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“Receber a Taça de Portugal das mãos de um presidente braguista será histórico”

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COMENTADOR. Desempregado há um ano, Barroso, 45 anos, vai mantando o vício do futebol aos microfones da Rádio Antena Minho

HUGO DELGADO / NFACTOS

Dezoito anos depois de ter erguido a Taça pelo FC Porto contra o clube do seu coração, Barroso volta ao Jamor como comentador da Rádio Antena Minho. Meio século após ter vencido a prova, o Sporting de Braga dará o tudo por tudo para receber o troféu das mãos do adepto arsenalista Marcelo Rebelo de Sousa, tendo do outro lado uma equipa desesperada por conquistar o único título que resta na pior época da era Pinto da Costa

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Vai ao Jamor torcer pelo Braga?
Vou comentar o jogo para a rádio Antena Minho. Iria de qualquer maneira apoiar o meu clube de sempre, ainda mais por ser um dia especial para os adeptos de Sporting do Braga.

Faz precisamente 50 anos que o clube venceu a sua única Taça de Portugal.
É uma coincidência que espero que tenha um final feliz, mas para os jogadores seria um momento histórico receberem a Taça de Portugal das mãos de um Presidente da República que é braguista. Desde que me lembro, o professor Marcelo Rebelo de Sousa sempre teve orgulho e torce por este clube.

Jogou quase todas a sua carreira pelo Braga mas foi bicampeão e venceu a Taça de Portugal pelo FC Porto. Não se sente dividido?
Não. Sou sócio e joguei quase 20 anos pelo clube da minha terra e isso nunca se esquece. Pelo FC Porto, também quero sempre que ganhe, desde que não seja contra o Braga. Estive lá duas grandes épocas, fiz amigos, trataram-se sempre bem, ganhei títulos e a Taça de Portugal na última final FC Porto-Braga. Ganhar domingo seria a desforra, mas acho que merecemos essa alegria por tudo o que sofremos no ano passado.

É mais duro perder na lotaria dos penáltis?
Fica-nos uma sensação de injustiça. Há um ano ainda foi pior porque a equipa esteve quase até ao fim a ganhar por 2-0.

Não aguentarem a pressão?
De repente aconteceu tudo. Desacertos, desconcentração, azar, tudo.

Depois de uma época desastrosa, domingo a pressão maior estará do lado do FC Porto?
Numa final, a pressão é para os dois lados, mas concordo que, num clube habituado a ganhar tudo e que ficou três anos sem ganhar nada, a tensão de vencer será maior. O que não quer dizer que seja uma vantagem para a equipa de Paulo Fonseca, pois a pressão tanto pode funcionar de maneira positiva como negativa.

Como explica o desnorte do FC Porto?
Toda a gente tem culpas no cartório. Da direção que tomou a decisão de escolher um treinador [Lopetegui] que não percebeu a identidade de um clube com a grandeza do FC Porto, aos jogadores que não perceberam a responsabilidade de jogar com aquela camisola. No meu tempo, aprendia-se logo que se chegava com jogadores da casa como João Pinto, Rui Barros ou até Aloísio. Nos últimos anos perdeu essa mística.

Como era transmitida essa mística no FC Porto?
Pelo exemplo dos líderes, pelo passa palavra. Agora não se vê um líder dentro de campo - suponho que também não exista no balneário.

O último troféu do Braga foi a Taça da Liga, em 2013, conquistado por José Peseiro, e o último do FC Porto a Supertaça, no mesmo ano, por Paulo Fonseca, que não resistiu à contestação dos adeptos portistas...
Falavam tão mal dele e afinal foi o único capaz de ganhar uma prova em três anos. O que prova o quanto o mundo do futebol é por vezes injusto. Para ele, vencer a Taça era a cereja no topo do bolo, depois do quarto lugar no campeonato, dos quartos-de-final na Liga Europa e das meias-finais da Taça da Liga. Por tudo o que tem feito, António Salvador, que transformou um clube com dificuldades financeiras e salários em atraso num clube europeu, já merecia um troféu com mais prestígio.

No caso do FC Porto, a Taça de Portugal pode salvar a época?
Não salva, minimiza a má imagem.

A vitória poderá valer a José Peseiro o lugar no banco?
Não faço ideia. É uma questão que só o presidente saberá.

O Benfica tricampeão pressagia o fim da era portista?
De modo nenhum. Pinto da Costa ainda tem bastante a dar ao futebol, é uma questão de reorganização da equipa.

Quem mereceu ganhar o campeonato?
O Benfica, que começou com um treinador novo, em que muita gente não acreditava e que deu a volta por cima. Não me surpreendeu nada, que o conheci bem quando fizemos juntos o curso de treinadores em Rio Maior, em 2007. Além de ser um bom treinador - e provou as suas capacidades mesmo em clubes pequenos como o Fátima -, é acima de tudo boa pessoa, de fácil relacionamento.

Já tem clube para a próxima época?
Estou desempregado há um ano, depois de ter treinado clubes aqui da região, como o Vieira, o Porto de Ave e o Maria da Fonte, na época passada.

Já pensou ir para fora?
O que eu quero é trabalhar, mas está complicado. É um mundo complicado, ainda mais quando não se tem empresário.

Não tem por opção?
Não tenho porque ninguém veio falar comigo e não gosto de estar por aí a pedir.

“Temos seleção para ter ambição”, como diz o slogan do Euro?
Acredito que com o Ronaldo em forma, que para mim é o maior do mundo, temos equipa para ir até à final. Tenho pena que o meu amigo Tiago, que se estreou aos 17 anos no Braga quando eu já ia no fim de carreira, tenha ficado de fora, mas se calhar ainda não recuperou o suficiente para estar em boas condições físicas.

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