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Caso Gil Vicente. Fiúza, Fernando Gomes e Pedro Proença falam a uma só voz

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GIl Vicente reinvindica a subida imediata à I Liga. FPF e Liga de Clubes concordam mas falta agora saber para quem vai a cobiçada 20ª vaga entre os grandes. União da Madeira já levantou o dedo, contra a vontade de Portimonense, Freamunde e Académica, que defendem a realização de um play-off

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Dez anos após o polémico caso Mateus, o futebol português vai protagonizar um novo folhetim de verão, tendo por questão fulcral saber quem acompanhá o Gil Vicente na prometida subida à I Liga já em agosto. Fernando Gomes, esta tarde reconduzido na presidência da Federação Portuguesa de Futebol, anunciou que não irá recorrer da decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa e recomendou a integração imediata do Gil Vicente na I Liga ja na próxima época de 2016/17.

Esta terça-feira, em reunião de direção da Liga de Clubes, no Porto, Pedro Poença acatou a diretriz federativa e divulgou que irá convocar com carácter de urgência uma assembleia geral de clubes para aprovar o alargamento da I Liga de 18 para 20 equipas e a subida do Gil Vicente. Nessa reunião, será ainda definido o melhor figurino para apurar a 20ª equipa da I Liga e, em simultâneo, a salvaguarda de que, na época imediatamente a seguir, 2017/18, a prova voltará ao modelo competitivo de 18 clubes.

O inesperado alargamento da Liga e consequente diminuição no final da próxima temporada irá obrigar à descida de divisão de quatro equipas no final da próxima época, o que promete desde já um campeonato ainda mais escaldante do que é costume. Em comunicado, o presidente da Liga alerta que o alargamento competitivo é inevitável, mas deixa claro que mantém a “sua estratégia e modelo conceptual” que definiu para a Liga e que passa “inevitavelmente por um emagrecimento das provas, de forma a torná-las mais competitivas, atrativas e sustentáveis”.

Pedro Proença afirma, contudo, que serão os clubes, em assembleia magna, ainda sem data marcada, que terão a palavra final sobre o súbito alargamento. E promete uma decisão célere a bem das estabilidade das competições e baseada nos “valores de mérito, justiça e integridade desportiva”.

Decidida a vida do Gil Vicente, resta agora saber quem acompanhará a equipa treinada por Álvaro Magalhães na subida de escalão, uma questão que não deverá ser pacífica. O União da Madeira, penúltimo classificado da I Liga na época finda, já pôs o dedo no ar. Portimonense e Freamunde, que acabaram em 3.º e 4.º lugares da II Liga, reclamam um play-off com os despromovidos da I Liga. Ou seja, a Académica e os insulares. Ou seja, um modelo seguido há dois anos quando o Boavista foi também recolocado por decisão dos tribunais na I Liga.

Fiúza pede 20 milhões de euros de indemnização

Feliz com a antecipação do regresso aos grandes, António Fiúza garante que “finalmente se fez justiça”, mas não irá poupar as instâncias desportivas que lançaram o Gil Vicente na via-sacra da II Liga. Apesar de elogiar a boa-fé e pronta decisão de Fernando Gomes e Pedro Porença, o líder do Gil Vicente, depois de já ter recebido um adiantamento de 200 mil euros, reivindica agora à FPF uma indemnização de 20 milhões de euros por perdas e danos. Um valor que estima as perdas de receitas de patrocínios, publicidade, direitos televisivos ou desvalorização de jogadores.

Mateus, atualmente jogador do Arouca, não gosta de recordar o episódio que lhe atrapalhou a vida no início da carreira

Mateus, atualmente jogador do Arouca, não gosta de recordar o episódio que lhe atrapalhou a vida no início da carreira

FERNANDO VELUDO / AFP / Getty Images

A personagem central e involuntária do caso que abalou o verão de 2006 é Mateus Galiano. Nascido a 17 de junho de 1984 no Bairro de Samba, em Luanda, trocou muito jovem a terra-natal por Lisboa. Estreou-se no Sporting B, rumou ao Casa Pia e a Felgueiras até ser contratato pelo Lixa como falso contínuo, função que nunca exerceu mas permitiu ao clube não pagar seguros desporivos e de acidentes de trabalho.

No defeso de 2006, transferiu-se para Barcelos como profissional, o que originou o protesto do Belenenses por suposta irregularidade na inscrição do jogador, que, alegavam os azuis, deveria jogar durante um ano como amador. António Fiúza não se ficou, recorreu para a Liga de Clubes e para a FPF, e também para os tribunais civis depois das instãncias desportivas terem dado razão ao clube do Restelo, que escapou na secretaria à descida de divisão.

Atualmente com 31 anos, Mateus joga desde o início do ano no Arouca, depois de ter passado pelo Boavista, Nacional e 1.º de Agosto (Angola). O Expresso tentou em vão contactar o jogador, que não gosta de recordar o episódio que lhe atrapalhou a vida no início da carreira.