mais suave. É gente que não é séria.

O Gil vai recorrer do recurso do Belenenses. E sempre vai avançar com a providência cautelar contra a Liga?
Está tudo a ser analisado pelos nossos advogados, que o segredo é a alma do negócio. O Gil quando entra numa causa é para ganhar. Sabe quantos processos já gahámos? Sete.

Quanto é que já receberam de indmnização?
550 mil euros: 350 mil por nos terem impedido de jogar nas camadas jovens durante um ano, por causa do caso Mateus, e 200 mil devido à suspensão dos jogos da Taça de Portugal. Foi perseguição completa, pura chantagem de Gilberto Madaíl para nos impedir de recorrer aos tribunais numa questão laboral e administrativa. Agora, a FPF e a Liga arriscam-se a pagar-nos 20 milhões de euros, que é quanto vamos pedir na ação principal.

Estão a reforçar a equipa para jogar na I ou II Liga?
Para a liga principal, que foi o que nos garantiram em maio. O orçamento é de quatro milhões de euros, enquanto na II Liga seria pouco mais de um milhão. É mais um prejuízo que a Liga terá de pagar quando nos derem razão pela oitava vez.