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Mourinho: “Se eu tenho de provar alguma coisa imaginem os outros”

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Dave Thompson

Na apresentação oficial como treinador do Manchester United, o técnico não escondeu ao que vai: “Quero ganhar títulos”

Na sua primeira conferência de imprensa em Old Trafford como treinador do Manchester United, José Mourinho abordou vários temas. Falou nos objetivos que tem para o clube, das contratações que foram feitas e que estão por fazer e foi contundente sobre o que acha de Wayne Rooney. E como é obvio, quando questionado sobre a saída do lendário Ryan Giggs, disse de sua justiça. Ah...e a sua filosofia.

A filosofia

“Nunca fui bom a esconder-me atrás de palavras e filosofias. E nunca o tentei. Sempre fui agressivo na minha abordagem, sem pensar nos riscos que daí advêm. Sería fácil e pragmático apontar aos últimos três anos, em que o clube nem para a Liga dos Campeões se qualificou, e dizer que quero ficar nos quatro primeiros lugares. Mas quero ser mais agressivo, quero ganhar títulos. O que é jogar bem? É marcar mais golos que o adversário, sofrer menos, orgulhar os teus adeptos porque se dá tudo em campo para ganhar. É tudo ao mesmo tempo. É uma abordagem agressiva da minha parte. Eu quero tudo. Claro que não vamos ter tudo o que queremos, mas nós queremos.”

Os objetivos

“O sucesso foi normal neste clube durante anos, queremos esquecer os últimos três. Os jogadores não podem pensar que apenas temos que fazer melhor e tentar acabar em quarto lugar. Esse não é o nosso objetivo. Espero que esta seja a última época que não jogamos na Liga dos Campeões. O Manchester United é um clube de Liga dos Campeões. Queremos lá estar no próximo ano.”

Provar o quê e a quem?

“Há alguns treinadores... que a última vez que ganharam um título foi há 10 anos. Alguns nunca ganharam. A última vez que eu ganhei um título foi há pouco mais de um ano. Não foi há 10 nem há 15 anos. Por isso, se acham que tenho algo a provar imaginem os outros. Mas a realidade é que isso nunca foi importante para mim. Eu jogo contra mim mesmo. Sinto que tenho que provar a mim mesmo que sou capaz, não aos outros. Nunca conseguiria trabalhar sem atingir o sucesso. Esta é a minha natureza.”

Quatro contratações, depois logo se vê

“Não sei quantas mais mudanças precisamos. Temos como prioridade adquirir jogadores para quatro posições. Posições em que precisamos de atingir um equlíbrio. Sou um treinador que prefere especialistas sobre jogadores polivalentes. Gosto de ter um ou dois jogadores versáteis, porque precisas sempre deles quando as lesões aparecem. Precisas de um defesa-esquerdo ou de um médio que possa jogar a defesa-central quando necessário. Queremos quatro jogadores e quase que já temos três. Quando o quarto alvo estiver garantido podemos respirar melhor. Teremos o quarto reforço bem antes do fecho da janela de mercado.”

Rooney como médio? Não me parece...

“Há muitas funções dentro do campo. A mais difícil de preencher é a do homem que põe a bola na baliza. Os jogadores mudam com o passar dos anos – as suas qualidades, as suas características. É normal que um jogador mude ligeiramente, mas há algo que nunca muda: o seu apetite natural de colocar a bola na baliza. Talvez Rooney não seja mais um número 9, mas para mim ele nunca será um número 6 a jogar a 50 metros da baliza. Podem dizer-me que ele tem uma grande qualidade de passe, mas eu também passo bem se não for pressionado. Estar lá e colocar a bola na baliza é a coisa mais difícil. Para mim, ele será um 9, um 10 ou um 9,5 – mas nunca um 6 ou um 8.”

Desculpa, Giggs, ainda não é desta

"Sobre o Ryan, quero que fique bem claro. Não foi minha responsabilidade ele já não estar no clube. A posição que o Ryan queria, o clube decidiu dar-me a mim, não tenho culpa. O Ryan queria ser o treinador do Manchester United, e só o clube pode justificar o facto de me terem escolhido. Ele quer ser treinador. Eu estive na mesma posição em 2000 no Barcelona. Ofereci-lhe uma posição aqui em Manchester, o clube estava dispostos a dar-lhe uma posição importante, mas ele queria ser o treinador. Se um dia ele quiser regressar enquanto eu ainda cá estiver, nunca o impedirei, direi sempre sim se o Manchester me perguntar. E se o clube lhe oferecer a hipótese de ser o treinador, será o resultado da evolução da sua carreira como técnico.”

  • Mourinho assume estar “no cargo que toda a gente quer”

    “Sei o que se espera de mim. Conheço a história do clube e o que os adeptos querem de mim. Penso que este é um desafio que chega no momento certo da minha carreira”, assim se apresentou o treinador na sua primeira conferência de impresa em Old Trafford