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Acorda, Marcus. O sonho acabou

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TONY O'BRIEN / REUTERS

Terminou a melhor história de Wimbledon. E o vencedor é Marcus Willis, o inglês que perdeu 3-0 com Roger Federer

Rui Gustavo

Rui Gustavo

Editor de Sociedade

O árbitro português Carlos Ramos deu a única vitória a Marcus Willis no jogo contra Roger Federer: "Cara ou coroa?". O tenista inglês escolheu coroa e ganhou a única disputa contra o tenista suíço, o melhor de todos os tempos, que na fase final da carreira foi, por uma vez, a personagem secundária num jogo. Willis, número 772 do mundo e professor de ténis num modesto clube de Birmingham, conseguiu um lugar no court central depois de ter vencido seis jogos na fase qualificação e Ricardas Barakis na primeira ronda. Ele que já tinha desistido do ténis e só foi convencido pela namorada a voltar a tentar uma carreira, é o grande vencedor desta edição de Wimbledon, apesar de ter sido vencido pelo ás suíço pelos parciais de 6-0, 6-3 e 6-4. E um dia pode contar a quem o quiser ouvir que fez 24 winners ao melhor de sempre .

E agora? Em 2016, Marcus Willis, que aos 25 anos nunca tinha disputado um torneio ATP e muito menos um Grand Slam, tinha ganhado 292 dólares em prémios oficiais. Em Wimbledon, ganhou mais de 50 mil e a possibilidade de voltar ao circuito. Vai subir na classificação e na consideração da namorada Jenny e receber convites para participar nos melhores torneios. Ou então vai voltar ao Warwick Boat Club, onde dá aulas por 30 libras à hora e contar aos alunos que um dia fez um ás a Federer.

No final do jogo o suíço mostrou porque é diferente dos outros e deixou que o adversário fosse ao meio do campo para receber os aplausos.