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“Jogo Duplo”. Leixões em modo de espera

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Manuel Falcão, presidente da assembleia geral do Leixões, só depois da audição judicial de Carlos Oliveira irá decidir o destino imediato do clube. A detenção do líder e do diretor do histórico clube do mar deixou a numerosa família leixonense em estado de choque

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Manuel Leão, presidente da assembleia geral do Leixões Sport Clube, afirma ter sido apanhado de surpresa com a detenção de Carlos Oliveira, presidente do centenário clube e da SAD leixonense, suspeito de ter aliciado quatro jogadores da equipa adversária para facilitarem a derrota da Oliveirense, já despromovida de escalão.

“Como todos os adeptos do Leixões, estamos ainda atordoados com os acontecimentos, mas até prova em contrário quero crer que Carlos Oliveira e o nosso diretor desportivo serão inocentes”, refere Manuel Leão, que vai aguardar pelo desfecho das audiências judiciais antes de tomar qualquer decisão em relação aos destinos do clube.

Além de Carlos Oliveira, que detém a maioria do capital da SAD do Leixões, foi ainda detido o diretor desportivo Nuno Silva, dirigentes que já serão ouvidos esta terça-feira no Tribunal Criminal de Lisboa. Os dois responsáveis pelo histórico clube de Matosinhos, vencedor da Taça de Portugal em 1960/61 e que conta com quatro presenças nas competições europeias, são suspeitos de corrupção ativa após terem aliciado o guarda-redes, um defesa e dois avançados da Oliveirense para influenciaram o resultado do encontro da última jornada, decisivo para a manutenção do Leixões na II Liga.

Garantida a vitória em campo (1-2), o Leixões arrisca-se agora a descer compulsivamente de divisão e ao pagamento de uma multa que oscila entre os 25 mil e os 102 mil euros. De acordo com o Regulamento Disciplinar da Liga Portugal, a pena será ainda mais pesada se o pagamento aos profissionais não tiver sido um ato isolado para falsearem apenas o jogo em causa, mas visado a viciação de apostas desportivas, cenário que poderá ditar a suspensão da equipa das provas nacionais.

Na semana que antecedeu o jogo, os jogadores da Oliveirense faltaram aos treinos de quarta-feira, uma greve de protesto devido a quase três meses de salários em atraso. O clube que jogará na próxima época no Campeonato Nacional de Seniores atravessa ainda um vazio diretivo, após o presidente da direção José Godinho ter anunciado não ser candidato a novo mandato.

Dois dias antes do encontro da última jornada, Joaquim Evangelista, líder do Sindicato dos Jogadores, alertou que este tipo de vulnerabilidades potenciam o aliciamento de jogadores e colocam em causa a verdade desportiva. Mais rigor na inscrição e licenciamento dos clubes e o reforço de fiscalização ao longo da época são medidas reivindicadas pelo Sindicato, que até ao final de maio irá apresentar um plano de combate à viciação de resultados desportivos, denominado “Projeto Anti-match-Fixing - Deixa-te de Joguinhos”.

Em dificuldades financeiras, a SAD do Leixões esteve para ser parcialmente adquirida por empresários brasileiros há um ano, alienação que mereceu a resistência dos sócios e que acabou por ser travada porque, em cima do desfecho do negócio, “não apareceu o dinheiro acordado com o investidores”, referiu ao Expresso fonte afeta ao clube.

Carlos Oliveira, empresário que detém a empresa tecnológica de equipamentos de trânsito e estacionamento Soltráfego, passou a ser o acionista principal da SAD Leixões, detida ainda pelo clube e por Sílvia Carvalho, que mantém uma pequena participação depois de ter presidido à estrutura que gere o atividade profissonal do clube.