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O futebol é para meninas

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josé carlos carvalho

Bruna Costa bate-se de igual para igual com os rapazes num jogo de futebol. Desde pequena que sabe que quer jogar à bola, não importa com quem. Agora, vai para o Sporting e já tem três convites para ir jogar nos EUA

Carolina Reis

Carolina Reis

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Jornalista

José Carlos Carvalho

José Carlos Carvalho

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Fotojornalista

Corpo a corpo. No meio-campo, o jogo faz-se de um para um. Há pouco espaço para tanta gente. O jogo é de contacto. Um dos jogadores do Futebol Clube São Luís, de Faro, não tem a mesma resistência que os outros. Corre menos e salta menos alto. Mas sabe usar a inteligência. Lê melhor o jogo. Quando não joga, a equipa fica mais frágil. É mais difícil a bola chegar aos extremos. Falta o foco e a concentração do nº 8, o capitão de equipa. O treinador de juvenis deste “humilde clube de futebol amador”, Jorge Bacoco, sabe que se esse jogador estiver no banco o empenho não é o mesmo. “Simplifica o jogo. Nada o afeta. Tem um objetivo: jogar futebol e ganhar. Só isso.”

Este jogador pode não ter a mesma capacidade física que os restantes, mas 98% das opções que toma são corretas. No meio-campo, o sucesso não se mede pelos golos marcados, nem pelos dribles, nem pelas bolas que passam a milímetros da baliza. Se a bola lá chega e os avançados finalizam é porque seguiu “segura e redonda” até aos seus pés. Para estar ao nível dos colegas, este jogador trabalha o dobro. Enquanto os outros treinam três dias por semana, ele fá-lo todos os dias. O futebol fez sobressair três das suas principais características: a racionalidade, a concentração e o pragmatismo. Os 90 minutos são passados com o jogo em mente. Ao intervalo há poucas palavras, o incentivo é feito no campo e sob as ordens do treinador. Até ao fim dos 90 minutos, todas as oportunidades contam. O capitão do Futebol Clube São Luís não perde tempo a atirar-se para o chão, a pedir faltas aos árbitros ou a desesperar com o resultado. O jogo faz-se minuto a minuto. No fim, quando o jogador chega à linha lateral, percebe-se que é uma jogadora. A única desta idade a jogar numa equipa masculina.

Género. Bruna equipa-se num balneário à parte, mas depois do aquecimento troca de camisola no mesmo local que o resto dos colegas

Género. Bruna equipa-se num balneário à parte, mas depois do aquecimento troca de camisola no mesmo local que o resto dos colegas

josé carlos carvalho

Bruna Costa driblou as regras da Federação Portuguesa de Futebol e manteve-se a jogar entre os rapazes até aos 17 anos. Agora dá o salto para o futebol profissional em Portugal e talvez para o ano vá para os EUA. “Jogo com os rapazes porque gosto de jogar futebol e jogo futebol porque gosto de fazer desporto.” As palavras saem secas e sem paixão. Os olhos brilham. É através deles que se lê a sua paixão pelo futebol. Ninguém está à espera de ver uma miúda em campo. Bruna sabe bem que é uma exceção, mas garante que nunca se sentiu excecional. Nem nunca pediu nenhum favor para jogar entre os homens. Nunca quis tratamento especial, nunca se queixou da intensidade de um treino, de uma entrada mais violenta, nunca quis jogar numa equipa feminina. A capitã do Futebol Clube São Luís não se vê a si própria muito diferente.

