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Carvalhal numa final que vale mais do que a Liga dos Campeões: são €223 milhões em jogo

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A PREMIER LEAGUE É PARA ALI Carlos Carvalhal entrou no Sheffield Wednesday no início da época e está prestes a subir à principal liga inglesa

reuters

Se o Sheffield Wednesday vencer este sábado a final do playoff da 2ª Liga inglesa contra o Hull City, sobe à Premier League e arrecada impressionantes 223 milhões de euros. “Não sinto nenhuma pressão”, graceja o treinador Carlos Carvalhal

Mariana Cabral

Mariana Cabral

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Jornalista

Olavo Cruz

Olavo Cruz

Infografia

Este sábado joga-se a final mais valiosa da época futebolística europeia em 2015/16. O Real Madrid-Atlético de Madrid, em San Siro? Não. A final da Liga dos Campeões dará “apenas” 15 milhões de euros ao vencedor – que pode arrecadar um total de 54,5 milhões de euros em toda a prova, excluindo mais alguns milhões dos direitos televisivos, que variam.

Isto quer dizer que a final mais valiosa da época irá ser disputada no histórico palco de Wembley e pode dar, em caso de vitória, 223 milhões de euros ao Sheffield Wednesday de Carlos Carvalhal, entre prémios de subida à liga principal e receitas televisivas (veja abaixo o quadro com a distribuição de receitas na Premier League esta época).

Infografia olavo cruz

É muita pressão para um jogo só? “Não sinto nada”, graceja o treinador português, que completou 55 jogos (25 vitórias, 18 empates e 12 derrotas) com o clube desde que chegou a Inglaterra, no início da época. “O futebol é nas quatro linhas, com onze de cada lado e uma equipa de arbitragem. Isto é o que podemos controlar: a forma como jogamos e a estratégia para o jogo. O resto... é business”.

A forma como Carvalhal e a restante equipa técnica portuguesa –Bruno Lage, João Mário e Jhony Conceição – puseram o Sheffield a jogar impressionou os adeptos locais, que não veem o clube na principal liga inglesa desde 2000. A claque criou um cântico com o nome de Carvalhal, a cara do treinador está espalhada pelos pubs locais e não há quem não elogie o trajeto da equipa esta época.

“Propusemos o nosso estilo, escolhemos jogadores para ele e os jogadores e adeptos adoram a forma de jogar. Se quiséssemos o estilo clássico, certamente não teríamos um meio-campo onde a média de altura dos jogadores não deve superar os 1,75 metros. Sempre que a equipa joga bem, marca golos, os jogadores desfrutam e evoluem, e os adeptos gostam do que veem... Sou um treinador feliz”, assegura Carvalhal.

“Aconteceu assim no Leixões, no Vitória Setubal, a espaços no Sporting e no Sporting de Braga, no Besiktas e agora no Sheffield. O que esta época tem de comum com a época em que ganhámos a Taça da Liga e conseguimos chegar à Liga Europa no Vitória é que fui responsável a 100% por todo o futebol do clube. No fundo, construí e modelei a equipa desde a sua génese”, explica.

SÓ MAIS UMA. Os jogadores do Sheffield Wednesday (nos quais há três portugueses: Lucas João, Marco Matias e José Semedo) só precisam de mais uma vitória, frente ao Hull, para subir à Premier League e ter (ainda mais) razões para festejar, depois de uma época surpreendente

SÓ MAIS UMA. Os jogadores do Sheffield Wednesday (nos quais há três portugueses: Lucas João, Marco Matias e José Semedo) só precisam de mais uma vitória, frente ao Hull, para subir à Premier League e ter (ainda mais) razões para festejar, depois de uma época surpreendente

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Ainda assim, Carvalhal garante que não é fácil para um treinador português adaptar-se ao futebol inglês, habituado ao kick and rush – que é como quem diz mete na frente e corre –, especialmente no Championship (a 2ª divisão inglesa), que tem 24 clubes. “É muito complicado. Recebi recentemente o relatório do sindicato dos treinadores de cá e em 24 clubes existiram 18 mudanças. É o campeonato mais duro do mundo e é preciso uma preparação muito específica”, diz.

“Ganhámos o desafio porque estivemos com os sentidos apurados para aprender rapidamente e juntar a nossa experiência passada. Eu e a minha fantástica equipa técnica 'casámos' com o Sheffield e vivemos para o clube durante toda a época”.

Este sábado, na final contra o Hull City (os dois jogos que ambos disputaram no campeonato acabaram empatados), haja consumação do casamento ou não, uma coisa é certa: divórcio não haverá. Carvalhal vai ficar no Sheffield por mais três anos, depois de ter renovado hoje o contrato.

Resta saber se fica no Championship ou na Premier League. “Estar no play off neste campeonato já é uma enormíssima vitória, é algo de muito, muito grande, mas vencer seria mágico, especialmente devido à dureza do campeonato – 24 equipas com jogos consecutivos ao sábado e à terça, com estádios cheios e com a qualidade e intensidade que se joga aqui, é algo que só entende quem acompanha. É já uma enorme conquista.”