Siga-nos

Perfil

Expresso

Desporto

Pinto da Costa não cairá na tentação de apresentar sucessor

  • 333

JOSÉ COELHO

Um dia depois de ser reeleito, o líder do FC Porto garantiu ao Porto Canal que nunca indicará quem gostaria de ter como sucessor. Recusa a margem de 79% dos votos nas urnas como uma espécie de cartão amarelo e explica os 21% de nulos por excesso de apoio dos adeptos

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

De regresso ao canal do clube 10 dias depois de ter admitido que o FC do Porto bateu no fundo, Pinto da Costa recusou em entrevista esta noite que a sua eleição por 79% de votos, menos 20% do que em 2013, seja um cartão um cartão amarelo à sua gestão.

"Acho ridículo, dá-me vontade de rir", referiu na longa entrevista conduzida por Júlio Magalhães e Miguel Guedes, vocalista dos Blind Zero e conhecido adepto portista, tendo confessado ter ficado surpreso com a duplicação de votantes em relação à sua última eleição. Para os 21% de votos nulos, tem uma explicação insólita: o excesso de zelo por parte de alguns sócios, que, segundo foi informado, escreveram nos boletins mensagens apoio à sua recondução, o que ditou a anulação dos mesmos por parte dos escrutinadores.

Mais uma vez, o presidente do FC Porto há 34 anos criticou a falta de candidaturas alternativas, cansado de "só ver ratos a fugir" quando há eleições. Dentro e fora do clube, acredita que há muitas pessoas capazes de o suceder, afirmando que só não gostaria de ver no seu lugar no futuro os filhos ou a mulher para "não passarem por muitos coisas que passam" só por serem seus familiares.

Depois do regresso às vitórias da equipa de José Peseiro domingo frente ao Nacional, Pinto da Costa está convicto de que os jogadores já acordaram do fatalismo em que caíram nos jogos com o Tondela ou Paços de Ferreira e recusa a necessidade de uma limpeza de balneário no final da época.

Embora não tenha garantido que Peseiro será o treinador na próxima época, negou contactos com Jorge Jesus, técnico de quem é amigo há longos anos e que não enjeita possa vir um dia a orientar o FC Porto. O título nacional é apontado como o grande objetivo para 2016/2017, mas garante que não será uma obsessão, como acontece na época em curso com o Sporting.

Com um orçamento de 150 milhões de euros, dos quais 40 milhões são de pagamentos ao fisco, Pinto da Costa adianta que o plantel será reforçado com quatro ou cinco jogadores, sem contudo entrar em loucuras. Já a preparar a próxima temporada, o decano dos dirigentes portugueses diz que lhe é indiferente se o campeão será o Benfica ou o Sporting.

Para o próximo quadriénio, promete um FC Porto mais forte e coeso e o regresso de uma política de comunicação mais agressiva do que até agora.

Questionado sobre se está preocupado com a situação do país, respondeu ao lado ao afirmar que face a um Governo de esquerda preferia que fosse de um só partido, elegendo o PCP como o preferido.

  • Que FCP é este que vai a eleições?

    Após 34 anos de liderança indiscutível, Pinto da Costa vai, neste domingo, a votos, mais uma vez sem concorrência, como acontece desde 1991. Contestado como nunca, devido ao severo jejum de títulos dos últimos três anos, a grande incógnita é saber se será eleito com 99% de votos a favor, como em 2013. Qualquer votação longe da unanimidade será um sinal de censura e desconfiança em relação ao futuro do Dragão