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Não, ou a vã glória de mandar

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José Coelho / Lusa

O Sporting deixou uma última imagem, que até foi a sua imagem de marca durante a época - dominou, quase sempre, os adversários diretos. Foi contra os pequenos que a Liga se terá escapado dos dedos. 0-4 ao Sporting de Braga

O que se pode dizer num momento destes em que uma equipa faz o que deve fazer e ganha na casa de um adversário que não é fácil, que acaba uma época a ganhar todos os jogos grandes menos um, e que essa derrota que podia não ter acontecido mas aconteceu (porque o jogador mais inteligente falhou um golinho com a baliza escancarada) pô-lo fora de uma corrida que liderou durante muito tempo, tanto tempo que chegou a ser improvável perdê-la. Mas perdeu. E perdeu para o rival de que é vizinho e a quem foi buscar o treinador para dar aquele salto em frente que precisava, num momento de afirmação coletiva (do clube) e pessoal (do presidente) face ao estado das coisas.

Talvez não se possa dizer nada. Ou talvez se possa dizer boa sorte para a próxima, porque quem joga assim como o Sporting jogou em diferentes momentos do campeonato, a dominar os adversários mais fortes (e o Benfica e o FC Porto e o Braga que o digam) merece essa sorte - e Bryan Ruiz não merece o azar, como a exibição em Braga mostrou . Nem ele, nem João Mário, nem Slimani (um golo), nem Teo Gutiérrez (um golo), que carregaram sobre o Sporting de Braga como se o jogo na Luz não lhes interessasse para nada.

O que lhes interessava, a eles e a Jesus, era deixar uma boa última imagem, que normalmente é a que fica, para sustentar aquela ideia de que a melhor equipa era a que ia perder, um argumento com o seu quê de lógico mas também tem o seu quinhão de falibilidade.

Porque a melhor equipa não é aquela que perde pontos em casa contra o Paços de Ferreira, o Rio Ave e o Tondela, e não se deixa perder na Madeira, contra o União. E nem vale a pena repescar algumas vitórias sofridas (as últimas, sobretudo) do Benfica, porque o Sporting também as teve, pela margem mínima (11 contra 9 do Benfica) e chegou aos triunfo em nove ocasiões depois do minuto 80 (e o Benfica, quatro).

José Coelho / Lusa

Acontece que o Sporting engasgou num momento em que não podia, eventualmente perdeu-se numa guerra de palavras e de insultos que só ajudar a alimentar um sentimento de vingança do outro lado da segunda circular - e toda a gente sabe que a vingança é um sentimento mais perigoso do que a gratidão, porque mexe com aquilo que há de mais primário em nós.

Para o bem e para o mal, Jorge Jesus e Bruno de Carvalho foram protagonistas deste campeonato e ambos terão aprendido com os erros que cometeram. Ninguém é perfeito, mas os que ganham são os que acertam mais do que se enganam.

HUGO DELGADO / Lusa