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Flops, fails, mãos de manteiga e outros 6 factos notáveis da liga

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Houve momentos para esquecer e momentos para recordar - mas todos ficam para a história da incrível época 2015/16, que começou verde e acabou vermelha

1. Prémio #fail: Bryan Ruiz

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Quem joga com os amigos sabe bem o que isto é: estão a ver aquele momento em que a bola vem perfeita, perfeita para o golo que vai decidir tudo e depois o que acontece na realidade é um incrível pontapé na atmosfera e um fantástico bate-cu? Pois (não que isso alguma vez me tenha acontecido, claro). Não interpretem mal: se há uma palavra que define Bryan Ruiz, essa palavra é classe. O costa-riquenho é um dos melhores jogadores que já passaram pelo campeonato português (ao nível do brilhantismo de Pablo Aimar, Javier Saviola e Iker Casillas, por exemplo), mas até os melhores escorregam de vez em quando. Ou melhor, acertam com a canela onde não deviam. Se alguém dissesse a um adepto do Sporting que Ruiz iria falhar um golo contra o Benfica a um metro da linha de golo, é provável que esse adepto não acreditasse. Mas o azar de Ruiz foi o azar do Sporting, que, em retrospetiva, perdeu quase tudo naquele momento: o golo, o dérbi, a liderança e, por fim, o título.

2. Prémio eu também sou campeão (a sério): Clésio Baúque

FRANCISCO LEONG/Getty

Estávamos na 9ª jornada quando o Benfica se viu à deriva, apesar das palavras de confiança do timoneiro do navio: "Ser criticado, para mim ou para qualquer treinador, faz parte. Estou tão focado que nada mais me perturba. Os grandes navegadores são conhecidos pelas tempestades que vão ultrapassando". O navegador e seus marinheiros tinham perdido com o Sporting e estavam já a 7 pontos do líder quando defrontaram o Tondela. E foi então que Rui Vitória tirou um (bom, dois, porque Renato Sanches também se estreou aqui) coelho da cartola: Clésio Baúque. O jovem moçambique de 21 anos da equipa B era, habitualmente, extremo ou avançado, mas Vitória decidiu adaptá-lo a lateral direito, perante a incredulidade geral. Não foi péssimo, mas também não foi lá grande coisa: Clésio acabou por sair com cãibras, dando lugar a... André Almeida (este sim, um lateral de grande importância no título). Foram os únicos minutos que somou na equipa principal - acabou por ser vendido aos gregos do Panetolikos. Mesmo assim, sagra-se campeão, tal como os "esquecidos" Djuricic (1 jogo), Ola John (2 jogos), Victor Andrade (3 jogos) e Cristante (2 jogos). O único que fica fora da lista é Taarabt (já vamos falar sobre o rapaz).

3. Prémio flop: Adel Taarabt e Pablo Osvaldo

Claudio Villa

Quem? Pois. É quase isso. A marca que Taarabt deixa no Benfica vê-se pela fotografia que ilustra este prémio: é Taarabt, mas não é Taarabt com a camisola do Benfica, porque ele raramente a vestiu. Melhor dizendo, nunca vestiu a da equipa principal; jogou apenas pela equipa B, em sete ocasiões. Esteve com peso a mais, foi apanhado a sair à noite e nunca correspondeu à aposta que o Benfica fez nele no início da época, quando assinou por cinco épocas, ganhando €193 mil mensais, segundo o Football Leaks.

FRANCISCO LEONG

O momento mais alto de Pablo Osvaldo no FC Porto foi a entrada na gala dos Dragões de Ouro. O fato, o laço, o chapéu, os óculos, a barba - estava tudo bem naquele sósia de Johnny Depp (a sério, veja). O problema era quando o argentino vestia o equipamento. Nunca convenceu mais do que Aboubakar - 1 golo em 12 jogos - e só adiou a entrada de André Silva na equipa. Acabou por sair (mais vale tarde do que nunca) para o Boca Juniors e por lá ainda está pior: decidiu um fumar um cigarro no balneário e foi afastado da equipa.

4. Prémio mãos de manteiga: Iker Casillas

MIGUEL RIOPA

Ponto prévio: não há dúvida que Casillas foi a maior contratação da época e que é, de longe, o jogador mais mediático da Liga portuguesa. Só que, como já dizia Mourinho no tempo do Real Madrid, este Casillas já não é bem o que era - e compromete demasiadas vezes. É verdade que fez um jogo para recordar na vitória do FC Porto na Luz, mas depois também teve vários jogos para esquecer: com o Dínamo de Kiev, com o Sporting de Braga, com o Vitória de Guimarães e com o Sporting. Ou seja, mais "frangos" do que defesas.