“Às vezes oiço os pais dos outros jogadores, nas bancadas, a perguntarem-se se ‘aquilo’ é um rapaz ou uma rapariga”, conta Jorge Bacoco. Uns ficam-se pelo espanto, outros são mais provocadores. Houve um dia, quando ainda jogava nos infantis, em que uma partida valeu uma participação na PSP. Uns espectadores, familiares de jogadores da equipa adversária, mandaram recomendações ordinárias para o campo. “Diziam coisas como: ‘Apalpem-lhe as mamas’”, conta Dulce Lourenço, a mãe orgulhosa do talento da filha. Já os banhos estavam tomados, o pai de um colega de equipa achou que o tom merecia a intervenção da polícia. Nada que alguma vez a tenha perturbado. “Nem me lembro.” A memória é ocupada com momentos mais felizes, como a primeira vez que viu um campo de futebol. “Cheguei atrasada ao treino, mas quis ir logo lá para dentro jogar.”

A DESCOBERTA DA FEMINILIDADE

Fora das quatro linhas, Bruna é o oposto do estereótipo da miúda que joga à bola. Ar feminino, mas discreto. Mala ao ombro de um lado, os cadernos da escola do outro. Saídas com os amigos para ir à praia e ao cinema, horas para estudar no quarto em casa. O rapper Dillaz e a cantora Adele no iPod. Os namoricos típicos da idade, todos fora do futebol. Tímida, envergonhada, difícil de arrancar expressões. Quanto mais fala mais se vai abrindo e mostrando de si. Bruna está à descoberta da vida, a aprender os primeiros tiques de vaidade que a levam a começar a pôr maquilhagem, a usar brincos e a ter cuidados com o cabelo. Tal como todas, é uma adolescente a descobrir a feminilidade. “Não acho que por gostar de futebol tenha de ser uma maria-rapaz.” A mãe recorda-a sempre, desde os tempos da infância e do ATL, a brincar em grupos de rapazes e de raparigas que se juntavam por vontade dela.

“Gosto do futebol porque é um desporto coletivo. Contribui para aprender a estar em grupo. Tem de ser de todos. Não é um jogo de uma só pessoa. Gosto daquele ditado que diz: ‘Se queres ir rápido vai sozinho, se queres ir longe vai acompanhado’.” Conjunto, independentemente da maneira como esse conjunto se compõe, seja de rapazes, raparigas ou misto. Talvez por isso não se canse de referir que não a podem tratar de maneira diferente. “Nós às vezes até tentamos, porque ela é uma moça, mas ela não deixa”, conta João Batalha, 17 anos, colega de equipa, quando começa a descrever a jogadora. Por vezes, há um ou outro olhar menos inocente. “Dizem que ela é gira, mas ninguém tem de achar nada. Ela joga como nós.” É provável que Bruna já se tenha apercebido de algum comentário, mas chuta para canto. Ignora.

João e Bruna têm os mesmo 17 anos, moram na mesma cidade, frequentam escolas públicas, jogam na mesma equipa, mas há muitas certezas que os separam. Para João, o futebol é um desporto de que gosta muito mas que não é para levar a sério. E na escola, no 10º ano, ainda não pensou no que quer seguir. Ao contrário da maioria dos adolescentes, Bruna não tem dúvidas de que o seu futuro passará pelo futebol. O foco que tem no meio-campo, quando se concentra no adversário, na bola e no extremo a quem a vai passar, tem-no também na vida. Um ano em Lisboa, como se fosse um estágio, e depois os EUA. Sempre a jogar futebol, sempre a estudar. Os convites chegaram de três faculdade americanas — Florida, Wisconsin e Oregon — e vêm com uma bolsa de estudo. O sucesso num lado não tem de ser sinónimo de insucesso noutro. “Rimos muito. Ela é muito divertida, consegue conciliar tudo. Não fica só a falar de futebol, nem está só agarrada aos livros”, conta a amiga e colega Rita Gregório.

Bruna não se lembra da primeira vez que fez um jogo. Muito menos do primeiro golo, da primeira assistência, do primeiro penálti. É como se tivesse sido algo tão natural que não deixa marca. A mãe, porém, tem bem presente o dia em que percebeu que o lugar dela pertencia ali. “Foi num jogo num primeiro mundialito. Não se percebia a diferença entre ela e os rapazes, e eu soube que era ali que ela pertencia.” A Federação Portuguesa de Futebol mudou as regras e permitiu que Bruna pudesse jogar em equipas mistas até aos iniciados (sub-15). Chegada aí, ela continuou a querer jogar entre os rapazes. As equipas de futebol do Algarve reuniram-se e acordaram que Bruna poderia jogar no campeonato distrital.

