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O Braga caiu de quatro

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GLEB GARANICH/ Reuters

Acabou a aventura dos bracarenses na Liga Europa. E acabou da pior forma, com uma goleada frente ao Shakthar Donetsk, em Lviv. Já não há equipas portuguesas na UEFA

Há uma semana, escreveu-se aqui e noutros lugares como este que o Braga tinha perdido, apesar de tudo. Apesar de ter rematado mais, de ter corrido mais, de ter passado mais, de ter tido mais a bola no pé. Disse-se, então, que o Braga fora vítima da pouca pontaria à portuguesa, mas também da matreirice do Shakhtar Donetsk, que controlou as coisas à distância de um contra-ataque. A estatística não explicava tudo e deixava algumas questões por responder, a maior das quais, esta: a jogar assim, o Braga não conseguia dar a volta aos números, em Lviv?

Problema número 1. Mesmo a jogar assim, e por "assim", entenda-se, jogar bem, não era líquido que passasse, porque tinha de marcar dois golos e não sofrer nenhum, no melhor dos mundos possíveis, aquele em que o Shakhtar deixava de ser o Shakhtar (106 golos em 42 jogos oficiais) e se transformava noutra coisa qualquer.

Problema número 2. Foi o Braga que se transformou noutra coisa qualquer, amorfa, lenta e pouco intensa, precisamente o contrário daquilo que fora (e costuma ser) na primeira mão desta eliminatória. Factualmente, o que quer isto dizer? Que o Braga não fez um remate à baliza até ao minuto 45 contra seis do Shakhtar Donetsk. Que o Braga até teve menos posse de bola do que o Shakthar até ao minuto 45, sendo que a estratégia do Braga passa por tê-la e a do Shakthar por não a ter. Que o Braga não conseguiu coser as linhas defesa-centro-ataque e a eliminatória se rasgou ao meio mesmo, mesmo a chegar ao intervalo (2-0, um golo de Dario Srna e um autogolo de Ricardo Ferreira).

GLEB GARANICH/ Reuters

Problema número 3. A perder por dois, o Braga precisava de marcar três na segunda-parte; e logo que a segunda-parte começou, o Braga começou a precisar de marcar quatro, porque Kolavenko fez o 3-0. Obviamente, estava tudo irremediavelmente perdido e a aventura do Braga na Europa ia acabar da pior forma, deixando à vista um lado até então desconhecido, o do descontrolo emocional e tático.

A partir dali, com tudo desarrumado, a cabeça viajou para o futuro, para uma meia-final da Taça da Liga, com data a definir (uma particularidade muito nossa), e a final da Taça de Portugal (22 de maio) - não podia ser por do que aquilo. Mas foi. Ricardo Ferreira fez o segundo autogolo e o resultado subiu da categoria 'derrota' para 'goleada'. E, por esta, ninguém esperava.