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Real Madrid obrigado a devolver €18,4 milhões de ajudas públicas ilegais

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Gonzalo Arroyo Moreno / Getty Images

Comissão Europeia vai castigar vários clubes espanhóis por financiamentos públicos indevidos, entre eles Real Madrid e Barcelona. As sanções de dezenas de milhões de euros deverão ser comunicadas oficialmente esta segunda-feira, após mais de dois anos de investigações

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

A Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia detetou várias irregularidades na atribuição de ajudas públicas as equipas da liga espanhola, tendo anunciado na última sexta-feira a exigência na devolução de dezenas de milhões de euros de dinheiros públicos ao Estado espanhol. De acordo com o "El País", a comissária europeia Margrethe Vestager irá comunicar esta segunda-feira as sanções a aplicar aos clubes, encontrando-se entre os beneficiados indevidamente Real Madrid, Barcelona, Atlético Madrid, Valência, Osasuna e Elche.

Da II Divisão, o Hércules é ainda outro dos clubes visados na investigação em curso há mais de dois anos, que apurou que todos terão recebido financiamentos estatais, proíbidos pela Comissão Europeia no âmbito do desporto profissional. Segundo o "The Guardian", o Governo espanhol terá incorrido em concorrência desleal ao atribuir ajudas públicas a alguns dos clubes mais ricos do mundo através da aplicação de impostos a taxas favoráveis ao longo dos últimos 25 anos, negócios imobiliários e empréstimos.

O Real Madrid, que terá de devolver 18,4 milhões de euros, é apontado como o clube mais beneficiado. Em causa estará uma permuta de terrenos, em 1998, entre o município de Madrid e os merengues para construção de um equipamento desportivo, tendo o clube de Florentino Pérez recebido em 2011 uma compensação financeira de 22,7 milhões de euros “através de outras operações”. Bruxelas suspeita de que o montante atribuído pelo empreendimento tenha sido inflacionado e exige que os cofres do Estado recuperem boa parte do dinheiro.

A decisão de sancionar os clubes do país vizinho já terá sido tomada no início do ano, mas a Comissão Europeia optou por esperar pelo resultado das eleições legislativas e formação de um novo Governo que venha a assumir o veredicto. A Direção-Geral da Concorrência alega ainda que os clubes visados se socorreram de fundações para tirarem partido de regimes fiscais mais brandos (25%) do que os aplicados às sociedades desportivas (35%), exigindo ao primeiro-ministro Mariano Rajoy que avalize o débito que Bruxelas considera devido ao Estado Espanhol.

De acordo com a auditoria anual da Delloite “Football Money League”, o Real Madrid é pela 11ª época consecutiva o clube mais rico do mundo, com com receitas de 577 milhões de euros de euros em 2016. Em segundo lugar na lista dos emblemas milionários segue o Barcelona, com um encaixe de 560 milhões de euros, à frente do Manchester United (519 milhões), que completa o pódio.