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Espírito Santo, a escolha que dividiu a SAD do FC Porto

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Falhada a contratação de Jorge Jesus, Pinto da Costa apostou em Nuno Espírito Santo, 42 anos, moeda de troca para Jorge Mendes refazer a equipa em jejum de títulos há três anos

D.R.

A escolha de Nuno Espírito Santo para salvar a nação portista e está a dividir a SAD do FC Porto, partida entre a aposta em Marco Silva e a vinda de um técnico ainda verde mas que encarne a mística azul-e-branca. Pinto da Costa deu a benção à fação do filho Alexandre, defensora do regresso do ex-guarda-redes da casa ao reino do Dragão pela mão do eterno amigo Jorge Mendes. Antero Henrique é o perdedor no braço de ferro com Alexandre Pinto da Costa

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Nuno Espírito Santo, 42 anos, deverá ser apresentado como próximo treinador do FC Porto nas próximas horas, após Pinto da Costa ter fechado a contratação do ex-guardião portista com Jorge Mendes no fim de semana.

O nome do treinador que levou o Rio Ave à final da Taça da Liga e da Taça de Portugal em 2014, feito que lhe valeu subida súbita à liderança do Valência já tinha circulado nos corredores do Dragão em janeiro para substituir Julen Lopetegui, mas Pinto da Costa preferiu apostar na experiência de José Peseiro para calar a contestação dos adeptos, falhada a contratação do desejado Marco Silva.

A aposta no agora campeão grego era e é a solução defendida por Antero Henrique para salvar o 'banco mau' do FC Porto desde que Marco Silva deixou Alvalade, tendo perdido de novo a parada em relação à escolha do treinador, matéria da inteira responsabilidade de Pinto da Costa.

Ao que o Expresso apurou junto de fonte do clube, a escolha do sucessor de José Peseiro veio colocar a nu a guerra latente entre o diretor-geral e administrador da SAD e Alexandre Pinto da Costa, que vem advogando junto do pai as pazes com Jorge Mendes, empresário caído em desgraça junto do líder do FC Porto por causa dos fiascos Julen Lopetegui e Adrián López.

Pinto da Costa, que “mais do que amigos tem interesses”, como refere um ex-dirigente do clube, deixou-se convencer pelos apoiantes do todo poderoso empresário, que terá colocado como moeda de troca para refazer a equipa portista a contratação de Nuno Espírito Santo, treinador que colocou o Valência em quarto lugar da Liga espanhola, clube que viria a abandonar em novembro após uma série de maus resultados.

Ao contrário do que aconteceu em janeiro, quando Marco Silva “deixou claro que nunca seria ele a tomar a iniciativa de romper o vínculo contratual”, refere fonte próxima do técnico do Olympiakos, agora nem o campeão grego, nem o clube ou o seu agente, Carlos Gonçalves, foram contactados pelo FC Porto.

Nuno reabre guerra Antero versus Alexandre

A guerra perdida com Alexandre levou Antero Henrique a ameaçar bater com a porta, clivagem já formalmente desmentida pelo clube. A aproximação a Nuno Espírito Santo terá acontecido ainda antes da final da Taça de Portugal, razão pela qual Jorge Mendes terão recusado uma proposta de António Salvador para Nuno suceder a Paulo Fonseca, em Braga.

A desculpa, ao que o Expresso apurou, foi que Espírito Santo iria treinar uma equipa inglesa, quando na realidade já estaria em modo de espera para o lugar de José Peseiro.

Apesar de Pinto da Costa ter anunciado há um mês, logo após ter sido reeleito, que já estava a preparar a próxima época com José Peseiro, o adeus ao treinador era só uma questão de tempo após o fiasco dos quatro meses de serviço pós-Lopetegui.

Segundo fonte próxima do clube, a saída de Peseiro só não foi anunciada logo a seguir à derrota no Jamor, frente ao Sporting de Braga, para evitar o cenário de especulação e dúvidas na praça pública que se seguiu ao despedimento do técnico espanhol em janeiro.

“Foram duas semanas lamentáveis, que não se podiam repetir”, refere a mesma fonte, que adianta que está tudo a ser conduzido de forma a que José Peseiro “tenha uma saída limpa do FCPorto”.

A ainda escassa experiência de Nuno Espírito Santo como treinador principal está a causar alguma desconfiança na SAD portista, défice que a fação encabeçada por Pinto da Costa defende ser compensada pelo conhecimento da causa portista e do futebol português. E já agora um exemplo de portismo para apaziguar a ira dos adeptos num banco em que qualquer um arrisca-se a não ser campeão, ao contrário do que sucedia num passado recente.

O ex-guardião portista saltou para a ribalta do futebol nacional em 1996, ao desaparecer do mapa do mapa após Pimenta Machado, então presidente do Guimarães, ter recusado a sua transferência para o FC Porto. Seis meses depois jogava no Corunha, protagonizando a primeira transferência de Jorge Mendes, seu amigo e mentor até hoje.

Artigo publicado na edição do Expresso Diário de 30/05/2016