Capitã. Os colegas garantem que é uma verdadeira líder. Poucas palavras ao intervalo, concentração e incentivos durante a partida. Bruna nunca desiste

Capitã. Os colegas garantem que é uma verdadeira líder. Poucas palavras ao intervalo, concentração e incentivos durante a partida. Bruna nunca desiste

josé carlos carvalho

“Já sabia que havia uma rapariga na equipa quando vim para cá treinar. Sabia que ela era boa, pois tinha falado com o técnico da seleção nacional, mas pensei que os colegas a pudessem favorecer ou proteger de alguma maneira.” Jorge Bacoco, treinador por carolice e bate-chapas de profissão, só tirou as dúvidas no primeiro jogo. “Vi que ela era mesmo boa, porque o adversário fez tudo para ganhar. Vi aí que ela se batia como igual.” No Futebol Clube São Luís, uma filial do FC Porto em Faro mas onde grande parte dos jogadores e técnicos são do Benfica, o ambiente é familiar. Toda a gente sabe quem é Bruna. De todos os jogadores, é a única que conhece o profissionalismo do futebol, que as idas à seleção lhe proporcionaram. Aqui faltam meios mas não falta vontade. A quota mensal e um subsídio para jogar fazem com que, literalmente, se pague para jogar.

“A Mónica Jorge [diretora de futebol feminino da Federação Portuguesa de Futebol] falou comigo e disse-me para a deixar jogar futebol, que era isso que ela gostava de fazer”, lembra a mãe. Não que isso algum dia tivesse sido uma questão para Dulce. “A Bruna é um mundo à parte. Sempre assumiu uma postura de igual perante os colegas.” Ainda os grupo no recreio se dividiam entre meninos e meninas, já Bruna misturava rapares e raparigas em brincadeiras com nenucos e skates. E já aí achava que o “futebol era de todos”.

Nunca como agora se falou tanto em futebol feminino, mas Bruna continua a não achar que o mais importante seja quem joga futebol. “A mentalidade já mudou um bocadinho. Era um preconceito achar que só os rapazes é que podiam jogar futebol. Agora já percebem que não é bem assim.” Nunca se chateou com quem lhe disse que bola não era coisa de menina. Cresceu a ver jogos de homens, quando elenca os seus jogadores favoritos lembra-se de Messi, Piquet, Iniesta, mas não fala em nenhuma jogadora. É o fruto de gerações e gerações a ouvir falar apenas de futebol masculino. Bruna esforçou-se tanto toda a vida por ser vista de igual para igual que nunca fez do género uma bandeira.

Uma década a jogar futebol, seis idas à seleção nacional, duas vezes eleita jogadora do ano pela Associação de Futebol do Algarve. O próximo ano será passado em Alcochete, na academia do Sporting, a participar na I Liga de Futebol Feminino. Uma mudança dentro e fora de campo: Bruna deixará a terra natal, onde estão a mãe, o irmão e o pai, os amigos e a escola onde sempre estudou. Sem medo e com uma calma e coragem desarmantes que não são comuns numa adolescente de 17 anos. Para cada problema tem sempre uma solução. Para compreender a segurança e racionalidade de Bruna é preciso recuar até à infância, à insegurança da mãe, que depois do divórcio teve receio de não a poder controlar na adolescência. “Eu tive uma mãe castradora, e queria dar liberdade com responsabilidade aos meus filhos, mas tinha medo da adolescência e quis pô-los no desporto para estarem ocupados.” Balltet, ginástica, natação. Bruna praticou todos com gosto e satisfação, mas foi no futebol que se sentiu mais feliz.

