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Federação de Atletismo lamenta desigualdade no tratamento presidencial

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Jorge Vieira, presidente da Federação de Atletismo (à direita) acompanhado pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo e com as atletas Dulce Félix, Patrícia Mamona e Sara Moreira

NUNO VEIGA/ Lusa

“Estamos num tempo de afetos, mas sabemos que os afetos não têm sido iguais a todos”, disse Jorge Vieira, presidente da Federação em clara referência ao facto de Marcelo Rebelo de Sousa se ter apresentado na campanha eleitoral como o candidato dos afetos.

O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo (FPA), Jorge Vieira, e Jéssica Augusto deixaram esta terça-feira críticas à disparidade do tratamento presidencial dado aos feitos dos atletas portugueses relativamente ao futebol.

"Estamos num tempo de afetos, mas sabemos que os afetos não têm sido iguais a todos. Neste caso, somos nós que temos de passar os afetos aos atletas", defendeu Jorge Vieira, aludindo ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que durante a campanha eleitoral se apresentou como o candidato dos afetos.

O presidente da FPA lançou um apelo a todas as entidades para que haja equidade no tratamento de todas as modalidades.

"Quando vejo um jogo de futebol, penso que os nossos atletas são iguais a estes. Esforçam-se e não se esforçam menos. Por isso, merecem o mesmo reconhecimento, o mesmo afeto que outros merecem na sociedade desportiva", frisou o dirigente, na apresentação da seleção portuguesa de atletismo para o Rio2016.

No Centro de Alto Rendimento do Jamor, em Oeiras, perante uma plateia com dois dos quatro campeões olímpicos, Rosa Mota e Nelson Évora, Jorge Vieira lembrou que o sucesso dos atletas portugueses é feito numa grande solidão.

"Sabemos que é uma modalidade individual, mas que é uma modalidade individual que passa despercebida durante quatro anos, como tantas outras. Na véspera dos Jogos, saem do estado de hibernação depois de quatro anos e tornam-se figuras públicas", completou, considerando que os lugares de honra não são só os lugares de pódio, são lugares de honra todos aqueles que permitem a qualificação para os Jogos.

Antes das críticas lançadas pelo presidente federativo, já Jéssica Augusto tinha destacado o esquecimento do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em relação aos feitos alcançados nos Europeus de Atletismo de Amesterdão, na Holanda.

"Temos dois campeões da Europa em casa. Estamos felizes um pelo outro. A nossa medalha é mais bonita, mais pessoal", começou por dizer a medalha de bronze da meia-maratona, referindo-se ao companheiro Eduardo, guarda-redes campeão europeu de futebol.

Jéssica Augusto prosseguiu então brincando com o facto de ter um Comendador da Ordem do Mérito em casa.

"Também gostava de ser comendadora, mas pelo andar vai ser difícil. Vamos ver se o nosso Presidente repara em nós", lançou.

Os cinco medalhados dos Campeonatos da Europa de Amesterdão - a campeãs Sara Moreira (meia-maratona) e Patrícia Mamona (triplo salto), a prata Dulce Félix (10.000 metros) e os bronze Jéssica Augusto (meia-maratona) e Tsanko Arnaudov (peso) - estiveram presentes na apresentação da comitiva portuguesa que irá representar o atletismo, assim como o Presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino e o chefe da Missão portuguesa aos Jogos do Rio2016, José Garcia.

O atletismo representa o maior contingente português nos Jogos Olímpicos, com 25 atletas.