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Islandês para ti, português para mim

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Portugal e Islândia distam aproximadamente 2500 quilómetros mas hoje as distâncias resumem-se a um campo de futebol e a 90 minutos. Como se sentem os expatriados em ambos os países? Fomos descobrir

“O Ronaldo não me assusta absolutamente nada. Nós temos o montanha!” Claro que a personagem de “A Guerra dos Tronos”, interpretada por Hafþór Júlíus Björnsson, não joga hoje em Saint Etienne, mas a sua mensagem viral representa o espírito da mais pequena nação em prova.

Arni Elliot é um dos menos de 100 islandeses que estão oficialmente registados como habitantes islandeses em Portugal junto da embaixada em Londres (não existe representação diplomática oficial por terras lusas) e a sua confiança é enorme: “acredito muito neles. Podemos ir longe.”

Produtor do vodka islandês Volcanic e antigo andebolista federado, veio morar para Portugal “há quatro anos” quando nasceu o seu primeiro filho em Marselha (aquele local das batalhas urbanas, já deve ter ouvido falar) porque já nos conhecia de viagens anteriores e parecia “um sítio fantástico para morar.”

A partir do Algarve acompanha atentamente a sua selecção e não tem dúvidas que se trata “da melhor geração” que já tiveram. Num país de 323 mil habitantes (população pouco superior à do concelho de Vila Nova de Gaia), construir uma equipa que “já demonstrou capaz de se bater com os maiores” é um “feito que ainda nos deixa perplexos.” A Islândia está “entusiasmada como nunca” e os olhos vão estar todos colocados no desafio de mais logo. No país e fora dele.

Em churrascos que costuma fazer com os amigos portugueses, o tópico do jogo tem vindo a crescer de intensidade e Arni conta que “se têm rido dele” e da sua “crença cega.” Para ele, não há dúvidas: “vamos ganhar 2-1, com golos de Aron Gunnarson e Gylfi Sigurðsson.” Na hora de escolher, “Portugal é casa” mas neste desafio o coração vai ter que estar ao lado de quem o viu “nascer.” Mas quem lhe “disser que o Portimonense não é a melhor equipa de Portugal” vai ter que se haver com o islandês mais algarvio (e português) do mundo.

Do namoro à terra do vulcão

Paulo Gramata nunca pensou alguma vez ir morar para a Islândia. Mas tudo mudou quando uma simpática islandesa se atravessou no seu caminho numas idílicas férias de verão em 1998. Daí “até ter recebido uma passagem de avião surpresa para a visitar” foi um passo. Lá está hoje a morar (e casado) num país que classifica como “muito tranquilo e maravilhoso para se viver”, embora para quem esteja habituado ao clima português, o islandês “não ser muito a gosto”.

De acordo com informações prestadas pela embaixada portuguesa em Oslo (que trata dos assuntos nacionais na Islândia), são perto de 1000 os portugueses que por lá habitam e a tendência é para crescer. A acreditar nas palavras de Paulo, que garante ter tido “oportunidades que aí nunca teria.”

Entre a comunidade portuguesa, “o ambiente é de grande euforia e expectativa. Mais logo é certo que todos se vão encontrar “nos bares que transmitem o jogo.” Pelo que vê e pelas conversas que tem com amigos, os islandeses acreditam “que é possível ganhar mas para isso terão de ter um jogo excepcional”. Mas também acha que “para eles um empate ou uma derrota só por um golo seria muito positivo” para ganhar motivação para o que se segue.

Quanto a prognósticos, Paulo não os deixa para o final, ao contrário de João Pinto e o 3-1 é o resultado em que mais acredita. A caminho de Paris, pedem-se todas as ajudas: “com um pouco de sorte podemos chegar final e até ganhar.” Para confirmar já partir de hoje, às 20h