5. Prémio nasceu dez vezes: Renato Sanches

PATRICIA DE MELO MOREIRA

"Substituto na formação? Tinham de nascer dez vezes." Foi assim que Jorge Jesus comentou, em 2014, a saída de Matic do Benfica. Não é que Jesus não gostasse de apostar em miúdos, mas a maioria deles era estrangeira e não formada no Seixal. Foi aí que Rui Vitória diferiu do antecessor: apostou em Guedes, Ederson, Lindelof, Clésio, Nuno Santos, Victor Andrade e... Renato Sanches. É certo que a passagem de Pizzi para falso extremo também ajudou, mas o 4-4-2 do Benfica só começou verdadeiramente a carburar quando o miúdo atrevido da Musgueira entrou na equipa. Sem medo e com uma disponibilidade física impressionante para um jovem de 18 anos, impulsionou o Benfica ofensivamente, ainda que tenha demonstrado várias carências a nível defensivo, especialmente no posicionamento. Ainda assim, foi a revelação do Benfica - e do campeonato. Daí partir agora para o Bayern de Munique, por €35 milhões.

6. Prémio anticlímax: União da Madeira (e Vitória de Setúbal)

FRANCISCO LEONG

Na mesma semana, o recém-promovido União da Madeira fez o que ninguém esperava: empatou com o Benfica (0-0) e ganhou ao Sporting (1-0). Não há muitos clubes a poder dizer o mesmo, mas, ainda assim, os madeirenses acabaram por ser despromovidos (com a Académica). Isto para felicidade do Vitória de Setúbal, que se salvou na última jornada depois de uma segunda volta aterradora, em que só conseguiu uma vitória. As saídas de Suk e Semedo, em janeiro, debilitaram um Vitória que esteve perto dos lugares europeus, na primeira volta, mas depois entrou em queda livre.

7. Prémio benfiquista do ano: Jorge Jesus

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Uma das caraterísticas mais encantadoras de Jesus é a sua bazófia. Que o homem é um excelente treinador ninguém tem dúvidas, mas o próprio acha genuinamente que não há ninguém melhor do que ele. E, por vezes, incha tanto que acaba por explodir. Sim, Jesus teve razões para se engrandecer perante Benfica e Rui Vitória - ganhou os primeiros três dérbis da época -, mas a bazófia foi tal que, às tantas, Jesus ajudou a levantar um rival que já parecia estar morto. É que juntar as tropas contra um inimigo comum é uma estratégia que funciona sempre bem (Mourinho que o diga) e Jesus acabou por se elevar a ele próprio como inimigo número um do Benfica, fazendo com que os adeptos benfiquistas se unissem à volta de Vitória. E o resto, como se diz, foi história.

8. Prémio mestre da união: Rui Vitória

PATRICIA DE MELO MOREIRA

Há os treinadores de jogadores - como Jesus - e há os treinadores de homens - como Vitória. O treinador do Benfica conseguiu aguentar um início de época aterrador, apesar de ter sido frequentemente olhado de lado por quem estava cá fora, depois das argoladas no discurso: o caminho, os navegadores, o caminho, o Ferrari, o caminho, os iogurtes, a cebolada, o caminho, o bombom e o caminho. Patinou, mas nuncou caiu, e teve o mérito de conseguir unir o balneário à sua volta e dar a volta a um campeonato que pareceu várias vezes perdido. Além disso, apostou nos jovens do Seixal, chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e ainda vai disputar a final da Taça da Liga. Melhor era impossível.

9. Prémio bateu no fundo: Pinto da Costa

MIGUEL RIOPA/Getty

Primeiro Lopetegui era tudo, tudo, tudo, depois Lopetegui era nada, nada, nada. Pinto da Costa apostou na permanência do treinador espanhol para regressar aos títulos (volta, Vítor Pereira, estás perdoado), mas tirou-lhe o tapete a meio da época e a emenda - José Peseiro - saiu-lhe ainda pior do que o soneto. O presidente teve de admitir que o clube "bateu no fundo" e pediu aos jogadores para mostrarem alguma dignidade conquistando o mínimo indispensável: a Taça de Portugal. É isto o FC Porto hoje em dia? Veremos. Para o ano há mais.