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E agora com Ronaldo

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Phil Noble/EPA

Na primeira mão, Ronaldo não jogou por lesão. Em Madrid, espera-se que esteja em campo. O que muda tudo

Há quem ache Cristiano Ronaldo arrogante e vaidoso, mas se o homem fosse realmente como o pintam não diria que os seus “números na Liga dos Campeões, gostem ou não, vão ficar na História”. Não, se Ronaldo fosse realmente arrogante e vaidoso diria isto: “Já repararam que o Manchester City só marcou mais dois golos do que eu na Liga dos Campeões este ano? E com mais um jogo?”. Ou também podia dizer isto: “Sabem quantos golos tem o Atlético de Madrid na Champions? Quinze, pois é. Eu marquei mais um do que eles, desculpem qualquer coisinha.”

Dezasseis, pois é. Esta época, Ronaldo tem 1,6 golos por jogo na Liga dos Campeões, competição em que é o maior goleador, com 93 golos (45 na primeira parte, 48 na segunda, 49 em casa e 44 fora), com mais dez do que Lionel Messi. E de 2010/11 para cá, Ronaldo marcou mais golos (71) do que os jogos (67) que disputou na Champions, o que torna irrelevante qualquer discussão sobre o que ele vale no Real Madrid.

Porque, à partida, Ronaldo vale um golo e por 1-0 se ganha, por 0-1 se perde. E 1-0 é que gasta ao Real Madrid para chegar à final de Milão. É por isso que durante esta semana só se falou de Ronaldo, da lesão de Ronaldo, da lesão na coxa de Ronaldo, da lesão na coxa de Ronaldo que só se curaria com células estaminais, e da lesão na coxa de Ronaldo que só se curaria com células estaminais e com tempo. Mas tempo é o que Ronaldo não tem.

PETER POWELL/EPA

Ele tem pressa desde que nasceu, e o cenário mais provável é que arrisque a titularidade amanhã, frente ao Manchester City. A entrevista que deu ao site da UEFA é um indicador e as palavras de Zidane só reforçam a ideia: “O Ronaldo está a 100 por cento.”

Ninguém acredita que Ronaldo esteja completamente recuperado porque ninguém se cura de uma rotura muscular em menos de nada. Zidane estará a fazer bluff? Só à hora do jogo saberemos, porque, em Manchester, Ronaldo também fora convocado e acabou por sentar-se, vestido à civil, no banco de suplentes.

Para o City de Pellegrini isto faz toda a diferença: o lateral e o central que descaírem para o lado de Ronaldo terão de ter um olho nele e outro em Benzema, porque os dois combinam entre si quem marca – o francês, ao contrário do que acontecia, por exemplo, com Higuain, aceita sem problemas a superioridade e a autoridade do português.

FACUNDO ARIZABALAGA/EPA

Quem quer a bola?

Na primeira mão, em Inglaterra, o jogo foi aborrecido porque não houve confronto de ideias. Nem o Real Madrid nem o Manchester City quiseram a bola e quando isso acontece, nada acontece. Em Madrid, alguém terá de pegar no jogo, e a lógica diz-nos que será o Real Madrid a fazê-lo, porque joga em casa e porque é superior. Mas isso trai a natureza de contra-ataque de um clube que tem dois extremos rápidos e goleadores (Ronaldo e Bale), e que tem derrotado os adversários no sprint. A chave estará em Modríc e no que ele conseguir ou não fazer diante do meio-campo musculado do City, que já deve contar com Yaya Touré.

Ou então, não. Ou então tudo o que se acaba de escrever aqui não faça sentido porque Ronaldo desafia o bom senso e o senso comum, as análises e os prognósticos que possam ser feitos.