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Xhaka: O grande irmão, o pequeno irmão

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DENIS CHARLET

O Suíça-Albânia jogou-se, a espaços, como um dérbi porque de um lado e do outro havia antepassados comuns. Os suíços venceram por 1-0 contra os albaneses que nunca se sentiram derrotados apesar de jogarem durante muito tempo com dez jogadores

Xerdan Shaqiri, Granit Xhaka,Valon Behrami, Admir Mehmedi e Blerim Dzemaili podiam estar do outro lado - mas não estavam. Num momento da vida, estes cinco decidiram ser suíços e não albaneses, como os pais ou eles próprios, e tornaram-se futebolistas de elite até chegarem à seleção da Suíça. Hoje, Shaqiri, Behrami, Mehmedi, Dzemaili e Xhaka jogaram contra as suas raízes, diante do púlbico adotivo, que os aplaudiu, e do nativo, que os assobiou.

Destes, o que mais interessava era Granit Xhaka. Porque era o melhor jogador. Porque há tempos foi contratado pelo Arsenal por €40 milhões. E porque é irmão de Taulant Xhaka, o médio que joga pela Albânia. De todas estas histórias possíveis de cruzamentos saídas de um lugar que viveu em guerra e obrigou à fuga de muitos milhares, esta era a mais improvável de acontecer. Mas aconteceu. Xhaka contra Xhaka com a mãe de ambos nas bancadas e o jogo começou.

E começou como devia começar, com a Suíça a carregar e a Albânia a correr atrás da bola, a pressionar, a procurar ser feliz. A Suíça, não sendo uma potência, tinha mais e melhores jogadores do que a Albânia - e também era mais experiente e batida, já que os albaneses se estreavam numa grande competição. Os helvéticos marcaram logo a arrancar, tudo normal, e o futebol ganhou qualidade, porque parecia estar mais em jogo do que apenas um jogo - havia ali rivalidade como num dérbi entre seleções territorialmente distantes mas ligadas por antepassados comuns. O sangue fala sempre mais alto.

A Albânia manteve-se unida, mesmo depois de Cana ter dado muita cana ao pôr a mão na bola e ser expulso a meio da primeira parte. Nestas ocasiões, em que uma equipa mais fraca defronta uma mais forte, o provável é que a primeira se deixe ir abaixo quando fica com menos um em campo. Não foi isso que se viu.

Os albaneses jogaram de igual para igual, tiveram oportunidades para chegar ao empate, mas a falta de pontaria dos seus avançados e a grande exibição do guarda-redes Sommer mantiveram a coisas como estavam. Acabou 1-0 para a Suíça.