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Manuel Alegre: “A seleção venceu por uma Europa sem ameaças nem sanções”

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Lucília Monteiro

O escritor e histórico socialista admite que não gostou de algumas estratégias adotadas por Fernando Santos no Euro-2016, mas que hoje tem que lhe agradecer. E ainda elogia Marcelo – que na sua opinião –soube dar uma “expressão adequada” a um “momento único de comunhão entre os portugueses”​

Ainda no rescaldo da vitória em Paris, Manuel Alegre elogiou esta terça-feira o trabalho do selecionador Fernando Santos, que permitiu Portugal sagrar-se campeão do Euro-2016 e bater-se por uma “Europa de iguais”.

“Aquela seleção bateu-se por Portugal e por todos nós. É esse o grande segredo do Engenheiro. E ao ganhar contra tudo e contra todos, a nossa seleção venceu também por outra Europa, uma Europa de iguais, sem ameaças nem sanções”, escreveu o escritor e histórico socialista na sua página do Facebook.

Fernando Santos, sublinha Alegre, “sabia que o nosso combate era desigual e que, na UEFA, tal como na atual União Europeia, as regras não são iguais para todos”.

E neste sentido, Alegre compara o selecionador a Kutuzof, o grande chefe militar russo que derrotou as tropas napoleónicas, após avançar na altura certa.“Como o Engenheiro Fernando Santos, também ele irritava os generais, jornalistas e teóricos da guerra.Todos queriam atacar. Ele dizia. 'Deixem-nos entrar'. E só contra atacou no momento propício e decisivo”, explicou.

Quando Eder marcou o golo da vitória, Alegre que chorou tal “como milhões de portugueses que teimam em ser patriotas”.

Embora admita que não gostou de algumas táticas escolhidas
por Fernando Santos durante a competição, garante que hoje só tem que lhe agradecer:“ Ele fez da selecção uma equipa e uma família”. E ainda elogia o Presidente da República – que na sua opinião – soube dar uma “expressão adequada” a um “momento único de comunhão entre os portugueses”.

Afirmando partilhar a convicção do selecionador de que aos países não se dissolvem, Alegre defendeu que o Euro-2016 veio lembrar que a riqueza do velho continente está na diversidade cultural: “A Europa não se fará nunca contra as suas nações, por muito que isso custe aos eurocratas e aos políticos que não sabem História.”