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Familiares das vítimas de Hillsborough processam polícias inglesas

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Conhecido o veredicto judicial, em vários locais de Liverpool – aqui na Praça de São Jorge – realizaram-se memoriais em homenagem aos 96 adeptos que morreram na Tragédia de Hillsborough

PHIL NOBLE / Reuters

As famílias dos 96 adeptos do Liverpool mortos em 1998 na tragédia de Hillsborough querem agir judicialmente contra as polícias de South Yorkshire e West Midlands

Vanessa Queiroga

As famílias dos adeptos do Liverpool que morreram na tragédia de Hillsborough, como ficou conhecido o incidente, entraram com uma ação por má conduta na Corte Suprema do Reino Unido, contra as polícias inglesas de South Yorkshire e de West Midlands, avança a BBC News. A ação legal já tinha sido apresentada em 2015, mas o processo ficou suspenso a aguardar as conclusões do julgamento.

Esta terça-feira, após dois anos de exposição de provas e da mais longa investigação judicial no Reino Unido, o júri concluiu que o comportamento dos adeptos do Liverpool, no estádio Hillsborough, não foi acidental e que existiram erros da polícia inglesa que contribuíram para a tragédia.

Nesse dia 15 de abril de 1989, no estádio Hillsborough em Sheffield, durante o jogo entre o Liverpool e o Nottingham Forest, devido à sobrelotação 96 adeptos dos reds foram espezinhados na sequência de uma série de erros cometidos pelas forças de segurança presentes no recinto. Considerado o maior desastre do futebol inglês, no episódios além dos mortois houve ainda 766 pessoas que ficaram ficaram feridas.

A polícia de South Yorkshire era a responsável pelo planeamento e operações no dia do jogo, enquanto a corporação de West Midlands ficou encarregada de realizar o inquérito inicial sobre a conduta dos oficiais nesse jogo.

Após forte pressão das famílias das vítimas, o veredicto inicial do tribunal, que apontava para a morte acidental dos 96 adeptos, foi anulado e um novo inquérito ordenado em 2012. No segundo julgamento, em Warrington, iniciado a março de 2014, os jurados ouviram mais de 800 testemunhos sobre os incidentes motivados pela sobrelotação do estádio do Sheffield Wednesday.

Na terça-feira, após a leitura da sentença, os familiares das vítimas manifestaram-se à porta do tribunal, obviamente agradados com a decisão, cantando o célebre e icónico tema “You'll Never Walk Alone”.

Há 27 anos que as famílias das vítimas travavam uma batalha em defesa da negligência por parte da polícia no incidente. O tribunal decidiu que o comandante das forças policiais responsáveis pela segurança do jogo, David Duckenfield foi “responsável por homicídio por negligência grave” devido a uma violação do seu dever de diligência. Vinte e quatro hortas decorridas sobre este veredicto, o atual chefe da polícia de South Yorkshire, David Crompton, foi suspenso.

Entratanto, os advogados das famílias das vítimas declararam que as evidências apontam para um “abuso em escala industrial” por ambas as polícias, South Yorkshire e West Midlands, contestando que neste caso qualquer análise superficial de apenas “uma maçã podre”. Citada pela BBC News, a Justiça britânica promete “examinar formalmente se as acusações criminais [agora colocadas] deveriam ser apresentadas contra qualquer pessoa ou coletivamente, com base em todas as evidências disponíveis”.

Ainda segundo a BBC News, dois inquéritos policiais estão a decorrer e podem terminar até ao final do ano: um está a investigar o incidente e outro avalia as alegações de tentativa de encobrimento por parte da polícia de West Midlands.