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Agora, sim, três pontos para o País de Gales

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Dennis Grombkowski

Há vida além do râguebi, muito por obra de Gareth Bale, o super-herói nacional, e um par de ajudantes, como Joe Allen e Aaron Ramsey. Os galeses contrariaram as previsões e ganharam por 2-1 à Eslováquia. Foi assim a estreia num campeonato da Europa

Gareth Bale teve a sorte que Ian Rush, Mark Hughes ou Ryan Giggs não tiveram - um Europeu de 24 equipas que abriu a qualificação a muitos mais países do que aqueles a que estávamos habituados a ver. A Albânia, que jogou há duas horas, é um deles. O País de Gales é outro. Mas isto não quer dizer que o País de Gales é uma seleção reduzida ao chavão é-ele-e-mais-dez, coisa a que ouvimos dizer quando há um tipo muito melhor do que os outros numa equipa. Não é. Além de Bale, o País de Gales tem Aaron Ramsey e tem Joe Allen, sobretudo este, que é uma espécie de Modríc daquele lugar - os ingleses preferem compará-lo a outros dois craques, mas isso é lá com eles.

Portanto, o que Chris Coleman fez foi montar uma equipa em função daqueles três: cinco defesas e três tipos em altas correrias; bola em Joe Allen, variação de flanco ou passe em profundidade; Ramsey e Bale em tabelinhas. Não há muito que saber. Gente a povoar o meio, linhas bem juntinhas, tão juntinhas que se confunde a defesa e o meio-campo; futebol direto e confiar em Gareth Bale. (A propósito, sete dos onze golos do País de Gales durante a qualificação foram marcados por ele.)

E Bale fez um golo de livre, num remate que seria inofensivo se o guarda-redes não tivesse tentado adivinhar para que lado iria o galês chutar. A partir daí, a Eslováquia, que pressiona mais, que joga melhor e não joga à defesa, teve de passar a presisonar mais e tentar jogar ainda mais à frente. E como tem futebolistas para isso, como Hamsik, Kurcka, Hroovský, foi isso que procurou fazer e nem sempre o fez bem, porque o Duris esteve sempre fora dela.

E quando ele se foi e entrou Nemec, a Eslováquia fez o empate por Duda, no instante seguinte - o karma é algo inexplicável. Aquele conjunto de homens tatuados, de cabelo rapado ou com crista, como os vilões punk rockers dos filmes dos anos 80, correu e celebrou. O 1-1 era justo.

Era a vez de Coleman responder, com Robson-Kanu, um tipo grande e potente, para dar mais trabalho ao bad boy Skrtel que tinha um pacto com o árbitro e o árbitro de baliza para não lhe serem assinaladas faltas dentro da área. O País de Gales voltou a reequilibrar as contas, a Eslováquia estranhamente encolheu, e os lances de quase-perigo foram repartidos entre as duas seleções. Num deles, Robson-Kanu fez o 2-1 e os galeses rebentaram nas bancadas. Afinal de contas, havia vida para além do râguebi, nós é que não sabíamos. Agora, sim, três pontos para o País de Gales.