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Lopetegui: “Nunca atirei a toalha ao chão”

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MIguel Riopa / GETTY IMAGES

O ex-técnico do FC Porto desmente Pinto da Costa e afirma que nunca desistiu da equipa. Entre críticas e elogios ao dirigente portista, Lopetegui pede paz e defende que, desde a sua saída, a situação desportiva dos dragões “piorou imenso”

Lopetegui não desiste. Em entrevista dada esta quinta-feira à RTP3, o técnico espanhol fala pela primeira vez a um órgão de comunicação português desde que abandonou o comando técnico do FC Porto – já havia falado em Espanha, em janeiro – e não se poupa nos detalhes sobre a sua polémica saída.

O espanhol continua a defender o seu desempenho à frente dos “dragões” e diz que sempre acreditou numa boa época. “Não atirei a toalha ao chão. Porque é que havia de desistir se estávamos em condições de conseguir todos os objetivos pelos quais estávamos a lutar?”, questiona o técnico.

Estas declarações contrariam o que foi dito pelo dirigente portista esta semana, altura em que afirmou ter demitido Lopetegui por sentir que o técnico havia desistido da equipa. Declarações que o espanhol, numa outra entrevista dada ao espanhol “AS”, diz não perceber bem, vindas do seu antigo presidente. “Que siga o seu caminho e que me deixe seguir o meu, porque já lá vai um tempo desde a minha saída.”

Sobre os resultados do FC Porto após a sua saída: “Tivemos de pegar o touro pelos cornos. Agora tenho pena porque piorou imenso”

Sobre os resultados do FC Porto após a sua saída: “Tivemos de pegar o touro pelos cornos. Agora tenho pena porque piorou imenso”

JOSE COELHO / EPA

Lopetegui comenta ainda a atual situação desportiva do FC Porto, com José Peseiro ao comando, classificando que esta “piorou imenso”. “Nós perdemos três jogos em 50 da Liga. Agora, em 14 jogos, perderam cinco e não há contestação. Assim até teria trabalhado melhor”, considera.

“Desde a minha saída, [Pinto da Costa] não me atendeu”

O ex-treinador portista confirma o que já há muito se sabia: a sua demissão foi rápida e, após o que diz ter sido uma despedida “com abraços e lágrimas sinceras” de Pinto da Costa, não mais falaram. “Pude falar com ele [Pinto da Costa] todas as vezes que foi preciso. As últimas três chamadas são minhas para ele. Não me atendeu”, revela.

Sobre o presidente dos “dragões”, elogia as suas capacidades e diz ter “um grande apreço e admiração”. “Aprendi muito com o presidente. Quando chegava um jogador e as cláusulas eram 20 ou 30 [milhões de euros], Pinto da Costa dizia que não era 29999, era 30. Achei isso muito elogiável”, lembra o espanhol.

“Liguei três vezes a Pinto da Costa no dia seguinte [à demissão] para me deixar despedir dos meus jogadores. Não me atendeu nem ligou de volta”, diz Lopetegui

“Liguei três vezes a Pinto da Costa no dia seguinte [à demissão] para me deixar despedir dos meus jogadores. Não me atendeu nem ligou de volta”, diz Lopetegui

Estela Silva/Lusa

O treinador revela ainda que teve propostas de outras equipas para sair antes do início da época, mas que foi Pinto da Costa quem o fez ficar. Parabeniza a sua reeleição, porém deixando uma indireta ao resto da estrutura portista, que muito se especula ter sido a principal responsável pela saída. “Espero que [Pinto da Costa] esteja melhor assessorado do que estava, até agora.”

O plantel do FC Porto viu sair alguns dos jogadores mais importantes da equipa, entrando 14 jogadores novos, argumento que Lopetegui utiliza para defender o seu trabalho nos dragões. “Era uma equipa praticamente nova que estava a fazer o seu caminho e que, insisto, cinco dias antes da demissão era líder do campeonato”, reitera o técnico.

Julen Lopetegui continua sem clube desde janeiro, altura em que foi afastado do comando dos “dragões”, após um empate (1-1) com o Rio Ave.