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Adeptos russos envolvidos em confrontos foram “treinados para lutar”

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GUILLAUME HORCAJUELO/EPA

Brice Robin, procurador de Marselha, disse que os adeptos russos responsáveis pelos confrontos antes e depois do jogo entre a Rússia e a Inglaterra eram, “na realidade, verdadeiros hooligans, que estavam bem preparados para intervenções muito rápidas e muito violentas”

Helena Bento

Jornalista

Brice Robin, procurador de Marselha, disse que os 150 adeptos russos que estiveram por trás dos violentos confrontos que eclodiram na cidade no passado fim-de-semana foram “treinados para lutar”. “Esses adeptos, que eram, na realidade, verdadeiros hooligans, estavam bem preparados para intervenções muito rápidas e muito violentas, daí a dificuldade de proceder à sua detenção”, afirmou esta segunda-feira o procurador, durante uma conferência de imprensa. “Estamos a falar de pessoas extremamente bem treinadas”, acrescentou.

O jogo entre a Rússia e a Inglaterra, disputado no sábado passado, transformou a cidade de Marselha numa verdadeira batalha campal. Foram três dias de grande violência e caos - cerca de 35 pessoas ficaram feridas, quatro das quais em estado grave. Um adepto inglês foi atacado por adeptos russos armados com barras de ferro e teve de ser transportado para o hospital. A polícia recorreu a gás lacrimogéneo e a um canhão de água para dispersar os adeptos.

Horas antes do jogo, que terminou em empate, adeptos das duas seleções envolveram-se em confrontos no centro da cidade. Foram arremessadas garrafas de vidro, cadeiras e mesas de esplanada. Já dentro do estádio, nos minutos finais do encontro, adeptos russos lançaram tochas e petardos para uma bancada de fãs ingleses, tendo depois invadido aquela zona, que foi palco de violentos confrontos.

Os adeptos da Rússia já tinham estado envolvidos em confrontos no jogo de estreia do Euro 2012, frente à República Checa. Na altura, a Federação Russa teve de pagar uma multa de 120 mil euros e sofreu uma penalização de seis pontos - depois reduzida em recurso - para a fase de qualificação do Euro 2016.

Entre a maior parte dos feridos estão adeptos ingleses, mas também eles foram responsáveis pela violência registada entre sexta-feira, sábado e domingo, disse ainda Brice Robin, durante a conferência de imprensa. O procurador anunciou que foram detidas 20 pessoas - incluindo um rapaz de 16 anos, adepto da seleção inglesa. Dos dez adeptos que foram entretanto a julgamento, foram condenados dois, Ian Hepworth, de 41 anos, enfermeiro psiquiátrico,e Alexander Booth, de 20 anos, cozinheiro, condenados a três e dois meses de prisão, respetivamente.

No domingo, a UEFA, que já tinha avisado ambas as federações que corriam o risco de serem afastadas do campeonato europeu caso os seus adeptos se envolvessem em atos de violência, abriu um inquérito disciplinar à Federação Russa de Futebol. Em causa, estão “comportamentos racistas, provocação de distúrbios e uso de material pirotécnico” durante os três dias. A aplicação de sanções à seleção será decidida numa reunião marcada para a próxima terça-feira.

Para prevenir incidentes como os do passado fim-de-semana, algumas cidades francesas anunciaram entretanto a proibição da venda de álcool no dia e na véspera dos jogos. Também esta segunda-feira, o capitão inglês Wayne Rooney e o técnico Roy Hodgson apelaram ao bom comportamento. “Trabalhámos arduamente para estar cá e queremos verdadeiramente continuar na competição. Claro que apreciamos o vosso apoio, mas peço que se mantenham longe dos problemas”, disse o selecionador inglês.