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Está tudo a pensar no mesmo: como é que o Benfica foi campeão? Fazendo limonada

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JOSE MANUEL RIBEIRO/Getty

O Benfica goleou o Nacional da Madeira (4-1) e conseguiu aquilo que tantas vezes pareceu impossível durante a época: o tricampeonato

A não ser que o estimado leitor tenha passado as últimas semanas numa gruta no meio do nada, terá certamente reparado que Beyoncé (sim, vou escrever sobre Beyoncé na crónica de um jogo de futebol - e depois?) lançou um álbum chamado "Lemonade" ("Limonada", portanto), no qual discorre, entre outras questões, sobre as alegadas traições do marido, Jay-Z. Ora, no dito álbum, às tantas ouvimos uma gravação da avó de Jay-Z a discursar no seu nonagésimo aniversário. E diz a dita senhora assim: "I had my ups and downs, but I always find the inner strength to pull myself up. I was served lemons, but I made lemonade".

Traduzindo e abreviando: a vida deu-me limões - e eu fiz limonada. Trinta e quatro jornadas depois, podia ter sido Rui Vitória a dizê-lo. Alguém no seu perfeito juízo imaginava, no início de agosto do ano passado (e até depois...), quando o Benfica entrou na época a perder (de forma justa) a Supertaça para o Sporting do novo inimigo Jesus, que uma equipa com Ederson, Lindelof, Semedo, Renato e Guedes como habituais titulares se iria sagrar (tri)campeã?

Só um homem imaginava e esse homem estava hoje, aos 85 minutos, aos saltos no relvado da Luz. "Salta, Rui" - e Rui saltou - e conquistou um campeonato que pareceu perdido mais do que uma vez: quando o Benfica perdeu na Luz com o Sporting, quando o Sporting levava sete pontos de vantagem no 1º lugar, quando o Benfica perdeu na Luz com o FC Porto. E quando o Benfica jogava pouco e andava desorientado - até Clésio (hoje na Grécia) foi titular, lembra-se? Parece outro campeonato mas foi neste, o 35 do Benfica.

TIAGO PETINGA / Lusa

Com Grimaldo (que parece o pequeno Léo) e Talisca titulares nos lugares de Eliseu e Renato, o Benfica dominou o jogo contra o Nacional e só tremeu com um remate de Salvador Agra (quase sempre ele) que Ederson defendeu (e com uma bola na mão/mão na bola de Talisca na área que o árbitro não viu). Depois, marcou Gaitán, na recarga a um lance de Pizzi; marcou Jonas, após uma assistência fantástica de Gaitán; e a Luz já festejava ao intervalo.

Na 2ª parte, mais do mesmo: Benfica entrou a carregar e marcou por Gaitán, após assistência da trave; e marcou por Pizzi, após assistência de Jonas. 4-0 e o tricampeonato estava feito. A Luz chorou e Paulo Lopes também, quando entrou para os últimos minutos, por troca com Ederson. A fechar, Agra fez o 4-1.

Contra muitas (todas?) expectativas, o Benfica é campeão e, por muito que se possa discutir a justiça disto ou daquilo (como aquele dérbi em Alvalade), o Benfica acaba com recorde de pontos na Liga (88, mais dois do que o Sporting), depois de uma 2ª volta extraordinária em que só perdeu com o FC Porto - e, lá está, ganhou ao Sporting. É futebol. É limonada.

António Cotrim / Lusa