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Presidente da SAD leixonense suspende cargo

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Arguido por suspeita de corrupção na operação “Jogo Duplo”, o dirigente desportivo diz que sempre lutou “em defesa do Leixões e nada faria que o pudesse prejudicar”

Carlos Oliveira anunciou a suspensão do cargo de presidente da SAD do Leixões "por iniciativa própria", na sequência da sua detenção, no último sábado, pela Polícia Judiciária, por suspeita de manipulação de resultados de jogos de futebol.

Este dirigente e o diretor-desportivo do clube Nuno Silva, também detido no mesmo dia pelas autoridades, foram presentes a primeiro interrogatório judicial esta terça-feira, no qual o Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa aplicou a ambos a suspensão de funções na SAD e no clube de Matosinhos ou noutro clube desportivo.

A juíza de instrução criminal determinou também como medida de coação aos dois dirigentes a proibição de contactarem com os restantes 13 arguidos da operação 'Jogo Duplo'.

Num comunicado publicado na página oficial do clube na internet, Carlos Oliveira dá conta da apresentação de um recurso da decisão do tribunal, como medida de coação, de ditar a sua "suspensão de funções", por a considerar "completamente infundada e desproporcional".

Libertado na terça-feira à noite, tal como o diretor desportivo Nuno Silva, com as medidas de coação de termo de identidade e residência, suspensão de funções e proibição de contactos com os restantes arguidos, o dirigente do clube da II Liga justifica a sua decisão de suspender o cargo: "Sempre lutei em defesa do Leixões e nada faria que o pudesse prejudicar".

"Independentemente do resultado do recurso, entendo que neste momento, até esclarecimento da situação e apuramento real dos factos e para não prejudicar o Leixões, que devo suspender o meu cargo, o que faço por iniciativa própria, entregando nas mãos da Mesa da Assembleia Geral e do Conselho Fiscal a condução do dia-a-dia do clube até à realização de uma Assembleia Geral que pedirei seja convocada para muito breve", refere o comunicado.

Decorrente da suspensão das funções, Carlos Oliveira informou que, "em estreita colaboração com estes órgãos", vai, de imediato, "proceder ao encerramento das contas, fazendo refletir nas mesmas, tudo o acordado no âmbito do PER (Processo Especial de Revitalização) e em outros acordos já feitos".

"Isso mostrará a todos os leixonenses como foi drasticamente reduzido o passivo e que hoje a situação, ainda que difícil, nada é parecida com a que recebi a 3 de julho de 2014, quando se afirmava que o Leixões não tinha futuro nem duraria mais de um mês", acrescentou o dirigente, frisando que nesse período "acabaram as penhoras do estádio e foram tomadas as necessárias medidas de reestruturação".

Considerando-se "acusado inadequadamente e de forma absolutamente injusta", o líder da SAD entende ser "manifesta a completa ausência de indícios e meios de prova".

A operação 'Jogo Duplo' culminou com a detenção de 15 arguidos, presentes na terça-feira a primeiro interrogatório judicial.

O jogador brasileiro Diego Tavares, do Oriental de Lisboa, e dois empresários, Carlos Daniel Silva, conhecido como 'Aranha' e com ligações aos SuperDragões, claque do FC Porto, e Gustavo Oliveira ficaram sujeitos à medida de coação de prisão preventiva.

Os restantes 12 arguidos, quatro jogadores da Oliveirense, três do Oriental, dois que alinharam na equipa de Oliveira de Azeméis esta época (Moedas e João Carela), agora no Estarreja, o presidente da SAD do Leixões, Carlos Oliveira, e o diretor-desportivo, Nuno Silva, assim como o ex-futebolista Rui Dolores saíram em liberdade.

Contudo, a prisão preventiva aplicada aos arguidos pode evoluir para prisão domiciliária, depois de concluídos os relatórios sociais.