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A mão de Deus de Marafona

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José Sena Goulão/Lusa

O FC Porto começou mal, piorou, melhorou, empatou, esteve por cima - e perdeu nos penáltis. O Braga ganhou a Taça de Portugal e o Dragão segue sem títulos desde 2013

No início José Peseiro tinha aquelas atenuantes a que chamamos benefícios de dúvidas. Ele era o homem que herdara um equipa desequilibrada pelo não menos desequilibrado Julen Lopetegui que tinha trocado o "Somos Porto" pelo "Somos Oporto". A letra a mais deixara o FCP com menos identidade (e intensidade) e a missão de Peseiro era reafinar a máquina . Afinal de contas, se havia coisa pela qual era conhecido, era por isso mesmo – por pôr as equipas a jogar à bola. Mas também havia outra coisa pela qual Peseiro era conhecido, e não era coisa boa – não ter carisma.

E nestes contextos, em que os jogadores precisam mais de um choque elétrico do que um manual de instruções, um tipo que lidere pela personalidade costuma resultar melhor do que um tipo professoral. O primeiro tem um impacto imediato, o segundo demora um bocadinho mais – e a mudança pode nunca chegar.

E não demorou muito para que se percebesse Peseiro era o treinador errado no lugar errado. O FC Porto sofreu derrotas históricas (Arouca, Tondela e Paços de Ferreira) e inconvenientes (Braga e Sporting), ficou pior do que o que estava, e Peseiro e os seus futebolistas tiveram ouvir de Pinto da Costa que podiam estar a prazo. Restava um objetivo: ganhar a Taça de Portugal e era bom que subissem aquela escadaria do Jamor ou alguns iriam por ali abaixo.

O que Peseiro fez foi rodar jogadores para que toda a gente chegasse no ponto de rebuçado a Oeiras contra o Sporting de Braga. É uma decisão legitima, porque o FC Porto não podia trocar de lugar com o Sporting nem o Braga iria trocar de lugar como o FC Porto – o campeonato estava feito.

Neste caminho que se confundiu com uma pré-época, Peseiro deu rodagem a André Silva, o tal ponta de lança português para o qual estão destinados grandes feitos, e o miúdo foi correspondendo. E na final do Jamor, enquanto uns estavam com os pés trocados (Chidozie, Helton e, claro, Marcano) e davam abébias ao Braga (esteve a ganhar por 2-0, dois golos após erros estúpidos da defesa portista), foi André Silva (e, vá, Herrera e Danilo) quem representou um pouco do Porto à antiga: talento e pêlo na venta.

Foi ele quem levou o FC Porto para prolongamento, com um golo à ponta de lança e outro à craque (pontapé de bicicleta no minuto 90) que nos fez pensar, a todos, na convocatória para o Europeu 2016 na qual ele não está - e Eder está.

Ao FC Porto valeram quatro coisas: a substituição do disparatado Chidozie por Rúben Neves, as entradas de Aboubakar e de André André; e este Braga de Fonseca, incapaz de matar jogos quando tem a presa ferida. Não que o Braga jogue mal, até porque uma equipa que tem Rafa, Hassan ou Pedro Santos dificilmente jogará; falta-lhe é a solidez e a esperteza e a matreirice para congelar a bola quando a coisa aquece.

José Sena Goulão/Lusa

Tempo extra e penáltis

Depois dos erros e das correrias vieram aqueles trinta minutos, os nervos, as câimbras – e André André e André Silva. No prolongamento, o FC Porto esteve mais perto de fazer o 3-2 do que o Braga, mas o resultado não mudou apesar do esforço destes dois rapazes que partilham o primeiro nome e o portismo. O vencedor da Taça de Portugal seria decidido nos penáltis. E aí, nada do que aqui foi escrito interessa - é outro jogo.

Aconteceu assim:
1-0, Layún marca
1-1, Pedro Santos marca
1-1, Herrera falha
1-2, Stojilijkovic marca
2-2, Rúben Neves marca
2-3, Hassan marca
2-3, Maxi falha
2-4, Goiano marca

E o Braga ganhou. E Marafona tornou-se um herói.