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Benfica mais perto de continuar a jogar na BTV

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JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Jogos na Luz deverão ficar pelo menos mais um ano na BTV para pressionar a MEO a ceder na guerra pelos direitos desportivos. E a NOS estuda entrada de novo acionista na SportTV

Os jogos do Benfica em casa na Liga portuguesa deverão continuar a ser emitidos no canal BTV durante a próxima época. A administração da operadora NOS — que comprou em dezembro os direitos de emissão dos jogos do Benfica e os direitos de distribuição da BTV — não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a decisão está praticamente fechada e que deverá ser anunciada em breve pela NOS e pelo Benfica.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, o plano prevê que o canal continue, por isso, a ser pago durante pelo menos mais um ano e que mantenha, além dos jogos do Benfica, os direitos de emissão das ligas italiana e francesa. Só a Liga inglesa é que sai do canal, por ter sido entretanto readquirida pela SportTV.

Depois de ter fechado o acordo para a compra dos direitos do Benfica e da BTV — num contrato que pode durar até 10 anos e um valor na ordem dos €400 milhões —, a NOS manteve em aberto vários cenários para a emissão dos jogos do clube encarnado. O mais forte era o regresso destes conteúdos à SportTV, canal detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira, e de onde o Benfica tinha saído em 2012 depois de recusar €22 milhões/época para renovar o contrato.

Mas o braço de ferro que a NOS está a travar com a MEO para a garantia do acesso a todos os conteúdos desportivos detidos por cada operadora — e que já levou a MEO a suspender o acesso da NOS ao Porto Canal — fez com que a operadora liderada por Miguel Almeida alterasse os seus planos iniciais para os jogos do Benfica.

Na base desta estratégia está o facto de a MEO ter um contrato de distribuição da SportTV assegurado para as próximas épocas, enquanto o contrato de distribuição da BTV termina a 30 de junho deste ano. Ou seja, se os jogos do Benfica regressassem agora à SportTV, a MEO tinha acesso automático garantido a esse conteúdo. Mas se os jogos do clube encarnado se mantiverem na BTV, a NOS pressiona a MEO a aceitar as suas condições para a partilha de conteúdos desportivos.

Um dos passos centrais nesta estratégia foi dado na semana passada, quando a NOS e a Vodafone divulgaram um acordo para a partilha recíproca de conteúdos desportivos detidos pelas duas operadoras. Um acordo que produzirá os seus efeitos já a partir da próxima época e que, como referia o comunicado, garante que os clientes da NOS e da Vodafone terão acesso à BTV e aos jogos do Benfica em casa “independentemente do canal onde estes jogos sejam transmitidos”.

Com este acordo, que foi elogiado pela Autoridade da Concorrência (AdC), a NOS consegue não só dar sequência à ideia que sempre defendeu sobre os conteúdos desportivos não serem exclusivo de nenhuma operadora como também ‘atar’ a MEO à contingência de aceitar as condições que a Vodafone já aceitou para aceder aos jogos do Benfica caso estes se mantenham na BTV. Caso contrário, os subscritores da MEO deixam de ter acesso aos jogos do Benfica em casa.

Novo acionista na SportTV?

Em paralelo a este dossiê, a NOS está também a avaliar a entrada de novos acionistas no capital da SportTV. A operadora não comenta o assunto, mas o Expresso sabe que a possível dispersão do atual capital detido a 50% pela NOS e por Joaquim Oliveira está a ser estudada e que o tema, embora numa fase embrionária, terá sido abordado com a Vodafone no âmbito das negociações para o recente acordo de partilha de conteúdos assinado pelas operadoras. A Vodafone e a Controlinveste de Joaquim Oliveira também não estiveram disponíveis para comentar.

A dispersão de capital da SportTV por novos acionistas já foi tentada em 2013, quando a NOS (ainda no formato ZON), anunciou um acordo com a PT (na era pré-Altice) para que esta comprasse 25% da sua participação no canal. Nesse acordo, Oliveira manteria a sua participação intacta, mas incluiria no perímetro da SportTV as empresas Sportinveste Multimédia e PPTV, o que implicaria na prática a repartição com a NOS e a PT dos direitos de futebol que então detinha.

O acordo foi no entanto chumbado em 2014 pela AdC, por entender que era “suscetível de criar entraves significativos à concorrência” no mercado de direitos desportivos. Algo que, segundo as fontes ouvidas pelo Expresso, não se colocaria no atual contexto se a dispersão de capital fosse feita com um operador como a Vodafone.

O objetivo da NOS neste plano é encontrar parceiros para uma ampla reestruturação da SportTV, que tem acumulado resultados negativos nos últimos anos. Só em 2015 os prejuízos do canal superaram os €10,3 milhões. No ano anterior tinham sido de €6,2 milhões.