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Se ninguém quer ser favorito, podemos ser nós, dizem os alemães

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Daniel Reinhardt

A Alemanha não brilhou mas jogou o suficiente para derrotar a Ucrânia (2-0) - porque é a Alemanha e a Alemanha sabe o que joga: com a bola no pé, sempre a atacar e quase sempre a ganhar

Numa entrevista muito interessante publicada no "L'Équipe" deste domingo, Joachim Löw explicava que a Alemanha tem evoluído muito taticamente nos últimos anos, porque o selecionador procura "uma tática flexível" para a equipa e não um modelo ideal. "Queremos uma mistura entre tiki taka e futebol de contra ataque", disse ele, acrescentando que a seleção precisa de ter "outras soluções" perante os adversários com um jogo mais defensivo.

Esta noite, em Lille, frente à Ucrânia, os campeões do mundo fizeram a vontade ao selecionador. Porque a Alemanha que se viu não foi bem aquela Alemanha do Mundial-2014 - mas essa também já tinha andado meia desaparecida no apuramento para o Euro -, mas foi mais do que suficiente para derrotar a Ucrânia com duas daquelas "outras soluções": logo no início do jogo, um cabeceamento perfeito de Mustafi, depois de um livre batido por Kroos; e mesmo no final, uma finalização certeira de Schweinsteiger, depois de um contra ataque rapidíssimo lançado por Kroos e conduzido até à área por Özil.

O ataque alemão continua a controlar a bola como ninguém, com um falso nove - Götze - e muita criatividade nos pés de quem o acompanha - Özil e Draxler -, mesmo que não haja Reus e Gündogan. Mas a solução que ainda não está bem afinada é a defesa e Löw também o admitiu ao "L' Équipe": "Precisamos de mais estabilidade atrás". É aí que os alemães sentem a falta do fantástico Hummels (ainda lesionado) e de Rüdiger (fora do Euro por lesão) - bom, e de Lahm (retirado da seleção).

O único titularíssimo que se manteve no sector foi Boateng, que salvou a Alemanha do empate com um corte em cima da linha perto do intervalo, ação imitada por Neuer pouco antes (e depois - fez várias defesas impecáveis) - ambas após remates do irrequieto Konoplyanka.

Do outro lado, o guardião Pyatov também brilhou e a Ucrânia ainda foi ameaçando, mas a Alemanha é a Alemanha, que é o mesmo que dizer que a Inglaterra é a Inglaterra - e é por isso que, jogando q. b., uma perdeu ontem, quando podia ter ganhado, e outra ganhou hoje, quando podia ter perdido. Se os favoritos não se chegam à frente, há sempre a Alemanha.