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O monte das emoções

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D. R.

Luta cerrada pela primeira posição no Rali de Portugal no primeiro dia disputado na serras do Alto Minho

As cumeadas entre Orbacém e Freixieiro de Soutelo onde o Rali de Portugal voltou a passar são das mais bonitas de Portugal. Do ponto do troço de Caminha onde habitualmente está instalada a Zona VIP, uma curva apertada para a direita a subir, vê-se meio mundo: a foz do Rio Minho, o Monte de Santa Tecla na Galiza e lá em baixo Caminha.

Também se vêem passar carros de corrida, é claro, pois, sem prejuízo da fruição de uma paisagem como há poucas, é para isso que o povo, tanto luso como galego, lá está. Na segunda passagem pelo troço, por volta das 16.20 de 6ª feira, houve emoção a rodos. E a que não era em directo era em diferido: o que antigamente se fazia com o transístor de pilhas colado no ouvido, faz-se agora com os smartphones e os tablets. Ainda não tinha passado o primeiro carro e um espanhol atrás de mim fazia de locutor, com o abominável sotaque a falar inglês que caracteriza “nuestros hermanos”: “O ‘Peiden’ já ardeu”. Quem? “Ah o Hayden Paddon da Hyundai”. De facto, na sequência de uma saída de pista o carro acabara por se incendiar, sem mazelas nos pilotos.

Só quem nunca foi a rali é eu não sabe que em cada local onde se abanca para ver passar os carros há, pelo menos:

- Um pândego em altos gritos a fazer a animação da bancada, metendo-se com as pequenas que passam, oferecendo cervejas e gritando quando se aproxima um concorrente: “Olha o Raaaali!”

- Várias raparigas estrangeiras de diferente idades, com uns quilos a mais mas vestindo calças e camisolas que devem ser da irmã mais nova

- Diversos “camones” que se esqueceram de pôr o protector solar e se apresentam vermelhos que nem pimentões

- Umas dúzias de foliões que já estão tão bêbedos que não distinguem um jipe dos bombeiros de um carro do WRC mas estão felizes e é-lhes indiferente quem vai a ganhar e a perder segundos.

Embora a pista já estivesse marcada da passagem anterior, confirmou-se que nestas provas em piso de terra sair à frente não ajuda: Ogier da VW passou lindamente, deu um banho de pó ao público mas continuava a perder tempo para o homem que vinha de trás: o britânico Kris Meeke da Citroen que naquela altura já tinha amealhado à volta de meio minuto de avanço, consolidando a primeira posição.

Passagem espectacular a de Mads Osberg da Ford e melhor ainda a de Dani Sordo da Hyundai que vinha verdadeiramente de faca nos dentes. O segundo piloto da VW, Latvala, passou certinho, abrindo bastante a curva e levantando muito pó, o que levou um suposto perito na fila de trás da bancada a sentenciar: “Estás a ver? Isto é estratégia. Não arrisca nada…” Não era: era o começo de problemas com a assistência da direcção que o haveriam de afastar da luta pelos lugares cimeiros. Imagine o leitor a ter que virar e “desvirar” àquela velocidade com um volante que parece pesar toneladas…

Hoje a aventura prossegue pelos troços do Marão e Aboboreira e amanhã termina com chave de ouro nas serras de Fafe e a Cabreira.