Um dia, a avó de uma amiga sugeriu-lhe as Escolas de Futebol de Faro, que tinham acabado de abrir turmas para os mais pequenos. Dulce viu uma oportunidade perfeita: o futebol ocupava os fins de semana e não dava hipótese de sair à sexta-feira. Bruna ainda andava na escola primária. Assim que foi possível, a amiga Raquel foi jogar com as raparigas. Bruna quis ficar com os rapazes. “A Raquel ia equipada de casa, a Bruna equipava-se no balneário com eles.”
Bruna garante nunca ter sido um elemento à parte. Nem mais nem menos bem tratada. Para os colegas de equipa, é apenas mais um jogador. Bruna nunca percebeu a ideia de ser tratada de forma diferente, nem quando todas as outras amigas se entretinham no ballet ou na natação. “Jogar com os rapazes obrigou-me a ser melhor, a acompanhar a velocidade e rapidez que o futebol feminino ainda não tem.” Foi por isso que ela continuou a preferir as equipas masculinas, apesar de, até há pouco tempo, as equipas mistas só serem permitidas até aos iniciados.

“Obrigaram-me a ser melhor”

Jogar com rapazes desta idade não é o mesmo que disputar a bola com um miúdo. Aos 17 anos, estão no pico da sua pujança física. Saltam mais alto, correm mais, têm mais força e mais músculo. “Obrigaram-me a dar mais de mim.” De tal forma que, além dos treinos da equipa e dos treinos da seleção, Bruna é acompanhada por um personal treiner. Leva-se ao limite, e aí poderá estar a sua fraqueza. “Ela quer tanto ser igual que acaba por treinar demasiado, pode entrar em sobrecarga”, defende Jorge Bacoco, que já treinou o irmão e estabelece a diferença entre os dois. Bruna é focada e racional, e é isso que a torna melhor dentro de campo. Nunca chega chateada, triste, não traz os problemas pessoais para o desporto, não desiste. Não entra em euforias, não desanima. Aos intervalos, qualquer que seja o resultado, “fala pouco”, diz o colega João Batalha. Mas o que diz é essencial para levantar o ânimo da equipa. “Faz um trabalho de líder. Ouve o treinador e diz-nos onde devemos estar. Durante o jogo vai-nos dando força. Por isso é que é a capitã.”

A vida da estudante do 11º ano do grupo de Ciências, com notas de 17 a Matemática, distancia-se da bola para colocar o foco na escola. Nove anos a disputar a bola de igual para igual com rapazes, mas na Escola Secundária de Faro isso não é algo de que se gabe. “Ela não traz o futebol para a escola. O máximo que fazemos é escrever táticas de jogo usando os professores como jogadores. Nota-se que é muito boa a educação física e é capaz de jogar comigo às cavalitas [risos]. Mas o que mais impressiona é como ela tem tempo para jogar futebol, ir à seleção e ainda ter boas notas”, continua Raquel Gregório. Da mesma forma que não exige tratamento especial no futebol masculino, Bruna também não se vale do estatuto de atleta para ter uma atenção especial. O início do ano escolar coincide com o estágio da seleção nacional, Bruna treina em Lisboa de segunda a quinta e só volta ao Algarve às sextas-feiras. Nunca deixou uma disciplina para trás. “ Ela está sozinha a ler o que demos para apanhar a matéria que perdeu.”

Manter um nível máximo no futebol e, ao mesmo tempo, na escola parece exigir uma dedicação total. E horários rígidos. A racionalidade que lhe apontam no futebol é também uma arma para ser boa aluna. Se em campo lê bem o jogo para perceber qual é a melhor forma de passar a bola, na escola aprendeu a encaixar todas os tempos livres e percebeu que era melhor tirar a pressão dos ombros. “Não acho que tenha de estar sempre a estudar. Normalmente, jogo ao domingo, por isso estudo sábado antes ou depois do treino. Se baixar as notas, baixei.” Um teste ou um jogo decisivo não a afastam da vida social. Os livros vão atrás se for preciso. “Se os meus pais quiserem ir sair, eu estudo no café, mas estou com eles na mesma.”

