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Silêncio que vai ganhar Djokovic

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Dennis Grombkowski/GETTY

Impermeáveis, cachecóis e cobertores foram o traje de gala em mais um dia chuvoso em Roland Garros, onde Novak Djokovic passou entre os pingos da chuva, ao derrotar Tomas Berdych em jogo atrasado – e esta quinta-feira novamente interrompido – dos quartos de final

Mariana Cabral

Mariana Cabral

em Paris*

Jornalista

Enquanto entrava no – mui descoberto – campo Philippe Chatrier (o único dos quatro Grand Slam que não tem cobertura) lembrei-me da final da Liga dos Campeões da semana passada, onde o jogo entre Real e Atlético de Madrid foi precedido de uma novíssima cerimónia de abertura que incluía cantoria de Alicia Keys. Mais americana do que europeia (olá, Super Bowl), a final foi tudo o que este Roland Garros não está a ser. Claro que um jogo de ténis nunca é propriamente estridente (bom, exceptuando os de Sharapova), mas o Philippe Chatrier estava esta tarde particularmente silencioso quando Novak Djokovic e Tomas Berdych entraram no court para disputar um jogo dos quartos de final que havia sido adiado devido à chuva - e que teve de ser também hoje interrompido devido à chuva.

Tal como na quarta-feira, o dia em Paris esteve frio, nublado e chuvoso, o que afastou muitos dos adeptos que costumam passar pelo Grand Slam francês - que na segunda-feira teve de ser totalmente interrompido devido ao mau tempo e que na terça-feira só teve duas horas de jogo antes de ser novamente cancelado.

Não é que esta quinta-feira não chovesse: enquanto o sérvio número um mundial e o checo número oito mundial aqueciam, já se vestiam impermeáveis e cobriam-se as pernas com cobertores para esquecer os 13º da primavera parisiense. Mas aquela era chuvinha que cai sem molhar, bem diferente dos pingos que começaram a cair com mais intensidade e obrigaram a que o jogo fosse interrompido durante dez minutos.

Antes, Djokovic e Berdych não foram tolos e jogaram sem problemas durante dois sets e meio. Passando entre os pingos da chuva, o esguio Djokovic rapidamente começou a impor-se sobre os robustos 1,96m de Berdych, quebrando o serviço do adversário para chegar aos 4-3 e repetindo o feito para selar o primeiro set por 6-3.

Surpreendendo Berdych com uma série de amortis certeiros, Djokovic rapidamente chegou aos 3-0 no segundo set e o que parecia ser um passeio simpático (e rápido - ainda só havia passado pouco mais de meia hora) só se dificultou quando Berdych conseguiu quebrar o serviço do sérvio e empatar as trocas de bolas (4-4).

Só que 'Nole' não quebra facilmente e, ao contrário de Berdych, aguentou a pressão e conquistou a segunda partida por 7-5. Pior foi o início do terceiro set: Berdych quebrou o serviço do sérvio imediatamente e a raquete de Djokovic voou-lhe das mãos num acesso de fúria desnecessário. É que, pouco depois, o homem que já só precisa de conquistar Roland Garros para completar a série de Grand Slams fez um contra break e voltou a empatar a questão.

Com os pontos então mais intensos e longos, a chuva apareceu a sério, para irritação - e infortúnio - de Berdych. Os jogadores regressaram aos balneários durante dez minutos e, quando voltaram, o equilibrado 3-3 passou rapidamente a um descompensado 6-3.

Vitória categórica de Novak Djokovic, que chega à 30ª meia final de um Grand Slam na carreira, aos 29 anos (só Jimmy Connors, 31, e Roger Federer têm mais, 39), depois de também ter atingido outra marca impressionante: é o único tenista a ter conquistado 100 milhões de dólares em torneios. Segue-se amanhã a meia final do único torneio que lhe falta ganhar, contra o vencedor do duelo entre o belga David Goffin e o austríaco Dominic Thiem. Bom, se não chover, claro.

*a jornalista viajou a convite da Discovery