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Se fosse uma final, adormecíamos com o tédio

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Um apanha-bolas assiste à partida no Etihad Stadium, em Manchester

Jason Cairnduff/ Reuters

O Real Madrid defrontou o Manchester City, na 1ª mão das meias-finais da Liga dos Campeões, sem Cristiano Ronaldo, lesionado, e empatou sem golos. “Se fosse uma final, jogava, disse o internacional português. Ainda bem que não foi, se não seria uma das finais mais entediantes da prova

Quando Ihenacho entrou em campo, aos 39', por troca com o lesionado David Silva, pus-me a pensar que o que calhava mesmo bem com este jogo e o meu sofá eram meia dúzia (bom, se calhar mais) de nachos. Daqueles cheios de queijo e pimenta e suores quentes depois de cada dentada, sabe? E daí a imaginar uns tacos bem crocantes, uma taça cheia de guacamole (lembram-se quando os americanos - até Obama - passaram o verão de 2015 a debater a receita perfeita de guacamole? Ah, os americanos - nunca desiludem), um burrito recheado com feijão e uma Corona fresquinha foi um instantinho.

E por que razão é que eu pensava no (pseudo) jantar enquanto decorria uma meia-final da Liga dos Campeões?, pergunta o leitor sem insinuações machistas. Simples: ver a 1ª parte do Manchester City-Real Madrid foi tão emocionante quanto ver um feijão a germinar.

Carl Recine/ reuters

Havia Ronaldo? Não. Ao contrário do que tinha dito Zidane na antevisão do jogo - num belíssimo bluff -, o melhor marcador da Liga dos Campeões (16 golos) não jogou. "Ainda estava sensível. Se fosse uma final jogava", disse Cristiano antes de se dirigir para a bancada.

Ronaldo não quis forçar, ao contrário do que é habitual - esta época jogou 44 dos 46 jogos do Real -, e o mesmo deveria ter feito Karim Benzema, que também estava em dúvida, mas acabou por jogar - ainda que sem acrescentar nada ao jogo.

Houve emoção? Nem por isso. Tanto o Real como o City preferem ficar na expetativa e partir em transições rápidas, em vez de assumir o jogo, e quando ninguém assume, adepto sofre. A bem da verdade, o único tipo que despertou algum interesse na primeira parte foi Kevin De Bruyne, que conduziu sempre as (poucas) jogadas mais prometedoras do City - e levou um safanão de Pepe que valeu um amarelo ao central português. De resto, um pouco de Silva (antes da lesão), um pouco de Modric, dois remates para cada equipa e zero bolas em direção à baliza.

Darren Staples/ Reuters

Só na 2ª parte - já Zidane tinha rasgado as calças outra vez - é que o meu cérebro parou de gritar por comida. Logo no primeiro minuto, Aguero (também muito apagado) ameaçou com um remate perto da baliza, mas a partir daí houve sempre mais Real do que City, ao contrário do que tinha acontecido na 1ª parte.

Jesé - entrou para o lugar de Benzema e só essa entrada já fez diferença - cabeceou à trave; Modric e Bale remataram com perigo; Casemiro assustou Joe Hart; e Pepe, isolado na área na sequência de um canto, conseguiu fazer o mais difícil à frente da baliza: acertar em Hart (bom, convenhamos que o tipo tem 1,96m - e que Pepe esteve impecável defensivamente, ao contrário do disparatado Ramos).

Depois ainda houve um livre direto de De Bruyne desviado por Navas e... fim. Um zero-a-zero quase de bocejo. Espera-se esta quarta-feira uma meia-final bem diferente, entre Atlético de Madrid e Bayern de Munique. E agora vou jantar.