A mãe gaba-lhe a coragem. E deixa-a seguir o seu caminho. O pai levou mais tempo a habituar-se à ideia. A princípio ficou assustado quando a viu no meio dos rapazes. A equipar-se entre eles. Agora é diferente. “Se eu for jogar a outro país, ele é capaz de ir atrás.” Foi pela mão do pai que foi a Lisboa conhecer a proposta do Sporting. Um contrato de formação no primeiro ano, com dinheiro para alimentação e despesas de estadia pagas, e no segundo ano profissional. A proposta surgiu de surpresa. Um telefonema na época de testes deixou-a a pensar se era a melhor altura. Do outro lado da linha, o convite parecia irrecusável. Bruna ia ser obrigada a deixar de jogar com rapazes (o limite é até aos juvenis), e o Sporting oferece-lhe a I Liga de Futebol Feminino. Uma atenção que trará outras. A mãe ouviu a conversa ao telefone e percebeu do que se tratava. Todos esperavam que a chamada fosse feita pelo Estoril, a surpresa só foi o clube. Ao contrário das outras mães, Dulce não ficou com o coração nas mãos. Com a mesma convicção com que lhe disse, em criança, para continuar a jogar futebol entre os rapazes, que não interessava o que os outros diziam, incentivou-a. “Não fui mãe à espera de ser avó. Quando tinha a idade dela, tive de lutar para ter tudo na vida e contrariar a minha mãe.” Foram sempre esses incentivos que ajudaram a manter Bruna de jogo em jogo, de competição em competição.

O contrato foi assinado antes de maio. Bruna, benfiquista e filha de benfiquistas, vestiu a camisola do novo clube, apesar de a época só começar em julho. Umas semanas depois de ser jogadora do clube de Alvalade, o Benfica vencia o Sporting na última jornada de um dos campeonatos mais disputados dos últimos anos. Bruna, a benfiquista, festejou em casa com o pai. Bruna, a jogadora, manteve-se serena em público. “Esta foi uma boa opção. Não é por ser do Benfica que vou jogar mal no Sporting. Nem que vou deixar de ser do Benfica. Continuo a querer que o Benfica seja campeão, mas não posso festejar.”

Bruna parte com alguma vantagem. O confronto físico com os rapazes aumentou a sua capacidade, comparando com as outras jogadoras. Antes de se ir embora, e depois da última partida que o São Luís ganhou por falta de comparência do adversário, Bruna teve direito a despedida. “Os colegas juntaram-se todos e compraram-lhe uma camisola do clube, que autografaram e lhe deram”, conta o treinador. Bruna, a jogadora que nunca perde o foco, emocionou-se. Chamou os colegas a um canto e deu o grito de guerra: “O que é que nós queremos?! Ganhar! São Luís! São Luís! São Luís!”.

A época que aí vem trará uma vida completamente diferente. Bruna tornou-se uma aposta de um dos grandes. Está a começar a profissionalizar-se, mas no fundo a continuar o prazer que o futebol lhe trouxe quando em pequena pediu para continuar a jogar com os meninos. Agora, entra noutro campeonato. É o fim do futebol em que se paga para jogar. Continuará a jogar, como sempre, para ganhar. Vai para um clube grande, vai viver sozinha, mudar de escola no último ano antes da faculdade, jogar entre raparigas, escolher uma equipa a que não pertence o seu coração. Em Alcochete, partilhará casa com outras três jogadoras, “que são como se fossem minhas irmãs”, que conheceu durante os estágios da seleção nacional. Todas jogaram apenas com raparigas. A mãe garante que ela está pronta para se mudar para a Grande Lisboa e, mais tarde, para os EUA. É um mundo novo com um enorme peso em cima dos ombros. “Medo?! Eu tenho é medo de ir para lá e não jogar.”

Artigo publicado na Expresso de 18 junho 2016