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O Ferrari acelerou para o Marquês. E há milhares que vão à boleia

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Vídeos. Fotografias. Prosa. Reportagem no Marquês de Pombal e arredores, onde se celebra o tri do Benfica

João Santos Duarte

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Jornalista

Nuno Botelho

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Fotojornalista

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Não, afinal não é um Ferrari. Embora para a história tivesse sido melhor. É uma limousine em tons azuis e com uma fotografia de uma sala de luxo estampada nas laterais. A acompanhar a imagem estão uns caracteres chineses. Os vidros são fumados. Há adeptos sentados e outros em pé em cima do capô do carro. "Isto daqui vê-se tudo", grita um deles para outro que ficou lá em baixo. Hoje a limousine não é uma limousine, é um terceiro anel. Só lá em cima é que muitos conseguem ver alguma coisa do jogo que decorre lá ao fundo numa pequena tela.

O quiosque está transformado num miniestádio da Luz. Este e todos os outros da Avenida da Liberdade, a dois passos do Marquês de Pombal, onde a festa não tardará. Meia hora antes do início dos jogos ainda o palco que receberia os campeões estava a acabar de ser montado ao fundo do Parque Eduardo Sétimo. Alguns adeptos acorreram ao local, para se depararem com apenas uma mensagem nos dois ecrãs gigantes: os jogos não vão ser transmitidos aqui.

A alternativa foram as esplanadas dos quiosques. Saltam bifanas e imperiais, na tentativa de anular o nervoso miudinho. Apito inicial. Olhos na tela. A tensão vai crescendo à medida que as equipas não marcam. Nem aqui, nem no outro jogo em Braga. De repente o calafrio para os adeptos encarnados. O Sporting marca. Se tudo acabasse agora, era campeão. Há quem roa as unhas. Há incerteza em alguns olhares. Mas só dura quatro minutos. Ainda não tinha sido golo neste quiosque tranformado em pequeno estádio, mas a rádio antecipa-se. Alguém grita "golo" e todos vão atrás. Segundos depois, Gaitan confirma lá ao fundo na tela. Há fumos vermelhos e estalidos de pequenos morteiros, como num estádio. A limousine abana toda. O descanso segue pouco tempo depois, pelo inevitável Jonas. O segundo golo vem acompanhado de nova explosão de alegria e alivia qualquer tensão. A festa do título começa verdadeiramente aqui.

"Afinal, o Rui Vitória sabe conduzir o Ferrari", lê-se num cartaz que o um adepto segura. Ao intervalo já há quem queira ir para o Marquês. Mas encontram os acessos encerrados por grades e um cordão policial. Recebem a resposta que só a partir das 19h. Cenário raro num dia normal, há quem jogue à bola no meio da Avenida da Liberdade, hoje excepcionalmente sem carros, para passar o tempo.

Segunda parte. Espíritos mais aliviados na Avenida. O título está quase no bolso. O bis de Gaitán só vem desfazer qualquer dúvida que ainda pudesse existir. "Campeões, nós somos campeões", já gritam por esta altura os adeptos do Benfica, abraçados uns aos outros. Há já quem abandone o interesse no jogo e vá concentrar-se junto às barreiras de seguranca que ainda cortam o acesso ao Marquês. Querem ser os primeiros a chegar à praça. A fila vai-se tornando cada vez maior, descendo a avenida. É já aí que muito celebram o quarto golo de Pizzi.

O árbitro apita. Neste momento já todos estão aos saltos na fila, agitando cachecóis e bandeiras. Quase no imediato, a polícia começa a deixar entrar o adeptos, um a um, a conta-gotas. São revistados nas grades de acesso, todas as malas são vasculhadas numa pequena mesa um pouco mais à frente.

Para quem quiser festejar o título do Benfica no Marquês, o melhor é ir a pé e deixar o carro longe dos festejos. A PSP estabeleceu um perímetro de segurança com cinco pontos de entrada onde os adeptos podem ser alvo de revistas de segurança, como acontece num estádio de futebol. Tudo para evitar os desacatos que se verificaram na festa do título no ano passado. Quem chegar de metro tem de ter em conta que as estações do Marquês de Pombal e Parque estão encerradas desde as 17h.

Aos poucos, os adeptos vâo enchendo a praça e concentram-se em frente ao palco onde saudarão os campeões. O Ferrari já cortou a meta. Só falta mesmo chegar ao pódio.