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Presidente da mesa da assembleia geral admite falta de recato nas eleições do FCP

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Pinto da Costa foi reeleito no domingo para novo mandato à frente do FC Porto

Miguel Bismarck desconhece o motivo por que não foram colocadas cabines de voto na sala onde decorreu a reeleição de Pinto da Costa. “Talvez por uma questão de estética”, diz. Há sócios do FC Porto que se queixam de falta de privacidade para votar, alguns dizem mesmo que foram vigiados

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Miguel Bismarck não sabe por que razão não foram colocados resguardos na sala de votos do Estádio do Dragão de forma a assegurar a privacidade dos sócios na hora de votar. “É uma situação que terá de ser melhorada no futuro”, refere ao Expresso o presidente cessante da mesa da assembleia geral, embora garanta que a falta “de alguma privacidade não violou nem os estatutos ou o regulamento eleitoral do clube”.

Na opinião do jurista portuense, a exposição a que foram sujeitos os sócios que optaram por votar nulo a lista de Pinto da Costa não colide com a norma de escrutínio secreto estipulada pelos regulamentos. “Dado o afastamento do adepto até uma das mesas redondas da sala, em vez de colocar logo os boletins nas urnas, não significa por si só” que fosse riscar a lista em sinal de protesto. “Podiam querer simplesmente analisá-la”, adianta.

À chegada ao local, após a apresentação de cartão de sócio com mais de um ano de fidelização e quotas em dia até ao final de março, o votante era encaminhado para um das mesas, sendo-lhe entregue dois boletins de voto (um para os órgão sociais, outro para o Conselho Superior), a par da informação que se concordassem com a lista bastava “dobrar os boletins e introduzir aqui na urna”. “Aos sócios que não estivessem de acordo, foi-lhes indicada umas mesas altas, tipo de café”, contou Carlos Abreu Amorim ao Expresso (saiba mais AQUI), onde, perante o olhar de quem estava na sala, entre os quais escrutinadores e dirigentes, o votante teve de riscar ou escrever algo para que o boletim fosse dado como nulo, dado o regulamento não prever votos brancos.

João Diogo Manteigas, advogado especialista em Direiro Desportivo, defende, contudo, que a natureza secreta do escrutínio eleitoral “não foi respeitada”, conforme está previsto nos estatutos, “o que configura uma ilegalidade, que pode ser contestada pelos sócios”.

Mas Miguel Bismarck, que foi ex-vice presidente de Sardoeiro Pinto (histórico líder da assembleia geral portista falecido há dois anos), garante que o regulamento eleitoral não prevê a existência de cabines de voto, que, desde que se lembre, nunca foram utilizadas no clube. “Nas eleições anteriores existiam, sim, uma mesas altas colocadas junto à parede e resguardas com painéis de ambos os lados, acautelando a privacidade do ato.”

Regulamento imperfeito

A opção de domingo por desprotegidas mesas redondas terá sido ditada por “questões estéticas”, arrisca o dirigente portista. Miguel Bismarck confirma que “muitos dos 21% votos nulos” não foram validados por apresentarem mensagens de “manifesto apoio ao presidente”, conforme o próprio Pinto da Costa revelou em entrevista ao Porto Canal.

O jurista a quem cabe marcar a tomada de posse dos novos órgãos sociais do clube concorda, contudo, que há vários aspetos que devem ser alterados no regulamento eleitoral, “imperfeito” por não prever votos brancos, revisão que pretende propor enquanto futuro membro do conselho superior do clube.