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De que planeta viniste, Diego?

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Michaela Rehle/ Reuters

O Atlético de Madrid perdeu 2-1 com o Bayern de Munique mas qualificou-se para a final da Liga dos Campeões pela segunda vez em três anos. Mérito de Diego Simeone.

A metáfora de hoje é o boxe.

Há vários tipos de pugilistas, mas aqui interessam-nos dois: o swarmer e o out-boxeur. O primeiro é intenso e rápido, carrega e pressiona o adversário desde que soa o gongue e não desarma até que este vá ao tapete, estilo Mike Tyson. O segundo flutua e dança à volta do adversário, e aplica golpes rápidos e certeiros enquanto o vence pelo cansaço, e não houve maior out-boxuer do que Muhammad Ali.

Já viu onde queremos chegar.

O Atlético é o swarmer e o Bayern de Munique o out-boxeur e rezam as histórias que quem procura o corpo a corpo tem vantagem sobre quem se esquiva. Obviamente, tudo depende do nível dos pugilistas. Porque ninguém pode esmurrar o que não vê ou o que não existe. E, nos primeiros 45 minutos, o Atlético não viu o Bayern de Munique que puxou dos seus truques de ilusionismo para desaparecer num lugar e reaparecer noutro.

Michaela Rehle/Reuters

É normal neste Bayern de Guardiola ver o trinco a jogar a líbero, os centrais subidos como médio centros, os extremos abertos como laterais e os laterais a fechar ao meio, a meio do meio campo do adversário. Confuso? O Atlético achou o mesmo. Desta vez, com Müller (que não foi titular na primeira mão; 1-0, vitória par ao Atlético), o Bayern lá foi baralhando as marcações impiedosas do Atlético de Simeone que se viu obrigado a ir mudando ao sabor das mudanças alheias - Koke andou pela direita e pela esquerda, Griezmann à frente e atrás e à direita, e por aí fora. O Bayern agiu, o Atlético reagiu. Mas toda a gente já sabia que a história ia ser assim e que o jogo seria intenso e disputado, como todos os jogos em que o Atlético de Madrid joga. O Bayern marcou por Alonso, num livre às três tabelas, e falhou um penálti por Müller. O Atlético nem uma bola conseguiu trocar na grande área dos bávaros (32% de posse de bola) - estava nas cordas.

Michaela Rehle/Reuters

Na segunda-parte, Simeone quis arriscar um bocadinho, tentar socar uma ou outra vezes nos rins do Bayern só para o corpo ceder. Entrou Carrasco, saiu Fernández, Griezmann abriu na linha e as coisas ficaram equilibradas, dentro do possível. O Atlético criou mais perigo, porque o Bayern também deixou de poder dançar tanto, com as pernas a ficarem pesadas a cada variação de flanco.

Num ataque rápido, Torres pôs a bola nos pés de Griezmann que a pôs dentro das redes de Neuer. O Atlético pôs o Bayern a sangrar: 1-1 aos 54 minutos, o que obrigava o Bayern a chegar ao 3-1 se quisesse chegar à final. Não conseguiu. Fez o 2-1, é verdade, por Lewandovski, mas viu Torres falhar um penálti duvidoso. E perdeu, por KO técnico e Guardiola não foi ao tapete, mas ao colchón. Porque este Atlético tem alma e tem Oblak. Porque este Atlético tem Diego Simeone, que consegue transformar um grupo de jogadores normais numa equipa potencialmente campeã europeia.