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Mourinho assume estar “no cargo que toda a gente quer”

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NIGEL RODDIS / EPA

“Sei o que se espera de mim. Conheço a história do clube e o que os adeptos querem de mim. Penso que este é um desafio que chega no momento certo da minha carreira”, assim se apresentou o treinador na sua primeira conferência de impresa em Old Trafford

José Mourinho disse esta manhã, na sua apresentação oficial como treinador da equipa de futebol do Manchester United, estar no "cargo que toda a gente quer".

"Cheguei a um clube que é difícil de descrever... Não gosto da descrição de que este é o lugar de sonho. Esta é a realidade e a realidade é que este é o emprego que toda a gente quer", referiu o treinador português, de 53 anos.

Mourinho respondia ao desafio de um jornalista, que lhe pediu para descrever o sentimento de ser treinador do Manchester United depois de se ter declarado o "special one" (o especial) e o "happy one" (o feliz) nas duas vezes em que assumiu as funções de técnico do Chelsea.

"Sei o que se espera de mim. Conheço a história do clube e o que os adeptos querem de mim. Penso que este é um desafio que chega no momento certo da minha carreira. Sinto-me preparado e tenho muitíssima motivação", acrescentou o treinador, que já passou por Benfica, FC Porto, Chelsea, Inter de Milão e Real Madrid.

Em Manchester, depois de ter conduzido o Chelsea a três títulos de campeão inglês, o português foi confrontado também com a rivalidade em relação ao espanhol Pep Guardiola, que assinou pelo rival Manchester City.

"Uma coisa é estar numa competição como a de Espanha, em que é uma corrida de dois cavalos, ou em Itália, de três equipas. Mas na liga inglesa não faz nenhum sentido. Se nos focarmos em uma equipa e um adversário, os outros riem-se, e não vou fazer parte disso. Sou o treinador do Manchester United, com respeito por todos os outros clubes", respondeu.

Mourinho desvalorizou assim o 'confronto' com Pep Guardiola, seu adversário direto quando o técnico setubalense esteve no Real Madrid e o espanhol no FC Barcelona, salientando que não é correta a palavra "inimigo".

O técnico referiu também estar em andamento o planeamento da época dos red devils, sabendo que são quatro as posições a reforçar, "para dar um certo equilíbrio à equipa" e que valoriza mais jogadores que sejam especialistas.

"Sou um treinador que gosta de especialistas e não tanto jogadores multifuncionais. Sou muito claro no meu modelo de jogo e preciso de especialistas. Apontámos a quatro alvos, até termos o quarto vamos continuar a trabalhar duro", afirmou.

Em relação a um dos maiores símbolos na atualidade do United, o internacional Wayne Rooney, Mourinho reconheceu que os jogadores mudam ao longo dos anos, face à idade, mas que o que nunca muda "é o apetite natural para fazer golos".

"Talvez ele não seja mais um avançado, ou um 9, mas nunca será um 6, a jogar 50 metros da baliza. Ele será um 9, um 10, um 9 e meio, mas nunca um 6 ou um 8", defendeu o técnico português.

A relação de amizade de Mourinho com Alex Ferguson, desde os tempos do português no Chelsea, sempre foi conhecida, e esta manhã o técnico não deixou de falar nos conselhos do histórico antigo treinador do clube inglês.

"Disse-me para trazer um chapéu-de-chuva! Ontem não queria acreditar que estava a chover no treino, foi um grande conselho. O segundo foi que trouxesse a minha tradicional garrafa de vinho, porque vamos ter a oportunidade de estar muito tempo juntos", contou.

Em relação à saída de Ryan Giggs, o treinador disse não ser culpa sua que o clube não tenha entendido dar-lhe o trabalho que o galês desejava: "Ryan desejava ser o treinador, como em 2000 também o desejei".

"Há um momento em que temos de tomar uma decisão e Ryan tomou a sua. Ele podia ser o que quisesse no clube, mas tomou a decisão em que temos de ser corajosos", salientou Mourinho, em relação também ao facto de o ex-jogador não querer ser um adjunto.

Mourinho também rejeitou a ideia de que é um treinador que não aposta nos jogadores da formação, afirmando que ao longo da sua carreira promoveu 49 jogadores das 'escolas' dos clubes em que esteve, muitos dos quais são atualmente internacionais

Na época passada. Mourinho foi despedido do Chelsea, que defendia o título de campeão conquistado na temporada anterior sob comando do português.