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Seleção Nacional: No meio é que está a dúvida

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TIAGO MIRANDA

Fernando Santos anuncia terça-feira, às 20h30, os 23 escolhidos para representar Portugal no Euro-2016. É certo que não haverá nem Coentrão nem Danny, ambos lesionados. Mas haverá Tiago? E Renato?

Estamos no século XXI e isso quer dizer que vivemos numa era em que o telemóvel inteligente (ou o tablet ou o computador) está sempre à mão. Mas para isto não é preciso sapiência virtual (ou, para os amantes do vintage, um ábaco): X mais 11 igual a 23. A equação é simples e explica-se assim: se Fernando Santos só pode levar 23 jogadores ao Europeu, então para chegar a 23 basta somar os 11 jogadores mais utilizados na qualificação — na defesa, meio-campo e ataque, respetivamente (veja a infografia) — aos restantes 13. Porque 23 menos 11 é igual a 13.

Não é? Não, de facto numa calculadora normal não é. Mas nas contas do matemático Fernando Santos é. Porque destes 11 preferidos há um que não pode ir a França, por estar lesionado: o dez/ala/avançado Danny. E há outro que, apesar de também ser indispensável, ainda está em dúvida: Tiago. O médio de 35 anos regressou aos treinos há três semanas, depois de meio ano de recuperação de uma fratura da tíbia, mas não é certo que seja uma escolha para o selecionador (que o estima sobremaneira — recorde-se que Tiago tinha renunciado no tempo de Paulo Bento), porque ainda não voltou à competição. E porque é no sector do meio-campo que Portugal tem mais fartura — e é também aí, por isso, que há mais dúvidas.

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Começando pelo início: Patrício será o guarda-redes titular, Anthony o suplente e Eduardo a mais que provável alternativa, pela veterania, ainda que seja defensável o argumento de que seria útil levar um jovem como José Sá, por exemplo (mas há Jogos Olímpicos em agosto). Na defesa também não há grandes dúvidas: Coentrão está lesionado, pelo que Eliseu e Raphaël estarão na esquerda; na direita, Cédric foi o mais utilizado, mas dividiu os minutos quase a meias com Vieirinha; e, no meio, Carvalho, Pepe e Alves são os preferidos. Aqui levanta-se a questão do quarto central, que pode ser desnecessário, até porque Danilo também pode fazer a posição — mas é provável que Fonte seja chamado. No ataque, Nani, Ronaldo e Quaresma podem dormir descansados na segunda-feira e é provável que Éder, apesar de ser o patinho feio dos adeptos, também, porque é a única referência ofensiva com poderio físico, algo que Santos justificou como importante contra seleções defensivas.

Já vamos com 15 jogadores quando chegamos ao centro da questão. Assumindo as escolhas anteriores como prováveis, restam então oito vagas para quase o dobro dos médios. Moutinho é indispensável para Santos; Danilo, pelos minutos que contou, também; os três sportinguistas bem oleados por Jesus — William, João Mário e Adrien — podem ser aproveitados, porque o plano A da seleção passou a ser o 4-4-2; Bernardo e Rafa trazem criatividade às alas, tal como André Gomes, que também pode estar no meio... e já são oito — sem contar com Tiago (e Veloso...). E Renato? Bom, o novo reforço do Bayern de Munique não impressionou particularmente nos amigáveis com a Bélgica e com a Bulgária, mas dada a opção pelo 4-4-2 a que está habituado, talvez possa ser útil, pelo desassombro e capacidade de acelerar o jogo ofensivamente. Só que, para o miúdo entrar na equação, alguém tem de sair. Quem? Se calhar precisamos mesmo de uma calculadora.