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Tudo a saltar…

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Kris Meeke na descida do Confurco em Fafe

ACO Motorsport

No último dia do Rali de Portugal disputado nas serras de Fafe e da Cabreira, a Citroen regressa às vitórias e o público vibrou com os famosos saltos

É coisa que se costuma gritar nos estádios quando as coisas estão a correr bem: “tudo a saltar!”. Aqui no último dia do Rali de Portugal quem saltou não foram os espectadores mas os carros no famoso troço de Fafe. Este tem dois saltos famosos, um ainda no planalto do lado leste e outro mesmo no final da classificativa, a menos de 1 km da tomada de tempo.

Do local onde me encontrava, conseguia ver os dois saltos. É claro que no mais longínquo só se adivinhava que tinha passado um carro por causa do reflexo do sol no pára-brisas lá ao longe. Uma vez fixado este lampejo, era contar pouco mais de dois minutos, durante os quais os concorrentes abordavam a famosa descida do Confurco e a travessia do alcatrão em duplo gancho e lá estava mais um carro a saltar.

A aproximação dos primeiros concorrentes era assinalada pelo voo rasante do helicóptero que o acompanhava quase a ter ao salto e para quem tivesse dúvidas havia sempre um coro de buzinas a apitos a anunciar a aproximação de mais um carro. Parte da “bancada” perdia, por vezes a chegada dos concorrentes pois estava entretida a aplaudir ou vaiar os jipes e motos que tentavam a sua sorte na travessia de lamaçais ou linhas de água nas traseiras das zonas com mais espectadores

Verdadeiramente impressionantes alguns dos voos dos concorrentes, muitos dos quais nem sequer protagonizados por pilotos de primeiro plano. Havia descolagens de mais de 50 m, sem exagero. A diferença é que os carros mais leves e menos potentes se comportam pior na aterragem e não foram poucos os que, parecendo aterrar sobre a grelha dianteira, foram largando uns pedaços de pára-choques e de carroçaria pelo caminho, prontamente recolhidos pelas equipas de segurança.

O britânico Kris Meeke em Citroen DS3 que dominou a prova desde o primeiro dia nem sequer fez o voo mais longo mas também não ficou muito atrás. Quando, chegou à tomada de tempo (circulava em 10º) sabia já que tinha a vitória assegurada, nem que fosse pelas palmas efusivas dos espectadores. E logo de seguida não se conteve e subiu para o tejadilho do carro, agradecendo os aplausos. Nos lugares imediatos dois VW, os do norueguês Andreas Mikkelsen e o do francês Sébastien Ogier. E em 4º lugar o Hyundai do espanhol Dani Sordo.

Muitíssimo público como seria de esperar e algumas dificuldades no acesso ao final do troço de Fafe, sobretudo na zona onde teoricamente só veículos credenciados e vai-vens deviam circular, que levaram um responsável do ACP com quem me cruzei a comentar em surdina: “Belo encazinanço. A GNR já f… isto tudo”.

Mas como em Fafe havia duas passagens, uma por volta das nove e outras por volta do meio-dia, quem chegou atrasado teve sempre hipótese de ver alguma coisa.

Entre saltos grades de cervejas, febras e muitos aplausos foi, uma vez mais, a alegria do povo. Até o Presidente da República lá esteve, não domingo em Fafe, mas sábado em Matosinhos, na Exponor.

  • O monte das emoções

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